Anvisa alerta: o que há por trás dos tutoriais de tirzepatida em pó nas redes
Tirzepatida em pó aparece em vídeos de aplicação caseira, mas há um detalhe que pode mudar a forma de olhar para essas ofertas.
A Anvisa alertou contra a compra e o preparo caseiro de tirzepatida em pó, prática difundida em tutoriais nas redes sociais. A agência adverte que produtos clandestinos não têm garantia de pureza, concentração ou esterilidade, gerando riscos graves de infecções e sepse. Embora o princípio ativo exista no remédio regularizado Mounjaro e em farmácias de manipulação autorizadas, versões não registradas pela internet são ilegais e perigosas à saúde, assim como a substância experimental CBL-514.
Se você acompanha conteúdos sobre emagrecimento nas redes sociais, pode ter encontrado vídeos mostrando tirzepatida em pó e explicando como preparar o produto para aplicação.
A cena parece simples e, justamente por isso, pode levantar uma dúvida importante. Esse tipo de produto oferece a mesma segurança de um medicamento regularizado?
A pergunta ganhou importância depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou um alerta sobre a venda irregular da substância pela internet e os vídeos que ensinam a diluí-la e aplicá-la em casa.
Segundo a agência, o problema é que esses produtos não passaram pelos controles necessários para garantir informações básicas, como a composição, a concentração e a esterilidade. E, quando se trata de algo que será injetado no organismo, essa diferença importa.
Por que a tirzepatida em pó preocupa
A tirzepatida é o princípio ativo presente em alguns medicamentos injetáveis. No Brasil, ela está presente no Mounjaro, que possui registro na Anvisa.
Isso ajuda a esclarecer uma dúvida comum. Tirzepatida e Mounjaro não são exatamente a mesma coisa.
Tirzepatida é o nome da substância ativa. Mounjaro é o nome comercial de um medicamento que contém essa substância.
Por isso, encontrar a palavra "tirzepatida" em um anúncio não significa que aquele produto seja Mounjaro ou tenha passado pelos mesmos controles.
O que os vídeos nas redes sociais mostram
A Anvisa identificou conteúdos em que pessoas aparecem preparando o produto e fazendo a aplicação por conta própria.
Esses tutoriais sobre canetas emagrecedoras podem fazer o procedimento parecer muito simples. Só que uma aplicação injetável depende de algo que não aparece no vídeo, a garantia de que o produto foi produzido e preparado em condições adequadas.
No caso dos produtos comercializados irregularmente, a agência afirma que não é possível confirmar sequer se o princípio ativo anunciado está realmente presente ou qual é sua concentração.
O perigo que não aparece no vídeo
Existe um problema difícil de perceber olhando apenas para o frasco. Uma contaminação pode ser invisível.
Bactérias, fungos e outros microrganismos podem estar presentes mesmo quando o conteúdo parece limpo. Uma embalagem lacrada também não é, sozinha, garantia de esterilidade.
O preparo em casa acrescenta outra possibilidade de contaminação. Superfícies, recipientes, água e materiais utilizados podem entrar em contato com a preparação.
Se uma substância contaminada for injetada, os microrganismos podem entrar diretamente no organismo. Isso pode provocar uma infecção no local da aplicação e, nos casos mais graves, evoluir para sepse.
A tirzepatida pode ser manipulada?
Aqui é importante não confundir situações diferentes.
A Anvisa informa que a tirzepatida também pode ser encontrada em farmácias de manipulação quando há indicação, prescrição médica e cumprimento das regras sanitárias aplicáveis.
Isso não é a mesma coisa que comprar um pó de origem desconhecida pela internet e prepará-lo em casa.
A agência vem adotando medidas contra produtos de tirzepatida comercializados de maneira irregular no país por causa dos riscos envolvidos.
E o CBL-514?
O alerta da Anvisa também cita o CBL-514, outra substância que começou a aparecer nas redes sociais associada à redução de gordura localizada.
Nesse caso, há uma diferença importante. O CBL-514 ainda está em fase 2 de estudos clínicos e não possui registro ou autorização da Anvisa para comercialização.
Isso significa que sua segurança, eficácia e qualidade ainda estão sendo avaliadas. Portanto, não se trata de um medicamento aprovado para uso comercial.
O que fazer diante de uma oferta
Quem recebeu indicação para usar tirzepatida deve seguir a orientação do profissional responsável pelo tratamento e utilizar produtos obtidos por canais regularizados.
Se aparecer uma oferta de tirzepatida em pó acompanhada de um vídeo ensinando a preparar e aplicar o produto, a aparente simplicidade do procedimento não deve ser confundida com segurança.
A embalagem, a aparência do conteúdo ou os relatos positivos de outras pessoas não conseguem comprovar a qualidade de uma substância destinada à aplicação injetável.
Em caso de dúvida, a orientação é procurar um médico ou farmacêutico antes de utilizar o produto.
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