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EUA aprovam novo remédio para Parkinson com ação inovadora no cérebro

Tratamento amplia as opções para controlar sintomas motores, mas estudos ainda não comprovam superioridade sobre medicamentos já utilizados.

5 out 2026 - 17h47
(atualizado às 18h11)
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Resumo
Os EUA aprovaram o tavapadon (Juvmo), da AbbVie, novo remédio diário para sintomas motores do Parkinson em adultos. Com ação inovadora nos receptores D1 e D5 de dopamina, ele pode ser usado sozinho ou com levodopa, proporcionando mais tempo diário de mobilidade nos testes clínicos. A droga não cura nem freia a progressão da doença, causa efeitos como náuseas e discinesia, e deve estrear no mercado americano em outubro de 2026. Ainda não há previsão de registro ou venda da substância no Brasil.

Um novo medicamento para controlar os sintomas motores do Parkinson recebeu aprovação nos Estados Unidos. Chamado tavapadon, com nome comercial Juvmo, o tratamento da farmacêutica AbbVie atua em receptores cerebrais diferentes dos principais alvos de outros remédios da mesma classe. A autorização é destinada a adultos com a doença.

Chamado tavapadon, tratamento tem nome comercial Juvmo.
Chamado tavapadon, tratamento tem nome comercial Juvmo.
Foto: Reprodução/AbbVie / Portal de Prefeitura

O comprimido é tomado uma vez ao dia e pode ser utilizado sozinho ou associado à levodopa, um dos medicamentos mais empregados no tratamento do Parkinson. A aprovação amplia as alternativas para o controle dos sintomas, mas não representa uma cura nem demonstra que a substância interrompa a progressão da doença.

Como funciona

O Parkinson provoca a perda progressiva de neurônios produtores de dopamina, substância envolvida no controle dos movimentos. A redução desse neurotransmissor contribui para manifestações como lentidão, rigidez e tremores.

O tavapadon pertence ao grupo dos agonistas dopaminérgicos: medicamentos que estimulam receptores de dopamina, imitando parte de sua ação. A diferença está na ativação seletiva dos receptores D1 e D5.

Outros tratamentos dessa classe, como pramipexol, ropinirol e rotigotina, atuam principalmente nos receptores D2 e D3. A hipótese é que a nova abordagem ofereça um perfil diferente de efeitos adversos, mas essa vantagem ainda precisa ser esclarecida em comparação com as alternativas existentes.

O que mostraram os estudos

A aprovação foi sustentada pelo programa de estudos clínicos de fase 3 TEMPO. Os ensaios avaliaram tanto pessoas em estágio inicial da doença quanto pacientes que já utilizavam levodopa e apresentavam oscilações no controle dos sintomas.

No TEMPO-3, após 26 semanas, o grupo que recebeu tavapadon associado à levodopa ganhou, em média, 1,7 hora diária de boa mobilidade sem movimentos involuntários incômodos. No grupo que recebeu placebo com levodopa, o ganho foi de 0,6 hora — uma diferença de 1,1 hora por dia.

Os resultados, porém, não comprovam que o medicamento seja melhor que os tratamentos disponíveis. Os principais estudos compararam a substância com placebo, e não diretamente com outros remédios.

Quais os efeitos adversos?

Náusea, tontura e discinesia, nome dado a movimentos involuntários, estiveram entre os eventos relatados nos estudos. Em um dos ensaios com pacientes em estágio inicial, os efeitos adversos foram mais frequentes entre os participantes que receberam tavapadon.

Por isso, a atuação seletiva no cérebro não significa ausência de riscos. A escolha do tratamento e de suas associações depende da avaliação médica de cada paciente.

O remédio chegará ao Brasil?

A AbbVie anunciou a expectativa de disponibilizar o Juvmo nos Estados Unidos em outubro de 2026. No Brasil, ainda não há previsão anunciada de comercialização. O Conselho Federal de Farmácia informou, em 1º de outubro, que o produto não constava entre os novos medicamentos registrados pela Anvisa.

Portal de Prefeitura
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