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Covid-19 matou mais do que AVC e enfarte no Ceará

Foram 705 mortes por coronavírus contra 586 das outras três doenças juntas entre março e abril

13 mai 2020
08h12
atualizado às 08h15
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O Ceará registrou 705 mortes por coronavírus, entre março e abril deste ano, superando outras doenças consideradas mais comuns, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), enfarte agudo do miocárdio e câncer no pulmão.

Socorristas atendem paciente na chegada a hospital de Fortaleza
Socorristas atendem paciente na chegada a hospital de Fortaleza
Foto: MATEUS DANTAS / ZIMEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

De acordo com a secretaria estadual de saúde, no mesmo período, 114 pessoas morreram por câncer nos brônquios e pulmão, no mesmo período deste ano. Em 2019, foram 229. O AVC vitimou 180 pessoas em 2020 e 288 em 2019. Já o enfarte agudo do miocárdio e suas variações mataram 292 pessoas. Neste período, juntas, as três doenças vitimaram 586 pessoas.

Para o presidente da Sociedade Cearense de Infectologia, Guilherme Henn, um dos motivos para o excesso de óbitos por coronavírus é o fato de ser uma doença aguda, que infecta muitas pessoas em um curto espaço de tempo.

"A falta de conhecimento para a doença, por ser uma doença nova, e o sistema de saúde não estar preparado são fatores relevantes, mas existem outros mais importantes. Quando a gente compara com hipertensão, por exemplo, um paciente que recebe esse diagnóstico hoje, ele vai morrer daqui 30 ou 40 anos por complicações dessa doença. A covid-19 mata dentro de uma a duas semanas. Então, se a gente tem muitas pessoas se infectando em um curto espaço de tempo, também vamos ter muitas mortes em poucos dias", esclarece.

Quanto à redução do número de óbitos das outras doenças consideradas comuns, Henn explica que o fato de as pessoas não procurarem as emergências pode ser uma das explicações. "A pessoas não estão procurando atendimento, com medo de pegar covid. Tem gente que enfarta em casa e chegando nos hospitais com causa de morte desconhecida. Isso acaba 'falsamente' diminuindo o número de óbitos por essa doença, por exemplo".

Henn explica que a taxa de letalidade informada nos dados oficiais é superestimada, porque o número de casos confirmados da doença é menor do que o que realmente está acontecendo.

"Uma prova de que atingimos o pico é o sistema de saúde colapsado, tanto público quanto privado. Sobre a taxa de letalidade, ela não é real, porque a gente consegue contar os óbitos, mas não consegue contar os casos, por falta de diagnóstico de pessoas em casos mais leves, que acabam não entrando na estatística. Então quando a gente faz a conta entre o número de óbitos e casos confirmados, essa conta gera uma porcentagem. Reduzindo o denominador comum, que é o número total de casos, aumenta a taxa de letalidade", explica.

Até esta terça-feira, 12, foram registradas 1.280 mortes por coronavírus no Ceará. De acordo com dados da secretaria estadual de saúde, a taxa de letalidade da doença causada pelo coronavírus é de 7%. Há 31.875 casos suspeitos em investigação, com 47.995 exames realizados e 9.231 pessoas curadas da covid-19.

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Estadão
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