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De volta ao YouTube, Felca desabafa sobre bullying: 'Nunca quis aceitar que sofria'

No Dia Mundial de Combate ao Bullying, influenciador revisita experiências da adolescência e fala sobre os efeitos que pesistem até hoje

20 out 2026 - 10h37
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Resumo
Em seu retorno ao YouTube no Dia Mundial de Combate ao Bullying, Felca desabafou sobre as agressões sofridas na juventude, que desencadearam fobia social e ideação suicida. O influenciador revelou a demora em aceitar o trauma e anunciou dois projetos: o desafio pessoal #sinfel, de 90 dias de maior exposição e convivência social, e uma série de palestras gratuitas em escolas para conscientizar jovens e alertar adultos sobre a gravidade de não negligenciar os impactos emocionais do bullying.

Depois de um período afastado do YouTube, Felca voltou ao canal nesta terça-feira (20) com um relato pessoal sobre o bullying que sofreu durante a infância e a adolescência. Publicado no Dia Mundial de Combate ao Bullying, o vídeo mostra como essas experiências continuaram repercutindo em sua saúde mental e em sua relação com outras pessoas ao longo dos anos.

Felca transforma um relato sobre isolamento e saúde mental em um projeto para enfrentar medos e conscientizar crianças e adolescentes
Felca transforma um relato sobre isolamento e saúde mental em um projeto para enfrentar medos e conscientizar crianças e adolescentes
Foto: Reprodução/Youtube / Bons Fluidos

Felipe Bressanim Pereira, nome de batismo do influenciador, relembra episódios de agressões e exclusões vividas na escola. Além disso, fala sobre a dificuldade que teve para reconhecer o problema e sobre os efeitos que ainda associa àquele período

Felca conta por que demorou a reconhecer o bullying

De acordo com o relato, durante muito tempo, o influenciador tentou encontrar explicações que diminuíssem o peso daquilo que vivia. O reconhecimento, então, veio apenas quando percebeu que o tratamento recebido pelos colegas seguia um padrão que já não conseguia justificar.

"Eu nunca quis aceitar que eu sofria bullying. Eu demorei muito para aceitar. É engraçado isso: a gente ouve tanto falar de bullying por aí, em campanhas, em filmes, mas, quando acontece com a gente, a gente faz pouco caso", desabafou.

No vídeo, ele relembrou que chegou a questionar a própria percepção e acreditar que poderia estar exagerando. Essa tentativa de minimizar o sofrimento, segundo Felca, também dificultava a busca por ajuda. "Eu me perguntei muitas vezes se o que eu sofri era bullying ou era, sei lá, frescura minha ou só brincadeira. Na minha cabeça de criança, era mais fácil lidar com mentir para mim mesmo do que lidar com a verdade", complementou.

Consequências continuaram depois da escola

Sair daquele ambiente, contudo, não significou encerrar imediatamente seus efeitos. O influenciador afirmou que desenvolveu fobia social, transtorno marcado por medo intenso e ansiedade diante de situações de interação ou exposição a outras pessoas. Segundo Felca, até hoje momentos comuns de convivência podem provocar reações físicas intensas.

Mesmo depois de passar a participar de programas de televisão, eventos e palestras, ele relatou que pode enfrentar aceleração dos batimentos cardíacos simplesmente por permanecer em locais com outras pessoas. "Por mais que eu consiga enfrentar, por mais que eu consiga ir pras coisas, internamente eu tô com 138, 140, 150 batimentos por minuto. [...] É só de ter pessoas", detalhou.

Ademais, o influenciador também abordou um período delicado da adolescência no qual enfrentou ideação suicida.  "A ideação suicida mente muito bem. Ela fala as palavras certas que você quer ouvir quando você tá na dor, mas é a maior mentira que você pode imaginar, porque ela não te mostra quem você vai ser quando você vencer a dor", conscientizou.

Desafio propõe enfrentar o isolamento

Na tentativa de mudar a relação que mantém com situações sociais, Felca anunciou o projeto #sinfel, previsto para durar 90 dias. Durante esse período, ele pretende aceitar mais convites, frequentar ambientes que normalmente evitaria e ampliar o contato com outras pessoas. "Eu quero viver a vida que chamam de vida e, a partir de agora, eu não só quero, eu vou", declarou.

O influenciador relaciona a iniciativa à percepção de que evitar continuamente aquilo que desperta medo acabou limitando experiências importantes ao longo dos anos. Agora, ele pretende experimentar uma rotina com maior exposição social, mas sem recorrer ao álcool, que afirmou já ter usado de forma abusiva no passado para conseguir enfrentar algumas situações.

Felca quer transformar experiência em conscientização

Além do desafio pessoal, Felca anunciou outra iniciativa voltada diretamente ao combate ao bullying. Ele pretende oferecer palestras gratuitas em escolas públicas e privadas para conversar com crianças e adolescentes sobre os efeitos desse tipo de violência.

A proposta nasceu justamente da tentativa de dar uma nova finalidade às experiências que viveu. O influenciador afirmou que espera alcançar tanto estudantes que estejam sofrendo quanto aqueles que possam estar reproduzindo comportamentos agressivos.

"Eu decidi dar palestras pro máximo de escola que eu pudesse sobre bullying, contando o que eu vivi, o dano real do bullying e tentar confortar as crianças que estão sofrendo nesse momento", disse.

Ele também faz um apelo para que adultos não minimizem relatos feitos por crianças. No vídeo, então, Felca chamou atenção principalmente para respostas que tratam medo, sofrimento ou resistência em ir à escola como drama ou falta de esforço. A mensagem se conecta a um dos pontos centrais de seu relato: reconhecer o problema cedo pode evitar que a criança atravesse anos acreditando que precisa enfrentá-lo sozinha.

Como lidar com o bullying?

Segundo especialistas, combater o bullying exige participação conjunta de família, escola e, quando necessário, profissionais de saúde. A primeira atitude é oferecer um ambiente em que crianças e adolescentes consigam contar o que está acontecendo sem medo de julgamento ou punição.

Nesse momento, é importante ouvir antes de buscar explicações ou soluções imediatas. Minimizar agressões como brincadeiras, comparar a criança com colegas ou responsabilizá-la por não conseguir reagir pode aumentar a sensação de isolamento.

Algumas mudanças também merecem atenção. Alterações repentinas no humor, maior isolamento, resistência para frequentar a escola, queda no rendimento, dificuldades para dormir, mudanças no apetite e perda ou dano frequente de pertences podem indicar que algo está acontecendo. Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma bullying, mas eles podem justificar uma conversa mais cuidadosa.

Quando a situação é identificada, especialistas recomendam comunicar a escola e construir uma resposta em conjunto. Dependendo do impacto emocional, o acompanhamento de um profissional de saúde mental também pode fazer parte desse cuidado.

A prevenção, por outro lado, não deve começar somente depois de uma agressão. Ensinar empatia, respeito às diferenças e maneiras não violentas de resolver conflitos ajuda a criar relações mais saudáveis. O mesmo vale para o ambiente virtual, já que o cyberbullying pode ampliar a exposição e fazer com que a intimidação continue mesmo fora da escola.

Para pais e responsáveis, uma das principais orientações é não deixar a criança lidar sozinha com a situação. A presença de adultos de confiança, o diálogo com a instituição de ensino e uma rede de apoio podem ajudar a interromper o ciclo e reduzir os impactos emocionais.

Bons Fluidos
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