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Câncer de mama em jovens: entenda quais são os sintomas

Outubro Rosa: câncer de mama antes dos 40 é menos frequente, mas quais sinais não podem ser ignorados?

1 out 2026 - 13h00
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Resumo
Embora mais comum com o avanço da idade, o câncer de mama também atinge mulheres jovens, alertando a oncologista Roberta Galvão contra a falsa sensação de imunidade nessa faixa etária. Sinais persistentes como nódulos, secreções e alterações na pele exigem avaliação médica imediata. Casos antes dos 40 demandam análise de histórico familiar e predisposição genética individualizada, além de discussões precoces sobre a preservação da fertilidade antes do início do tratamento.

Oncologista e especialista em oncogenética Dra. Roberta Galvão explica por que mulheres jovens também precisam conhecer as próprias mamas e quando histórico familiar pode indicar a necessidade de uma investigação individualizada

Aos 25, 30 ou 35 anos, encontrar um nódulo na mama pode parecer menos preocupante do que seria algumas décadas depois. Afinal, o câncer de mama é mais frequente com o avanço da idade. O problema é transformar essa informação em uma falsa sensação de proteção e acreditar que qualquer alteração em uma mulher jovem será necessariamente benigna.

Foto de Angiola Harry na Unsplash
Foto de Angiola Harry na Unsplash
Foto: Revista Malu

Neste Outubro Rosa, a oncologista e especialista em oncogenética Dra. Roberta Galvão chama atenção justamente para esse grupo. O câncer de mama antes dos 40 anos não concentra a maioria dos diagnósticos, mas pode acontecer e exige atenção a alterações novas e persistentes.

"Não é a faixa etária em que encontramos a maior parte dos casos de câncer de mama. A idade continua sendo um dos principais fatores de risco, e a incidência aumenta com o envelhecimento. Isso não significa, porém, que mulheres jovens não possam desenvolver a doença", explica.

Quando um tumor aparece precocemente, uma das questões avaliadas é a possibilidade de predisposição hereditária. Mas Roberta ressalta que câncer em uma mulher jovem não é automaticamente sinônimo de câncer hereditário.

"Quando o câncer aparece antes dos 40 anos, olhamos com bastante atenção para a história pessoal e familiar e para a possibilidade de predisposição genética, principalmente quando existem outros casos de câncer em idades jovens na família. Mas é importante lembrar que nem todo câncer de mama em uma mulher jovem é hereditário. A doença é multifatorial e cada caso precisa ser avaliado individualmente", afirma.

Nódulo não é o único sinal de alerta

Conhecer as próprias mamas ajuda a perceber quando alguma coisa mudou. Um nódulo endurecido que persiste ou cresce merece avaliação, mas não é a única manifestação que deve levar uma mulher ao consultório.

O médico também deve investigar outros sinais de alerta, como retração da pele ou do mamilo, alteração no formato da mama, aspecto de casca de laranja na pele, secreção espontânea pelo mamilo, nódulos na axila e feridas que não cicatrizam.

"A mulher jovem não deve pensar que, por ter 25, 30 ou 35 anos, uma alteração pode ser automaticamente considerada benigna. Na maioria das vezes pode não ser câncer, mas quem deve fazer essa diferenciação é o médico após a avaliação adequada", alerta Roberta.

Isso não significa viver examinando o corpo com medo. A orientação é perceber mudanças e, diante de algo novo e persistente, procurar avaliação em vez de esperar meses para descobrir se desaparecerá sozinho.

Minha mãe teve câncer de mama. Preciso começar os exames mais cedo?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre mulheres jovens. Para a oncologista, a resposta depende de como é essa história familiar.

Um caso isolado de câncer na família não significa, por si só, que exista uma síndrome hereditária. O que chama atenção é a combinação das informações: quantos familiares tiveram câncer, o grau de parentesco, quais tumores apareceram e principalmente em que idade ocorreram os diagnósticos.

"Também observamos situações como câncer de ovário, câncer de mama masculino e outros tumores que possam sugerir uma síndrome hereditária. Quando existe uma história sugestiva, fazemos uma avaliação individualizada e podemos indicar aconselhamento e investigação genética. A partir desse risco é que definimos como e quando será realizado o acompanhamento", explica.

Por isso, não existe uma idade universal para que toda mulher com um familiar que teve câncer comece a realizar exames antecipadamente.

BRCA1 e BRCA2: quando a genética entra na conversa

Quando se fala em câncer de mama hereditário, BRCA1 e BRCA2 estão entre os genes mais conhecidos. Alterações nesses e em outros genes associados a síndromes hereditárias podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença ao longo da vida.

A investigação, entretanto, não deve ser encarada como um teste realizado indiscriminadamente apenas para "descobrir se um dia terei câncer".

"Nas pacientes mais jovens, a predisposição genética merece atenção especial. Também avaliamos história familiar, exposição prévia à radiação no tórax em idade jovem e características individuais", explica Roberta.

Consumo de álcool, excesso de peso, inatividade física e fatores hormonais e reprodutivos também entram na avaliação do risco de câncer de mama de maneira geral. Nenhum deles, isoladamente, determina quem desenvolverá a doença.

"Fator de risco não é diagnóstico. Uma mulher pode apresentar fatores de risco e nunca desenvolver câncer, assim como alguém sem fatores evidentes pode receber o diagnóstico", reforça.

Quando o diagnóstico chega antes dos planos de ter filhos

Descobrir um câncer de mama antes dos 40 traz questões que podem ser particularmente delicadas nessa fase da vida. Uma delas é a fertilidade.

Dependendo das características do tumor, o tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo. Algumas estratégias podem repercutir sobre a função ovariana, fazendo com que a conversa sobre desejo de maternidade precise acontecer precocemente.

"Hoje, o câncer de mama não é tratado como uma doença única. Precisamos conhecer o subtipo do tumor, seu tamanho, extensão, características biológicas e as condições daquela paciente para definir a estratégia terapêutica", afirma a oncologista.

Se a paciente desejar engravidar no futuro, a equipe médica deve discutir as opções de preservação da fertilidade — de preferência antes de iniciar tratamentos que possam comprometer a função ovariana. Em diagnósticos muito precoces, a avaliação de uma possível predisposição hereditária também pode trazer informações relevantes para a própria paciente e para sua família.

Para Roberta, a idade não deve servir nem para minimizar um sinal suspeito nem para transformar o diagnóstico em uma sentença.

"O primeiro ponto é não transformar a idade em uma sentença. Cada tumor tem características próprias e cada paciente precisa de uma estratégia individualizada. O mais importante é investigar alterações suspeitas e, diante de um diagnóstico, iniciar a condução adequada sem atrasos desnecessários", finaliza a Dra. Roberta Galvão.

Revista Malu Revista Malu
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