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Dilma assina contrato para desenvolver vacina contra dengue

22 fev 2016
17h09
atualizado às 18h08
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A presidenta da República Dilma Rousseff assinou hoje (22) um contrato entre o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan para o desenvolvimento de uma vacina contra a dengue. A cerimônia de assinatura ocorreu nesta tarde, no Centro de Convenções Rebouças, na zona oeste da capital paulista.

Foto: Eduardo Saraiva/A2IMG

De acordo com o Ministério da Saúde, o contrato com o Instituto Butantan, vinculado ao governo de São Paulo, prevê investimentos iniciais de R$ 100 milhões para o desenvolvimento do estudo nos próximos dois anos. Mas os investimentos, segundo o órgão, devem somar até R$ 300 milhões, com recursos previstos também do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (R$ 100 milhões), por meio de um contrato da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com mais R$ 100 milhões.

Segundo a presidenta, o desenvolvimento da vacina também demonstra a capacidade de inovação do Brasil. “A vacina também afirma o papel do país como tendo um laboratório capaz de produzir uma vacina que hoje, sem sombra de dúvida, seria usada por parte importante da humanidade”, disse Dilma durante seu discurso.

Dilma assistiu a aplicação da vacina em três voluntários no hospital. “Não doeu nada. Foi só soprar que passou a dor”, brincou a presidenta com um dos voluntários. “Com isso se inaugura no Brasil um momento muito especial porque estamos diante de um desafio”, acrescentou a petista, que participou do evento ao lado do governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o prefeito de São Paulo Fernando Haddad;

Alckmin também destacou a importância da pesquisa brasileira sobre uma doença de alcance mundial. “Estamos em um momento da ciência onde o Brasil está na vanguarda. Essa questão envolve grande parte do planeta. É uma boa parceria com governo federal”, disse.

Testes clínicos

Esse investimento inicial do Ministério da Saúde financiará a terceira e última fase de testes clínicos da vacina em voluntários, que teve início hoje. Neste primeiro dia, dez pessoas serão vacinadas contra a dengue. Esta última etapa da pesquisa servirá para comprovar a eficácia da vacina.

Para isso, dois em cada três voluntários irão receber a vacina, enquanto o restante receberá placebo, uma substância com as mesmas características da vacina, mas sem o vírus, ou seja, sem efeito. Nem a equipe médica nem os participantes saberão se receberam vacina ou placebo. O objetivo é descobrir se quem tomou a vacina ficou protegido e se quem tomou placebo adquiriu a doença.

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Recrutamento

Em São Paulo, os estudos da vacina começam com 1,2 mil voluntários que foram recrutados pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), maior complexo hospitalar da América Latina. O hospital será um dos 14 centros credenciados pelo Butantan para os testes, que devem envolver 17 mil participantes de 13 cidades do país. O teste clínico deve durar um ano, e a expectativa do instituto é que a vacina esteja disponível no país a partir de 2018.

A vacina contra a dengue tem potencial para proteger contra os quatro vírus da doença com uma única dose. A vacina é produzida com vírus vivos, mas geneticamente enfraquecidos. Com os vírus vivos, a resposta imunológica é maior, mas a forma é atenuada, não há potencial para provocar a doença.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, o cadastro de pessoas interessadas em participar da pesquisa no estado passa de 2 mil. Os voluntários precisam ser pessoas saudáveis, que já tiveram ou não dengue em algum momento da vida e que se enquandrem em três faixas etárias: 2 a 6 anos, 7 a 17 anos e 18 a 59 anos. O e-mail para os interessados é sac@butantan.gov.br.

Os participantes vão ser acompanhados por um período de cinco anos para se verificar a duração da proteção oferecida pela vacina.

Vírus Zika

Além da vacina contra a dengue, o Instituto Butantan estuda a produção de uma vacina e um soro para neutralizar a ação do vírus Zika. "O desafio é chegar à vacina contra o vírus Zika. Um dos caminhos é o de transformar essa vacina tetravalente (contra a dengue) em uma vacina pentavalente ou desenvolver uma vacina exclusiva para esse vírus”, disse Dilma.

Até que os imunizantes sejam desenvolvidos, Dilma destacou que é essencial combater o mosquito Aedes aegypti, causador da dengue, zika e chikungunya. “Não podemos deixar o mosquito nascer. E isso passa necessariamente pela eliminação dos criadouros. O mosquito não é mais forte que a consciência da sociedade civil.”

Agência Brasil Agência Brasil

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