Infância parada, ossos frágeis: o risco silencioso do excesso de telas
Sedentarismo na primeira infância pode aumentar o risco de osteoporose e fraturas na vida adulta, alertam especialistas
O excesso de telas na primeira infância pode afetar diretamente a formação dos ossos.
Crianças menores de 5 anos que passam longos períodos diante de celulares, tablets ou computadores tendem a se movimentar menos. Essa redução de atividade física compromete uma fase crucial: a construção da massa óssea que sustentará o corpo ao longo da vida.
O impacto pode não aparecer imediatamente. Mas os efeitos podem surgir décadas depois.
Por que os ossos precisam de movimento nos primeiros anos de vida?
A primeira infância é o período mais importante para a formação dos ossos.
É nessa fase que o organismo constrói a base da massa óssea. Quanto melhor essa base, menor o risco de ossos frágeis na vida adulta e na velhice.
Segundo o ortopedista Fabiano Nunes, da BP (Beneficência Portuguesa de São Paulo), os ossos precisam de impacto e movimento para se desenvolverem fortes.
Isso se refere a atividades que geram estímulos mecânicos que aumentam a densidade óssea. Alguns exemplos são:
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Correr.
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Pular.
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Brincar ao ar livre.
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Subir escadas.
Quando a criança permanece sentada por longos períodos, esse estímulo diminui.
Além disso, o uso excessivo de telas pode favorecer a má postura, fraqueza muscular e dores articulares.
Esses fatores também interferem no desenvolvimento saudável dos ossos.
Sedentarismo infantil pode aumentar risco de osteoporose?
Sim. Problemas na formação da massa óssea na infância podem resultar, no futuro, em:
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Osteopenia.
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Osteoporose.
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Maior risco de fraturas mesmo após quedas leves.
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Dores crônicas.
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Alterações posturais.
A osteoporose é caracterizada pela fragilidade dos ossos. Ela aumenta significativamente a chance de fraturas em idosos.
Quedas, inclusive, estão entre as três principais causas de mortalidade após os 65 anos, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares e do câncer.
Isso significa que ossos bem formados na infância são um fator de proteção para o envelhecimento.
Excesso de telas reduz vitamina D e prejudica os ossos
Outro efeito indireto do uso excessivo de telas é a permanência prolongada em ambientes fechados.
Menos tempo ao ar livre significa menor exposição ao sol.
A luz solar estimula a produção de vitamina D, essencial para a absorção de cálcio e para o fortalecimento dos ossos.
Sem níveis adequados de vitamina D, a mineralização óssea pode ficar comprometida.
Quanto de atividade física é necessário para proteger os ossos?
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, crianças e adolescentes devem praticar, em média, pelo menos 60 minutos por dia de atividade física de intensidade moderada a vigorosa.
Para menores de 5 anos, as diretrizes reforçam a importância do movimento ao longo de todo o dia e a redução do comportamento sedentário.
A meta global da OMS é reduzir em 15% os níveis de inatividade física até 2030, tomando como base os dados de 2010.
Existe limite recomendado para telas na infância?
As orientações atuais indicam:
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Evitar telas para menores de 2 anos.
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Limitar o uso a partir dos 2 anos.
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Garantir supervisão de um adulto.
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Não substituir brincadeiras ativas por dispositivos eletrônicos.
É importante lembrar que o termo "telas" inclui televisão, tablets e smartphones.
No entanto, o celular tende a oferecer maior risco por ser portátil, individual e de fácil acesso em qualquer ambiente.
Como fortalecer os ossos desde cedo?
Algumas medidas ajudam a proteger os ossos das crianças:
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Incentivar brincadeiras ao ar livre.
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Estimular atividades físicas adequadas à idade.
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Reduzir o tempo de tela.
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Evitar dispositivos no quarto.
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Garantir exposição solar segura.
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Oferecer alimentação rica em cálcio.
A formação dos ossos começa nos primeiros anos de vida.
Quanto mais ativa for a infância, maior a chance de chegar à vida adulta com ossos fortes e menor risco de complicações no envelhecimento.