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Gordura no fígado: 10 coisas que você precisa saber sobre a doença

O consumo frequente de carboidratos refinados aumenta o risco de gordura no fígado, assim como o sedentarismo.

14 set 2026 - 18h13
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Resumo
A esteatose hepática, acúmulo intracelular de gordura no fígado, é uma disfunção metabólica silenciosa e a doença crônica hepática mais comum no mundo. Causada por má alimentação, sedentarismo e obesidade, ela atinge até pessoas de peso normal. Sem sintomas iniciais, pode evoluir para cirrose, câncer e complicações cardíacas graves. A reversão do quadro exige a perda de peso, dieta equilibrada e exercícios contínuos, com eventual apoio farmacológico para conter o avanço das lesões no órgão.

A esteatose hepática, ou gordura no fígado, pode ser eliminada com mudanças de hábito

Comer errado, não fazer exercícios físicos e conviver com a obesidade pode dar munição para uma inimiga silenciosa da sua saúde: a gordura no fígado - ou esteatose hepática. Ela é caracterizada pela presença de gordura nas células do fígado e reconhecida como a doença hepática crônica mais comum do mundo. No meio científico, é classificada como uma disfunção metabólica.

Uma dieta rica em alimentos ultraprocessados pode acelerar a esteotese hepática: evite!
Uma dieta rica em alimentos ultraprocessados pode acelerar a esteotese hepática: evite!
Foto: Magnific / Revista Malu

Livrar-se dessa doença, que não faz alarde quando se instala, uma vez que grande parte dos pacientes é assintomática, pede mudanças no estilo de vida. "Emagrecer é a intervenção mais poderosa: perdas em torno de 7% a 10% do peso corporal são capazes não só de eliminar a gordura no fígado, mas de reduzir a inflamação e até regredir parte da fibrose", diz a médica gastroenterologista Lourianne Cavalcante. Fibrose é o tecido cicatrizado do fígado por danos contínuos. Acompanhe 10 informações importantes, fornecidas pela especialista:

1 - Entenda como se forma

A esteatose hepática se desenvolve dentro do fígado. A gordura, na forma de triglicerídeos, acumula-se no interior das próprias células hepáticas, que são chamadas de hepatócitos. Não se trata, portanto, de uma camada de gordura ao redor do órgão, e sim de um depósito intracelular. Considera-se esteatose quando esse acúmulo atinge, pelo menos, 5% das células do fígado.

2 - Conheça as principais causas

Imagine um combo: dieta rica em açúcares, carboidratos refinados e alimentos ultraprocessados; sedentarismo; obesidade. A junção desses três fatores aumenta o risco de desenvolvimento de gordura no fígado. "A obesidade, sobretudo a gordura abdominal, e o sedentarismo estão diretamente ligados à resistência à insulina, que é o mecanismo central da doença metabólica do fígado", explica a médica.

3 - Não afeta só quem tem obesidade

Uma curiosidade da esteatose hepática é que essa doença não atinge apenas os pacientes com excesso de peso. "Existe a chamada doença do ´magro metabolicamente doente´, em que a pessoa tem peso normal na balança, mas acúmulo de gordura visceral e alterações metabólicas", ressalva Lourianne Cavalcante. Isso significa que o peso corporal isolado não descarta o problema.

4 - Prevalência aumenta com a idade

Em geral, a partir da meia-idade, ou seja, dos 40 aos 60 anos, cresce a propensão à gordura no fígado. No entanto, a doença também tem crescido de forma expressiva em crianças, adolescentes e adultos jovens, acompanhando o avanço da obesidade infantil.

5 - Doenças anteriores elevam o risco

Quem apresenta diabetes tipo 2, pré-diabetes, obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia (distúrbio metabólico em que ocorre alteração nos níveis de gordura no sangue) e síndrome metabólica (conjunto de fatores de risco que aumentam a chance de aparecimento de doenças cardiovasculares e diabetes) podem apresentar esteatose hepática. "Há ainda associação com a síndrome dos ovários policísticos, a apneia do sono e o hipotireoidismo", enumera a especialista.

6 - Confira os sintomas

Sintomas como icterícia, aumento de volume abdominal ou confusão mental só aparecem, em geral, em fases avançadas, quando a doença já evoluiu para cirrose, que é uma doença crônica do fígado. Mas por que isso acontece? Porque a grande maioria dos pacientes é assintomática. Assim, a gordura no fígado só costuma ser descoberta por acaso, seja num ultrassom de rotina ou num exame de sangue.

"Essa evolução silenciosa é exatamente o que torna a condição complexa, e reforça a importância de não ignorar exames alterados, mesmo quando a pessoa se sente bem", alerta Lourianne Cavalcante. Outra maneira de se prevenir é visitar o médico com regularidade para a realização de exames.

7 - Tratamento pede novo estilo de vida

Adotar hábitos saudáveis é o principal antídoto para a esteatose hepática. Assim, é preciso combinar perda de peso com reeducação alimentar (e vale o destaque para o padrão mediterrâneo; leia mais no final do texto!), além de redução de açúcares e itens ultraprocessados. Atividade física regular é imprescindível: os exercícios devem mixar treinos aeróbicos e de força. Também é fundamental tratar as doenças associadas como o diabetes, a hipertensão arterial e o colesterol elevado.

8 - Canetas emagrecedoras ajudam

Esses medicamentos têm mostrado eficácia contra a esteatose hepática. Já existe, inclusive, medicação aprovada especificamente para pacientes com doença gordurosa e presença de fibrose em graus moderados. Mesmo assim, não é suficiente confiar somente nas canetas, uma vez nenhum remédio substitui a mudança de hábitos.

9 - Mudança deve ser permanente

O tratamento contra gordura no fígado não tem começo, meio e fim. Ou seja, não basta melhorar a alimentação, perder peso e praticar exercícios físicos para recuperar o órgão e, depois de um tempo, abraçar a velha rotina.

Portanto, é preciso incorporar, e não apenas experimentar os novos hábitos. Isso porque, sem uma mudança permanente, a doença volta. "O acompanhamento periódico com especialista existe justamente para monitorar essa manutenção ao longo do tempo", frisa a médica.

10 - Consequências da doença não tratada

A presença de gordura no fígado pode se transformar em esteatohepatite, ou seja, gordura com inflamação. A etapa seguinte é a fibrose progressiva, isto é, a deterioração do tecido do órgão, e, em alguns casos, o câncer. "Sabemos que o câncer, neste contexto, pode surgir mesmo sem passar pela cirrose, o que é uma particularidade preocupante dessa doença", pontua a especialista.

Outro dado relevante: a esteatose hepática está associada a maior risco cardiovascular. Por isso, a principal causa de morte dos pacientes não é o fígado, e sim o coração. "É por isso que essa doença nunca deve ser encarada como algo restrito ao fígado, e sim como uma doença sistêmica", conclui a médica.

Principais escolhas da dieta mediterrânea:

  • frutas, legumes e verduras;
  • peixes e frutos do mar;
  • grãos integrais (arroz, pão e massas);
  • oleaginosas: castanhas, nozes, chia, linhaça, etc.;
  • queijo e iogurte naturais com moderação;
  • azeite de oliva como fonte de gordura.
Revista Malu Revista Malu
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