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Descubra qual é o nutriente que pode estar faltando no prato dos idosos

Perda de massa muscular na terceira idade: saiba como a proteína previne a sarcopenia

1 out 2026 - 12h45
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Resumo
Pesquisas brasileiras alertam que até 60% dos idosos consomem proteína de forma inadequada, o que amplia o risco de sarcopenia, perda de autonomia e até mortalidade. Devido à resistência anabólica típica da idade, esse público precisa de maior aporte proteico bem distribuído nas refeições, aliado a exercícios de força. Especialistas ressaltam que sintomas como cansaço e fraqueza não devem ser vistos como naturais da velhice, exigindo ajustes na dieta para garantir longevidade com qualidade funcional.

Médica nutróloga explica por que a proteína é peça central do envelhecimento saudável, da manutenção da força à autonomia

O Brasil tem hoje cerca de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, aproximadamente 15% da população, segundo o IBGE. Mas do que somar anos de vida, envelhecer também significa preservar a capacidade de levantar da cadeira, subir uma escada, carregar uma sacola, caminhar e realizar tarefas cotidianas sem depender de outra pessoa. Neste 1º de outubro, Dia Internacional da Pessoa Idosa, um dado costuma ficar fora da conversa sobre envelhecimento: que um dos nutrientes mais importantes para manter a autonomia nessa faixa etária, pode estar faltando no prato da população idosa. 

Foto de CDC na Unsplash
Foto de CDC na Unsplash
Foto: Revista Malu

Uma pesquisa conduzida por pesquisadoras da Unicamp, publicada em junho de 2026, encontrou inadequação no consumo de proteínas em 49% dos idosos avaliados em Campinas e região. O estudo identificou ainda que mesmo entre aqueles que atingem uma quantidade razoável ao longo do dia, a proteína não é necessariamente distribuída de maneira adequada entre as refeições.

Outro estudo brasileiro, realizado em Viçosa (MG) e publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, acompanhou 621 pessoas idosas por nove anos. Nele, a prevalência de baixa ingestão proteica chegou a 60,9%. Os participantes nessa condição apresentaram risco de morte significativamente maior ao longo do período analisado. Este é um indicativo de que o tema ultrapassa a esfera do desempenho físico e entra no terreno da longevidade.

Para a médica nutróloga , cofundadora da Salty Way,  Dra. Ana Luísa Vilela, esses números revelam um ponto cego da nutrição brasileira. "Envelhecer bem não é apenas viver mais, é manter força e autonomia. E a proteína participa diretamente desse processo". 

Riscos

Segundo a médica, com o avanço da idade, o organismo passa por um fenômeno conhecido como resistência anabólica. O músculo responde menos ao mesmo estímulo nutricional do que respondia na juventude. Por isso, pessoas idosas geralmente precisam de uma atenção maior à ingestão proteica e à prática de exercícios de força.

Quando a ingestão não acompanha as necessidades do organismo, uma das consequências mais conhecidas é a sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva de massa, força e função muscular. A literatura sobre nutrição no envelhecimento tem discutido a importância de distribuir fontes proteicas entre as principais refeições, em vez de deixar café da manhã e jantar com quantidades muito pequenas.

Deficiência silenciosa

A nutróloga faz uma alerta, de que o problema pode aparecer antes de um diagnóstico formal. 

"Cansaço, dificuldade para levantar da cadeira, perda de força, quedas e recuperação mais lenta depois de uma doença ou cirurgia muitas vezes são colocados automaticamente na conta da idade. Nem sempre deveriam. Parte desse processo pode estar relacionada à perda de massa muscular e à alimentação. Para o idoso, cada refeição pode ser uma oportunidade de preservar músculos. O desafio é que justamente as refeições mais leves costumam ser aquelas em que a proteína desaparece do prato ", explica. 

Corrigir esse déficit, porém, não depende apenas de recomendar que o idoso "coma mais proteína". Com o envelhecimento, podem surgir redução do apetite, alterações no paladar, dificuldades de mastigação, uso de próteses, limitações financeiras e menor disposição para preparar alimentos. Há ainda uma questão de aceitação. Shakes, bebidas e suplementos tradicionalmente associados à proteína podem não fazer sentido para quem já apresenta pouco apetite ou não tem o hábito de consumir preparações doces. 

Foi observando esse tipo de dificuldade no consultório, que surgiu a Salty Way: definida como uma proteína culinária salgada desenvolvida para ser incorporada a alimentos que já fazem parte da rotina, como arroz, feijão, sopas, purês e molhos. A proposta é transformar a suplementação em parte da própria refeição, especialmente em momentos do dia em que a ingestão proteica tende a ser menor. A estratégia, entretanto, não substitui uma alimentação variada e deve ser individualizada, principalmente no caso de idosos com doença renal ou outras condições que demandem ajustes na ingestão de proteínas.

Dia do idoso

Para a médica, falar sobre proteína no Dia do Idoso é também falar sobre prevenção.

"A massa muscular é uma reserva para a velhice. Por isso, proteína e exercício de força não deveriam entrar na rotina apenas quando a pessoa já perdeu a musculatura. Quanto maior a reserva construída ao longo da vida, maior a capacidade de enfrentar os desafios do envelhecimento", afirma.

A Dra. ainda faz um alerta para os sinais que merecem atenção: emagrecimento não intencional, roupas ficando mais largas, perda de força nas mãos, dificuldade para se levantar sem apoio, redução da disposição e quedas recorrentes. A recomendação é que esses sinais não sejam tratados simplesmente como consequências inevitáveis da idade. Uma avaliação com médico, nutricionista ou outro profissional habilitado, pode ajudar a identificar perda de massa muscular, inadequações alimentares e a necessidade de ajustes na dieta e na atividade física.

"No envelhecimento, a pergunta não deveria ser apenas quantos anos queremos viver, mas com quanta força e autonomia queremos chegar lá", concluiu a Dra. Ana Luísa.

Revista Malu Revista Malu
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