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Dieta com restrição calórica melhora função cerebral e intestinal

Experimento descobre que controlar a ingestão de calorias pode beneficiar o microbioma intestinal; as novas bactérias afetam positivamente a atividade cerebral

10 abr 2024 - 16h00
(atualizado em 11/4/2024 às 00h32)
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Após a adoção de dietas que limitam a ingestão de calorias por dia, uma equipe de pesquisadores da China descobriu que a mudança nos hábitos alimentares modificou o microbioma intestinal, ou seja, as bactérias que vivem no intestino. Curiosamente, isso também provocou desdobramentos na atividade cerebral. É como se esses organismos fossem capazes de "controlar" o cérebro humano.

Foto: Freepik / Canaltech

Publicado na revista Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, o estudo analisou os efeitos de uma dieta conhecida como restrição energética intermitente (IER), por aproximadamente 2 meses, no organismo de pessoas com obesidade.

Nesta dieta, os dias de consumo calórico normal são intercalados com dias de restrição calórica e períodos de jejum. Durante alguns dias, os voluntários ingeriram menos de 600 calorias — fora do estudo, a média de calorias consumidas por dia varia em torno de 2 mil.

Com o experimento, "mostramos que uma dieta IER altera o microbioma e o eixo cérebro-intestino humano", afirma Qiang Zeng, cientista do Hospital Geral do Exército de Libertação do Povo Chinês e um dos autores da pesquisa, em nota.

Déficit calórico

Para entender como comer menos e reduzir o peso corporal impactam o organismo de forma generalizada, foram recrutados 25 indivíduos com sobrepeso ou obesidade. O Índice de Massa Corporal (IMC) desses indivíduos variava de 28 a 45.  

Durante o processo, foram recolhidas amostras de fezes e de sangue dos voluntários. Além disso, foram feitas ressonâncias magnéticas para medir a atividade cerebral.

Como resultado da intervenção, os participantes perderam, em média, 7,6 kg, o que equivale a uma redução de quase 8% do peso corporal. Também foi observado redução na circunferência da cintura e melhora em diferentes marcadores de boa saúde. Isso inclui a redução da pressão arterial e do colesterol ruim, por exemplo.

Controlar a ingestão de calorias, através de dietas, pode melhorar o funcionamento do cérebro e impactar o microbioma intestinal (Imagem: Puhimec/Envato )
Controlar a ingestão de calorias, através de dietas, pode melhorar o funcionamento do cérebro e impactar o microbioma intestinal (Imagem: Puhimec/Envato )
Foto: Canaltech

Impacto no microbioma intestinal

Para além dos resultados mais óbvios da dieta, os pesquisadores chineses encontraram alterações que poderiam passar despercebidas. No microbioma intestinal, proliferaram as bactérias Faecalibacterium prausnitzii, Parabacteroides distasonis e Bacterokles uniformis. Enquanto isso, as colônias da Escherichia coli foram reduzidas.  

Mudanças na atividade do cérebro

"Acredita-se que o microbioma intestinal se comunica com o cérebro de uma forma complexa e bidirecional", explica Xiaoning Wang, outro autor do estudo. Isso porque "o microbioma produz neurotransmissores e neurotoxinas, que chegam ao cérebro através dos nervos e da circulação sanguínea", detalha. 

Em troca, "o cérebro controla o comportamento alimentar, enquanto os nutrientes da nossa dieta alteram a composição do microbioma intestinal", pontua Wang sobre a complexa relação.

Nesse sentido, a abundância das três bactérias no microbioma intestinal foi correlacionada com a maior atividade de áreas do cérebro envolvidas no processo de atenção, no controle das emoções e na capacidade de aprendizagem. Também foram observadas a redução da atividade em locais associados ao vício.

De forma oposta, "um microbioma intestinal anormal pode alterar o nosso comportamento alimentar, ativando certas áreas do cérebro envolvidas no vício", alerta Yongli Li, mais um pesquisador envolvido no experimento.

Fonte: Frontiers in Cellular and Infection Microbiology e Frontiers  

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