Entenda por que tantas mulheres deixam de atualizar vacinas importantes
O cuidado com a família muitas vezes faz com que elas deixem a própria imunização para depois
Enquanto acompanham cada detalhe da saúde dos filhos, muitas mulheres acabam deixando a própria prevenção em segundo plano. A vacinação infantil costuma fazer parte da rotina da família, mas o mesmo cuidado nem sempre acontece quando o assunto é a carteira vacinal das mães.
A cena é mais comum do que parece e reflete uma realidade apontada por estudos sobre a chamada "carga mental do cuidado". Mulheres seguem sendo as principais responsáveis pela gestão da saúde e do bem-estar da família, mas frequentemente deixam a própria saúde em segundo plano.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres brasileiras dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos cuidados de pessoas e afazeres domésticos, enquanto os homens dedicam 11,7 horas. Além disso, a pesquisa mostra que 91% das mulheres realizam atividades de cuidado e afazeres domésticos, contra 79,2% dos homens.
"Historicamente, as mulheres assumem o papel de gestoras da saúde da família. Elas acompanham consultas, exames, vacinas e tratamentos dos filhos, parceiros e familiares. O problema é que, muitas vezes, a própria saúde acaba ficando para depois", afirma a Dra. Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectologista do Delboni e Lavoisier e coordenadora em vacinas na Dasa.
A saúde da família também inclui a mãe
O segundo semestre costuma trazer uma combinação conhecida por muitas famílias: férias escolares, reorganização da rotina, retomada das atividades e planejamento do restante do ano. Esse período pode representar uma oportunidade para rever o próprio calendário vacinal e incluir a saúde da mãe no mesmo planejamento que já existe para os filhos.
"O autocuidado não deve ser entendido como um ato individual de vaidade ou luxo. Ele faz parte da prevenção em saúde. Quando a mãe se protege, ela também ajuda a proteger a família. Hoje, recursos como o atendimento domiciliar contribuem para tornar esse cuidado mais acessível e conveniente", afirma a Dra. Maria Isabel de Moraes-Pinto.
Vacinas que costumam ficar fora do calendário das mulheres
Enquanto a vacinação infantil é acompanhada por pediatras, escolas, campanhas públicas e pela própria caderneta de vacinação, a imunização dos adultos depende, quase sempre, da iniciativa individual. Esse cenário contribui para que muitas mulheres deixem de atualizar vacinas importantes ao longo da vida. Entre as imunizações mais negligenciadas, estão:
1. HPV
Embora muitas pessoas associem a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) apenas à adolescência, as recomendações atuais contemplam também adultos. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a vacinação para homens e mulheres até os 45 anos, conforme avaliação médica. O HPV está associado a diversos tipos de câncer, incluindo o de colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe.
2. Tétano e difteria
Outra vacina frequentemente esquecida é a dupla adulto (dT), que protege contra tétano e difteria. Muitos desconhecem que o reforço deve ser realizado a cada dez anos durante toda a vida adulta.
3. Herpes-zóster
Recomendada para pessoas a partir dos 50 anos, a vacina contra o herpes-zóster também costuma ficar fora do radar das mulheres. A doença é causada pela reativação do vírus da catapora e pode provocar dores intensas e persistentes, que, em alguns casos, permanecem por meses após o desaparecimento das lesões.
"A vacinação preventiva é diferente do cuidado reativo. Como não existem sintomas ou sensação imediata de urgência, muitas pessoas acabam adiando a atualização da carteira vacinal por anos. Quando a mulher cuida da própria saúde, ela também fortalece a proteção de toda a família", finaliza a Dra. Maria Isabel de Moraes-Pinto.
Por Mariana Durante
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