Entenda o que é meningite meningocócica bacteriana; Inglaterra registra surto da doença
A doença se espalha por gotículas respiratórias; vacinação e cuidados com a higiene são fundamentais para prevenção
Pelo menos 20 casos de meningite meningocócica bacteriana foram registrados no sudoeste da Inglaterra até esta quarta-feira, 18, de acordo com informações da Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA), que define a situação como um surto "sem precedentes".
O condado de Kent registrou a morte de dois jovens: um estudante universitário de 21 anos e uma aluna do Ensino Médio de 18. Ambos os casos aconteceram dentro do campus de uma universidade.
De acordo com Klinger Soares Faíco Filho, médico infectologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a meningite é uma inflamação que atinge as meninges, que são membranas que servem como proteção para todo o nosso sistema nervoso.
Ela pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas, sendo as duas primeiras situações as mais comuns no Brasil. "No caso do surto (na Inglaterra), é uma meningite meningocócica causada pela bactéria Neisseria meningitidis", detalha.
O médico explica que, embora a meningite possa ser causada por diferentes agentes, os sintomas são semelhantes em todos os casos. A forma bacteriana, porém, tende a ser mais grave.
Meningite no Brasil
Segundo o Ministério da Saúde (MS), no Brasil, o quadro é considerado uma doença endêmica, com casos ao longo de todo o ano. As meningites bacterianas ocorrem com maior frequência no outono e inverno. Já as virais são mais comuns na primavera e no verão.
Em 2025, o Estado de São Paulo contabilizou 3.333 casos de meningite entre janeiro e outubro, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP). Desses, 407 pacientes morreram, incluindo crianças.
Sintomas e tratamento
Os sintomas clássicos são febre e dor de cabeça, sendo que este último é considerado crucial, já que ocorre com muita intensidade devido à associação direta com o sistema nervoso. Ou seja, é uma dor de cabeça diferente daquela percebida em caso de viroses, por exemplo.
O paciente também pode apresentar vômitos, prostração (fraqueza extrema) e, em situações mais graves, chegar a ter convulsões.
O tratamento deve ser realizado obrigatoriamente em ambiente hospitalar e consiste no uso de antibióticos, aplicados via intravenosa.
Como é a transmissão da meningite
De acordo com o infectologista, ela ocorre por via respiratória. "Acontece quando a pessoa tosse, fala ou beija, por exemplo", explica.
A transmissão, no entanto, é diferente da do coronavírus, que também se dá por via respiratória. Enquanto o vírus da covid-19 se espalha por aerossóis (partículas minúsculas que flutuam no ambiente), a meningite é transmitida por gotículas, que são partículas maiores.
Devido ao peso dessas partículas maiores, elas não flutuam e possuem um alcance limitado de até 1 metro de distância, o que torna a transmissão um pouco mais difícil em relação a de doenças de transmissão por aerossol. Mesmo assim, demanda atenção.
De acordo com Faíco Filho, a principal forma de prevenção contra a meningite é a vacinação. Existem diferentes tipos de imunizantes, já que não há um agente específico capaz de provocar a doença. No Sistema Único de Saúde (SUS), as seguintes vacinas estão disponíveis:
- BCG: protege contra formas graves da tuberculose, mas também meningite;
- Pneumocócica: protege contra bactérias responsáveis por doenças pneumocócicas invasivas, como pneumonia e meningite, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm);
- Penta: protege contra meningite por Hib (bactéria Haemophilus influenzaetipo b);
- Meningocócica C: protege contra o meningococo sorogrupo C;
- Meningocócica ACWY: protege contra o meningococo dos sorogrupos A, C, W e Y.
A vacina contra o sorogrupo B (responsável pelo surto no Reino Unido) está disponível no Brasil apenas na rede privada. O infectologista recomenda o uso para quem vai viajar para o Reino Unido. A recomendação é que a aplicação ocorra de três a quatro semanas antes da viagem.