Escorpiões em Pernambuco: mais de 9 mil pessoas foram picadas em seis meses; veja como se proteger
Período de maior reprodução dos animais exige atenção redobrada dentro das residências; crianças e idosos apresentam maior risco de desenvolver quadros graves.
Pernambuco registrou mais de 9,1 mil picadas de escorpião no primeiro semestre de 2026, mantendo a média diária em quase 51 casos e o alerta das autoridades para o período reprodutivo dos animais, entre julho e setembro. Para prevenir infestações, a recomendação é eliminar entulhos, vedar frestas e combater baratas, evitando inseticidas. Em caso de picada, deve-se lavar a área com água e sabão e buscar socorro médico imediato, sem recorrer a substâncias caseiras ou torniquetes.
Pernambuco registrou 9.125 acidentes envolvendo escorpiões entre janeiro e junho de 2026, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). O número representa uma média de quase 51 pessoas picadas por dia no estado.
Apesar de o total ser ligeiramente menor que o contabilizado no mesmo período de 2025, quando foram registradas 9.219 ocorrências, a quantidade de acidentes mantém as autoridades em alerta.
Nos 12 meses de 2025, Pernambuco somou 19.608 casos. O resultado superou os 15.844 acidentes registrados em 2024 e reforça a necessidade de cuidados preventivos, principalmente dentro das residências.
O período entre julho e setembro costuma apresentar maior incidência de picadas, devido ao aumento da atividade reprodutiva dos escorpiões. Esses animais se adaptam facilmente aos ambientes urbanos e encontram abrigo e alimento em áreas com lixo, entulho, umidade, frestas e presença de baratas.
Como evitar escorpiões dentro de casa
A principal forma de prevenção é impedir que os animais encontrem esconderijos e fontes de alimento. Casas com rachaduras, ralos sem proteção e materiais acumulados oferecem condições favoráveis à permanência dos escorpiões.
Entre os cuidados recomendados estão:
- manter quintais, jardins e áreas externas limpos;
- evitar o acúmulo de lixo, telhas, tijolos, madeiras e entulho;
- instalar telas ou tampas em ralos de banheiros, cozinhas e áreas de serviço;
- vedar frestas em paredes, pisos, portas, janelas e rodapés;
- manter camas e berços afastados das paredes;
- evitar que lençóis, colchas e mosquiteiros encostem no chão;
- examinar roupas, toalhas, calçados e objetos guardados antes de usá-los;
- acondicionar corretamente o lixo doméstico;
- combater a presença de baratas, que servem de alimento para os escorpiões.
Também é necessário ter cuidado ao movimentar materiais armazenados. A orientação é usar luvas resistentes e calçados fechados durante a limpeza de quintais, depósitos, terrenos e locais com entulho.
Uso de inseticida não é recomendado
A aplicação indiscriminada de inseticidas domésticos não é considerada uma estratégia segura para controlar escorpiões. Os produtos podem não atingir os animais escondidos e ainda provocar o deslocamento deles para outros pontos da residência, aumentando o risco de contato com os moradores.
O controle deve priorizar a limpeza, a eliminação de esconderijos, a vedação das entradas e a redução da oferta de alimento. Ao encontrar um escorpião, o morador deve evitar tocá-lo diretamente e procurar o serviço municipal responsável pela vigilância ambiental ou pelo controle de zoonoses.
Se for possível registrar uma fotografia sem se aproximar ou correr riscos, a imagem poderá ajudar na identificação do animal.
O que fazer após uma picada de escorpião
A dor intensa no local é o sintoma mais comum. A vítima também pode apresentar vermelhidão, formigamento, suor, náuseas e vômitos. Nos casos mais graves, podem ocorrer salivação excessiva, agitação, alterações nos batimentos cardíacos e dificuldade para respirar.
Após a picada, a recomendação é lavar o local com água e sabão e procurar imediatamente uma unidade de saúde. Crianças, idosos e pessoas que apresentarem sintomas além da dor local precisam de avaliação urgente.
Não se deve cortar, furar, espremer ou tentar sugar o local da picada. Também não é recomendado fazer torniquete nem aplicar álcool, querosene, folhas, pó de café ou outras substâncias caseiras sobre o ferimento.
Em Pernambuco, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) oferece orientação gratuita durante 24 horas pelo telefone 0800 722 6001. O contato não substitui o atendimento médico presencial, principalmente quando a vítima apresenta sinais de agravamento.
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