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Mitos e verdades sobre anestesia no parto

Especialista esclarece dúvidas sobre analgesia, segurança para o bebê e impacto na via de parto

27 jan 2026 - 14h07
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A anestesia no parto ainda gera muitas dúvidas entre gestantes e famílias. Medo da dor, receio de não sentir o nascimento e preocupações com o bebê são comuns.

Anestesia e analgesia no parto são recursos seguros quando indicados e acompanhados por equipe especializada
Anestesia e analgesia no parto são recursos seguros quando indicados e acompanhados por equipe especializada
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Em um cenário onde a experiência do parto é cada vez mais valorizada, informação clara e baseada em ciência faz diferença.

Segundo especialistas, analgesia e anestesia são recursos seguros quando bem indicados e realizados por equipes especializadas.

"A analgesia e a anestesia não são vilãs nem atalhos", explica Dra. Monica Siaulys, diretora médica do Grupo Santa Joana. "Elas existem para oferecer bem-estar, proteção e uma vivência mais positiva do parto", afirma.

Analgesia e anestesia não são a mesma coisa

É comum usar os termos como sinônimos, mas eles não significam o mesmo. A analgesia tem como principal objetivo aliviar a dor, mantendo a mulher consciente, participativa e, na maioria dos casos, com mobilidade preservada.

Já a anestesia promove um bloqueio mais completo das sensações e costuma ser utilizada em procedimentos cirúrgicos.

Na analgesia de parto, técnicas como a peridural e a combinada raqui-peridural usam baixas doses de anestésicos.

Assim, a dor diminui, mas algumas sensações permanecem. Em muitos casos, a mulher consegue se movimentar, como acontece na chamada "walking epidural".

Analgesia não transforma o parto em cesárea

Um dos maiores mitos é a ideia de que a analgesia sempre leva à cesárea. Estudos científicos e revisões internacionais mostram que isso não é verdade. Quando bem indicada, a analgesia não aumenta as taxas de cesariana.

Ao reduzir dor e estresse, a analgesia pode até favorecer a evolução do trabalho de parto. O relaxamento ajuda na progressão das contrações e melhora a experiência materna.

Existe hora certa para pedir analgesia?

Não existe um momento único considerado "cedo" ou "tarde demais". O desejo da gestante é um critério importante para indicação da analgesia.

A decisão leva em conta a fase do trabalho de parto, a dilatação, as condições da mãe e do bebê e a avaliação médica.

Em muitos casos, mesmo em fases avançadas, é possível realizar analgesia com segurança. O mais importante é diálogo e decisão compartilhada com a equipe assistencial.

A anestesia prejudica o bebê?

Esse também é um mito. As técnicas modernas de analgesia e anestesia obstétrica utilizam medicamentos seguros.

A quantidade que atravessa a placenta é mínima e não há evidências de prejuízo ao bebê.

Estudos mostram que não há diferença significativa nos índices de Apgar entre recém-nascidos de mães que receberam ou não analgesia de parto.

A monitorização constante garante segurança materno-fetal.

Analgesia não deixa a mulher totalmente paralisada

O objetivo da analgesia atual não é eliminar todas as sensações. A ideia é controlar a dor para reduzir exaustão e sofrimento.

Com doses ajustadas, a mulher sente as contrações, mantém força muscular e participa ativamente do parto.

Técnicas modernas permitem equilíbrio entre conforto e percepção corporal. Isso contribui para uma vivência mais positiva do nascimento.

Raquianestesia e peridural têm funções diferentes

Raquianestesia e peridural são técnicas distintas. Na raquianestesia, o anestésico é aplicado diretamente no líquido que envolve a medula, gerando bloqueio rápido e intenso. Por isso, é mais usada em cesáreas.

Na peridural, um cateter permite administração contínua e ajustável. Essa flexibilidade é ideal para analgesia durante o trabalho de parto, acompanhando sua evolução.

Dor nas costas não é efeito permanente da anestesia

A dor lombar após o parto é comum, mas geralmente está ligada a alterações posturais, ganho de peso e esforço físico. Pode haver desconforto temporário no local da punção, semelhante a qualquer injeção.

Não há evidências de que a anestesia cause dor nas costas crônica. A maioria dos sintomas é passageira.

Queda de pressão é um risco controlado

A anestesia pode causar queda de pressão, mas esse efeito é conhecido e monitorado. A equipe acompanha sinais vitais continuamente e age de forma preventiva.

Quando necessário, líquidos e medicamentos são administrados rapidamente. Essas medidas garantem segurança tanto para a mãe quanto para o bebê.

Saúde em Dia
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