Mau hálito com cheiro de acetona: ela descobriu que estava a uma semana do coma
Mau hálito com cheiro de acetona parecia um problema comum, mas revelou um alerta de saúde que quase teve consequências graves.
Quando o namorado comentou que o hálito dela lembrava cheiro de removedor de esmalte, a primeira reação foi de vergonha.
A partir daquele dia, Alice Dogruyol passou a escovar os dentes várias vezes ao dia, beber água sem parar e andar com sprays para refrescar o hálito na bolsa. Nada funcionava.
O gosto estranho na boca continuava. E o cheiro também.
Na época, ela acreditava que fosse apenas um problema de higiene bucal. Mas aquele era, na verdade, um dos primeiros sinais de uma complicação grave da diabetes.
Meses depois, os médicos lhe deram uma notícia assustadora. Ela estava a apenas uma semana de entrar em coma.
Um sintoma que parecia não ter importância
Alice, de 49 anos, mora em Londres e trabalha como assessora de imprensa. Tudo começou de forma discreta.
O namorado percebeu que o hálito dela tinha um odor muito diferente do habitual.
Segundo ele, lembrava removedor de esmalte. Alice também sentia aquele gosto estranho na boca, mas imaginou que o problema estivesse relacionado aos dentes ou à higiene.
Durante quase um ano, tentou resolver a situação sozinha.
Enquanto isso, outros sintomas começaram a surgir. Ela perdeu peso rapidamente, passou a sofrer com infecções por fungos recorrentes e sentia que algo estava errado, embora nenhuma consulta conseguisse explicar o que estava acontecendo.
Como acontece com muitas pessoas, Alice não imaginava que todos aqueles sinais pudessem estar ligados à mesma doença.
O diagnóstico demorou e quase custou sua vida
A situação só mudou no fim de 2020.
Depois de várias consultas sem uma resposta definitiva, uma enfermeira sugeriu que Alice fosse investigada para diabetes tipo 1.
O exame confirmou a suspeita. Em janeiro de 2021, ela recebeu o diagnóstico correto e começou imediatamente o tratamento com insulina. Pouco tempo depois, o mau hálito desapareceu.
O problema é que, dois anos antes, os médicos haviam dito que Alice tinha diabetes tipo 2. O erro atrasou o tratamento adequado e permitiu que a doença evoluísse.
Casos como o dela chamam a atenção para uma dificuldade conhecida pelos especialistas. Em alguns adultos, a diabetes tipo 1 pode ser confundida inicialmente com a tipo 2, atrasando o tratamento correto e aumentando o risco de complicações graves, como a cetoacidose diabética.
Quando finalmente começou o tratamento com insulina, Alice descobriu o tamanho do risco que havia corrido.
"Eu me sentia como se estivesse morrendo", relembrou ela em entrevista ao Daily Mail.
Segundo os médicos que a acompanharam, ela estava a apenas uma semana de entrar em coma por causa da cetoacidose diabética.
Por que o hálito ficou com cheiro de acetona?
A cetoacidose diabética acontece quando o organismo não tem insulina suficiente para usar a glicose como fonte de energia.
Sem essa alternativa, o corpo passa a queimar gordura rapidamente. Nesse processo, produz substâncias chamadas cetonas.
Esses compostos têm um cheiro característico de acetona (semelhante ao de removedor de esmalte) e podem ser eliminados tanto pela respiração quanto pelo suor.
Além do odor diferente, essa complicação costuma provocar sede intensa, perda de peso, cansaço extremo, náuseas, vômitos, respiração acelerada e confusão mental.
Sem tratamento rápido, o quadro pode evoluir para perda de consciência, coma e até morte.
Mau hálito com cheiro de acetona / Montagem
SaúdeLab. Foto: Instagram: @alice_dogruyol
Nem todo mau hálito indica uma doença grave
Na maioria das vezes, o mau hálito está relacionado a situações muito mais comuns.
Má higiene bucal, problemas nos dentes, infecções na garganta e o consumo de alimentos com cheiro forte continuam sendo as causas mais frequentes.
O sinal merece mais atenção quando surge de forma inesperada e vem acompanhado de outros sintomas, como perda de peso, sede excessiva, cansaço intenso ou mal-estar persistente.
Nesses casos, o cheiro diferente pode ser apenas uma pista de que algo mais importante está acontecendo no organismo.
Outras doenças também podem alterar o cheiro do corpo
Algumas doenças modificam a produção de determinadas substâncias químicas no organismo. Essas alterações podem ser percebidas na respiração, no suor e, em alguns casos, até na urina.
Em pessoas com insuficiência hepática avançada, por exemplo, o hálito pode adquirir um cheiro adocicado ou semelhante ao de mofo.
Já a doença renal crônica pode provocar um odor parecido com amônia.
Isso não significa que qualquer mudança no cheiro do corpo indique uma doença grave. O diagnóstico depende da avaliação dos sintomas, do histórico do paciente, do exame clínico e, quando necessário, da realização de exames complementares.
Hoje, Alice diz que gostaria de ter interpretado aquele sinal de outra forma.
Em vez de tentar esconder o cheiro, ela acredita que deveria ter insistido para descobrir sua causa. Para ela, o mau hálito era um alerta de que seu organismo estava pedindo ajuda muito antes de o diagnóstico finalmente chegar.
O que é diabetes tipo 1?
A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o sistema imunológico destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, hormônio que permite a entrada da glicose nas células para ser usada como fonte de energia.
Sem insulina, a glicose se acumula no sangue e o organismo passa a utilizar gordura como combustível.
Esse processo pode levar à formação de cetonas e, em situações mais graves, provocar a cetoacidose diabética, uma emergência médica que exige atendimento imediato.
Embora seja mais frequentemente diagnosticada na infância ou na adolescência, a diabetes tipo 1 também pode surgir na vida adulta.
Os sintomas mais comuns incluem sede excessiva, aumento da vontade de urinar, perda de peso sem causa aparente, cansaço intenso e visão embaçada.
Diante desses sinais, é importante procurar avaliação médica para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado o quanto antes.
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