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Dormir pouco atrapalha a perda de peso? Especialistas explicam o impacto do sono no emagrecimento

Por que o descanso é tão importante quanto a dieta para emagrecer

25 ago 2026 - 13h50
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Resumo
O sono é essencial para o emagrecimento, pois regula hormônios metabólicos, o apetite e a disposição física. A privação do descanso prejudica o rendimento nos treinos, a recuperação muscular e o gasto calórico, criando um ciclo que dificulta a perda de peso. Especialistas alertam que dietas, exercícios e remédios não funcionam isoladamente: a reorganização metabólica por meio de um sono adequado é indispensável para sustentar mudanças no estilo de vida e garantir resultados a longo prazo.

Especialistas explicam como dormir mal pode afetar a disposição, o treino, o apetite e dificultar o processo de emagrecimento

Quando o assunto é emagrecimento, alimentação e exercício físico costumam ser os primeiros pontos lembrados. Mas existe um terceiro fator que também merece atenção: o sono.

Foto de Slaapwijsheid.nl na Unsplash
Foto de Slaapwijsheid.nl na Unsplash
Foto: Revista Malu

Dormir bem não é apenas uma questão de acordar descansado no dia seguinte. O descanso está relacionado à recuperação do organismo, à disposição para treinar, à regulação do apetite e a diversos processos metabólicos.

Por isso, o sono vem ganhando espaço nas estratégias de tratamento da obesidade e de mudança de hábitos. Na prática, não adianta cuidar apenas da alimentação e aumentar os treinos se o organismo não consegue se recuperar adequadamente.

Cansaço pode atrapalhar o treino

A baixa disposição para praticar atividade física é uma queixa frequente entre pessoas com obesidade, segundo a médica Camila Teixeira, especialista em gastroplastia endoscópica e nutrologia.

"Um dos desafios mais frequentes no acompanhamento de pacientes com obesidade é a baixa disposição para atividade física", ressalta.

De acordo com a especialista, alguns pacientes chegam ao consultório relatando cansaço intenso, dificuldade para começar a se exercitar e sensação constante de exaustão. Nesse cenário, o problema nem sempre está relacionado simplesmente à falta de disciplina.

"Embora esse quadro possa ser interpretado de forma simplista como falta de disciplina, a avaliação clínica aponta outra direção. Em grande parte dos casos, trata-se do acúmulo de anos de privação de sono associada a desequilíbrios hormonais progressivos. O paciente não está apenas cansado. Ele está fisiologicamente desregulado", explica Camila.

Dormir mais pode fazer parte do tratamento

Em determinados casos, a estratégia de tratamento pode incluir uma mudança mais intensa na rotina de sono. Segundo Camila, alguns pacientes podem precisar aumentar o tempo de descanso durante uma fase inicial do acompanhamento, de acordo com a avaliação individual.

"O objetivo não é apenas aumentar o descanso, mas permitir uma reorganização metabólica e hormonal do organismo, com impacto direto sobre energia, humor, apetite e composição corporal", afirma.

A médica chama esse processo de "restituição do sono", em referência à recuperação de funções que podem ter sido prejudicadas após períodos prolongados de sono insuficiente ou fragmentado.

Vale lembrar, porém, que a necessidade de sono varia de pessoa para pessoa. A quantidade ideal deve ser definida considerando idade, rotina, qualidade do descanso e eventuais problemas relacionados ao sono.

O que os hormônios têm a ver com isso?

A relação entre sono e peso é complexa e envolve diferentes mecanismos do organismo. Entre eles estão hormônios e substâncias relacionados ao ciclo sono-vigília, ao estresse, ao metabolismo e à reprodução.

O cortisol, por exemplo, está ligado à resposta do organismo ao estresse. Quando há alterações persistentes nesse sistema, podem surgir efeitos sobre energia, fome e composição corporal. Hormônios sexuais e tireoidianos também participam da regulação do metabolismo e da manutenção da energia.

Segundo Camila, o problema pode se transformar em um ciclo difícil de interromper:

"Na prática clínica, a falta de sono adequado frequentemente se reflete em um ciclo difícil de romper: o paciente sente cansaço, reduz a atividade física e perde massa muscular, o que diminui ainda mais o gasto energético e dificulta o emagrecimento", alerta.

Sono ruim também atrapalha o treino

Não é apenas a balança que pode sentir os efeitos de noites maldormidas. A qualidade do sono também influencia a disposição para praticar exercícios e a recuperação após o treino.

Para a professora de Educação Física Andreia Pimentel, sono e atividade física estão diretamente relacionados.

"Quando o sono está comprometido, o impacto aparece não apenas na disposição, mas também na qualidade do treino e na capacidade de recuperação do organismo. A pessoa pode até começar a se exercitar, mas, se não descansa adequadamente, tende a ter mais dificuldade para manter uma rotina consistente, preservar a massa muscular e seguir uma rotina saudável", explica.

Isso ajuda a entender por que o treino não deve ser analisado de forma isolada quando o objetivo é emagrecer.

"Não adianta olhar apenas para o treino quando falamos em emagrecimento. O exercício é um estímulo importante, mas é durante o descanso que o organismo se recupera e se prepara para responder melhor aos próximos treinos", afirma Pimentel.

Para ela, a consistência é uma das principais peças dessa equação. Se o indivíduo está constantemente cansado, fica mais difícil manter uma rotina de exercícios ao longo das semanas.

E os suplementos?

Em alguns casos, estratégias como suplementação de magnésio ou melatonina podem ser consideradas. No entanto, elas não devem ser utilizadas de forma automática por quem deseja emagrecer.

A indicação depende da avaliação individual e pode ser considerada principalmente diante de queixas relacionadas ao sono, como dificuldade para dormir, sono fragmentado ou alterações no ritmo de sono e vigília.

Por isso, antes de recorrer a suplementos, é importante investigar o que está prejudicando o descanso. Hábitos inadequados, estresse e possíveis distúrbios do sono podem exigir abordagens diferentes.

Remédio para emagrecer resolve sozinho?

O avanço dos medicamentos para o tratamento da obesidade trouxe novas possibilidades para quem precisa perder peso. Mas isso não significa que eles substituam os demais pilares de um estilo de vida saudável.

A obesidade é uma condição multifatorial, que envolve aspectos metabólicos, comportamentais e ambientais. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado e pode envolver alimentação, atividade física, sono, acompanhamento médico e, quando indicado, medicamentos.

Na prática, o objetivo não deve ser apenas diminuir o número na balança, mas criar condições para manter os resultados ao longo do tempo.

O descanso também faz parte do processo

Emagrecer de forma saudável exige mais do que cortar calorias ou aumentar o volume de exercícios. O corpo precisa de energia para treinar, nutrientes para se recuperar e descanso suficiente para sustentar uma rotina ativa.

Por isso, cuidar do sono pode ser um passo importante para quem está tentando mudar os hábitos e controlar o peso.

"Recuperar o descanso adequado pode ser o primeiro passo para reorganizar o metabolismo, melhorar a disposição e permitir que o paciente consiga sustentar mudanças consistentes de estilo de vida", conclui Camila Teixeira.

Revista Malu Revista Malu
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