El Niño: Ministério da Saúde prepara ações contra seca e calor no Nordeste
Fenômeno está em nível forte e pode chegar a muito forte; plano prevê reforço da estrutura do SUS, novas bases de atendimento e medidas para reduzir impactos sobre populações vulneráveis.
O Ministério da Saúde lançou um plano para mitigar os impactos do forte El Niño no Nordeste, previsto até março de 2027. A estratégia prepara o SUS para enfrentar calor extremo e seca severa, prevenindo surtos de doenças e desidratação. As ações incluem a ampliação da Força Nacional do SUS, monitoramento climático e o uso de 968 UBS resilientes do Novo PAC, equipadas com geradores e cisternas, além do reforço de ambulâncias do SAMU e fornecimento de água para comunidades vulneráveis e indígenas.
O Ministério da Saúde apresentou, nesta quarta-feira, 16 de setembro, um conjunto de ações para enfrentar os impactos do El Niño no Nordeste. O fenômeno está atualmente em intensidade forte e tem possibilidade de chegar ao nível muito forte, com efeitos previstos até março de 2027.
O plano federal foi apresentado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao lado de técnicos da pasta e representantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A estratégia tem como foco a preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para os efeitos da estiagem severa e das altas temperaturas, especialmente entre as populações consideradas mais vulneráveis.
Segundo o Ministério da Saúde, o cenário climático pode ampliar riscos relacionados à saúde pública na região. Entre os problemas previstos estão a piora da qualidade do ar, insegurança alimentar, desidratação, surtos de diarreia, complicações cardiorrespiratórias e aumento das condições favoráveis à proliferação do mosquito transmissor da dengue.
Estrutura preparada para o Nordeste
Entre as medidas anunciadas está a utilização de 968 Unidades Básicas de Saúde (UBS) resilientes entregues ou em construção na região por meio do Novo PAC. As unidades contam com recursos para manter o funcionamento durante situações adversas, como energia solar, geradores e reservatórios de água com capacidade para garantir o abastecimento por até 72 horas.
A estrutura também inclui 1,7 mil ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), 18,7 mil cisternas e 77 soluções de água potável destinadas a áreas indígenas.
Outra frente de atuação será a expansão da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS). Atualmente, a força conta com uma base em Salvador, na Bahia. O governo federal prevê ainda novas unidades em Recife, em Pernambuco, e Fortaleza, no Ceará, para ampliar a capacidade de resposta a situações de emergência no Nordeste.
Monitoramento do clima
O Ministério da Saúde também utiliza os Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), que funcionam em Salvador e Fortaleza. Os centros acompanham as condições climáticas e os possíveis efeitos sobre a saúde da população.
A estrutura permite antecipar o envio de insumos médicos, apoiar a criação de zonas de resfriamento nas UBS e capacitar equipes locais para lidar com os impactos relacionados ao calor e à estiagem.
A preparação faz parte de uma estratégia nacional do SUS para responder aos possíveis efeitos do El Niño. Em agosto, o Ministério da Saúde já havia apresentado aos secretários estaduais um plano específico para o período de 2026 e 2027. A estratégia prevê articulação entre União, estados e municípios e protocolos adaptados às características de cada região.
Plano prevê expansão em todo o país
Além das medidas específicas para o Nordeste, o governo federal informou que a estrutura nacional de resposta a emergências será ampliada. O planejamento prevê nove bases regionais da FN-SUS, com capacidade de mobilização para situações emergenciais.
Em 2026, a força mobilizou 139 profissionais em 11 missões realizadas no país, com aproximadamente 4,9 mil atendimentos.
A expansão da infraestrutura do SUS também prevê mais de 2,2 mil UBS resilientes, 4,4 mil ambulâncias e 20,8 mil cisternas em todo o território nacional, por meio de ações do Novo PAC Saúde e do Programa de Reconstrução.
Para o Nordeste, a preocupação central está relacionada à combinação entre estiagem prolongada e temperaturas elevadas. O Ministério da Saúde afirma que o planejamento antecipado busca reduzir os efeitos desses eventos sobre a população e manter a capacidade de atendimento dos serviços de saúde durante o período de maior risco.
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