Esquistossomose ou meningite? O que o caramujo do quintal tem a ver com isso
Doença do caramujo pode significar mais de uma coisa. Entenda os riscos, veja como eliminar o caramujo africano e quando procurar ajuda.
O caramujo africano de quintal não transmite esquistossomose, infecção restrita a moluscos de água doce, mas pode veicular parasitas causadores de meningite eosinofílica e angiostrongilíase abdominal pela ingestão acidental do animal ou de alimentos contaminados. O controle exige o recolhimento com luvas de moluscos e ovos, imersão em água sanitária por 24 horas, quebra das conchas para evitar focos de dengue e limpeza de entulhos no quintal, além da higienização rigorosa de verduras e frutas.
Encontrou alguns caramujos no quintal e ficou preocupado com a chamada doença do caramujo? Antes de pensar no pior, é importante saber que essa expressão popular pode se referir a doenças diferentes e que nem todo molusco oferece o mesmo risco.
A mais conhecida no Brasil é a esquistossomose, uma infecção relacionada a caramujos de água doce. Mas existe uma confusão comum. O molusco envolvido nessa doença não é aquele caramujo terrestre que costuma aparecer em quintais, jardins e terrenos.
Então, qual é o risco de encontrar esses animais em casa? E por que o chamado caramujo africano merece atenção?
Esquistossomose: a doença dos caramujos de água doce
Causada pelo parasita Schistosoma mansoni, a esquistossomose é adquirida quando a pessoa entra em contato com água doce contaminada. As formas infectantes do parasita conseguem atravessar a pele.
Para completar seu ciclo, o verme precisa de caramujos do gênero Biomphalaria. Por isso, o caramujo africano encontrado no jardim não transmite esquistossomose.
Mas isso não significa que os moluscos terrestres sejam inofensivos. Alguns podem participar do ciclo de outros parasitos capazes de infectar seres humanos.
Qual doença o caramujo africano pode transmitir?
Uma das preocupações é a meningite eosinofílica, causada pelo Angiostrongylus cantonensis. O caramujo africano (Achatina fulica) pode abrigar as larvas desse parasita, que chegam ao organismo humano quando são ingeridas.
A infecção pode ocorrer pela ingestão acidental de um molusco contaminado ou de alimentos crus que tiveram contato com esses animais.
Existe também a angiostrongilíase abdominal, causada pelo Angiostrongylus costaricensis. Nesse caso, o parasita se aloja no intestino e pode provocar uma inflamação conhecida como enterite eosinofílica.
No Brasil, o A. cantonensis já foi encontrado em moluscos terrestres. Um estudo da Fiocruz publicado em 2025 identificou o parasita em 26 dos 46 municípios pesquisados no Rio de Janeiro, inclusive em caramujos africanos.
Isso não significa que todo exemplar esteja contaminado. Encontrar um caramujo africano no quintal não quer dizer que alguém esteja doente ou vá necessariamente se infectar.
Como eliminar caramujo africano do quintal?
Segundo orientações do Ministério da Saúde e da Fiocruz, se eles começaram a aparecer com frequência, o primeiro passo é evitar pegá-los com as mãos. Use luvas ou sacos plásticos para proteger as mãos durante a coleta.
Aproveite a limpeza para procurar também pelos ovos, que podem ficar parcialmente enterrados e escondidos em locais protegidos.
Depois de recolher os animais, esmague os caramujos e prepare a mistura usando 1 medida de água sanitária para 3 medidas de água. Por exemplo: coloque 1 copo de água sanitária e, depois, acrescente 3 copos de água.
Os animais e ovos devem ficar totalmente submersos por 24 horas antes do descarte.
O material pode ser ensacado e descartado no lixo comum, seguindo as orientações do serviço de limpeza urbana do município.
As conchas devem ser quebradas para evitar que acumulem água e se transformem em criadouros de mosquitos.
O uso de sal não é recomendado, pois pode prejudicar o solo e a vegetação.
Doença do caramujo / Canva
O que fazer para eles não voltarem?
Matar os animais que aparecem é apenas parte do controle. Se o quintal continuar oferecendo um lugar úmido e protegido, outros podem surgir.
Retire folhas acumuladas, entulho, pedaços de madeira e objetos deixados no chão. Mantenha a vegetação controlada e aproveite a limpeza para procurar novos ovos.
O cuidado merece atenção especial em períodos quentes e chuvosos, quando as condições ambientais favorecem a presença desses moluscos.
E se houver caramujo na horta?
Aqui o cuidado precisa ser redobrado.
Frutas, verduras e outros alimentos que serão consumidos crus devem ser bem higienizados, principalmente quando cultivados em áreas onde há caramujos ou lesmas.
A preocupação está na possibilidade de ingestão acidental de larvas presentes em moluscos infectados ou na contaminação dos alimentos durante o contato com esses animais.
E vale reforçar, tocar no caramujo não é a forma habitual de transmissão da meningite eosinofílica. Mesmo assim, o manejo deve ser feito com proteção nas mãos e seguido de higiene adequada.
Quando é preciso procurar um médico?
Ter caramujo africano no quintal, por si só, não é motivo para procurar atendimento.
A preocupação aumenta se houver suspeita de ingestão de um molusco ou de alimento contaminado e surgirem dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas, vômitos, alterações de sensibilidade ou outros sinais neurológicos.
Esses sintomas podem ter várias causas. Se houver possibilidade de exposição, porém, informe o médico sobre o contato com os moluscos ou sobre o consumo do alimento suspeito.
Para quem encontrou esses animais em casa, o mais importante é não manipulá-los diretamente, recolher também os ovos e fazer o descarte correto. Manter o quintal limpo e retirar possíveis abrigos ajuda a reduzir novas infestações.
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