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Consumo de bebidas açucaradas na infância está ligado a maior risco de hipertensão, aponta estudo

Um estudo de longo prazo realizado com cerca de 25 mil jovens americanos apontou uma associação entre o consumo frequente de bebidas açucaradas desde a infância e um maior risco de desenvolver hipertensão na vida adulta. Saiba os detalhes!

23 jun 2026 - 14h02
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Um estudo de longo prazo realizado com cerca de 25 mil jovens americanos apontou uma associação entre o consumo frequente de bebidas açucaradas desde a infância e um maior risco de desenvolver hipertensão na vida adulta. A pesquisa, publicada na revista científica Circulation, acompanhou os participantes por 25 anos e avaliou hábitos alimentares, medidas corporais e estilo de vida. Os resultados chamam atenção para o papel de refrigerantes, sucos adoçados e outras bebidas ricas em açúcar na saúde cardiovascular futura.

Ao longo do acompanhamento, os voluntários responderam, em intervalos de um a quatro anos, a questionários detalhados sobre o que costumavam beber e comer. Os formulários incluíam questões sobre a frequência de consumo de limonadas, chás adoçados, isotônicos esportivos e sucos de frutas, além de frutas inteiras e outros alimentos. Com base nessas respostas, os pesquisadores conseguiram relacionar os padrões de consumo na juventude com o desenvolvimento de pressão alta em fases posteriores da vida.

Um estudo de longo prazo realizado com cerca de 25 mil jovens americanos apontou uma associação entre o consumo frequente de bebidas açucaradas desde a infância e um maior risco de desenvolver hipertensão na vida adulta – depositphotos.com / lucidwaters
Um estudo de longo prazo realizado com cerca de 25 mil jovens americanos apontou uma associação entre o consumo frequente de bebidas açucaradas desde a infância e um maior risco de desenvolver hipertensão na vida adulta – depositphotos.com / lucidwaters
Foto: Giro 10

Qual é a relação entre bebidas açucaradas e risco de hipertensão?

A palavra-chave central do estudo é bebidas açucaradas, englobando refrigerantes comuns, sucos industrializados, sucos de caixinha, néctares, chás prontos adoçados, energéticos e bebidas esportivas com açúcar. A análise mostrou que os participantes que consumiam duas ou mais porções diárias desse tipo de bebida apresentaram um risco 52% maior de desenvolver hipertensão em comparação com quem relatou ingestão inferior a três vezes por semana. Esse aumento foi observado mesmo após ajuste para fatores como índice de massa corporal, prática de atividade física e outros hábitos de vida.

No caso dos sucos, o efeito também chamou atenção. O consumo de mais de um copo e meio de suco por dia esteve associado a um aumento de 35% no risco de pressão alta. Entre as bebidas avaliadas, o suco de laranja se destacou com o pior resultado: um acréscimo adicional de 20% na probabilidade de desenvolver hipertensão em comparação com outros tipos de sucos. Os autores destacam que, apesar de o suco de fruta ser frequentemente percebido como opção mais "natural", ele concentra grandes quantidades de açúcar e praticamente não oferece as fibras presentes na fruta inteira.

Bebidas açucaradas causam hipertensão ou apenas se associam a ela?

Os responsáveis pela pesquisa enfatizam que os achados mostram uma associação, e não uma relação de causa direta. Isso significa que o estudo não prova que refrigerantes, sucos adoçados ou outras bebidas açucaradas sejam, por si só, responsáveis pelo surgimento da hipertensão. Em vez disso, indica que o consumo frequente desses produtos aparece ligado, de forma consistente, a uma maior probabilidade de desenvolver pressão alta ao longo do tempo.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores utilizaram questionários padronizados de frequência alimentar, medições periódicas de peso, altura e pressão arterial, além de informações sobre tabagismo, atividade física e outros comportamentos de saúde. Ao analisar os dados, foram aplicados métodos estatísticos que procuram isolar o efeito específico do consumo de bebidas açucaradas, reduzindo a interferência de outros fatores de risco conhecidos, como obesidade e sedentarismo. Ainda assim, os autores reconhecem que estudos observacionais não conseguem eliminar completamente todas as variáveis envolvidas.

Os autores reforçam que a pressão arterial elevada é uma condição multifatorial, influenciada por genética, nível de atividade física, padrão alimentar global, consumo de sal, peso corporal e outros aspectos do estilo de vida – depositphotos.com / VitalikRadko
Os autores reforçam que a pressão arterial elevada é uma condição multifatorial, influenciada por genética, nível de atividade física, padrão alimentar global, consumo de sal, peso corporal e outros aspectos do estilo de vida – depositphotos.com / VitalikRadko
Foto: Giro 10

Quais mudanças na alimentação podem reduzir o risco de pressão alta?

O trabalho publicado na Circulation também avaliou o impacto de substituições simples no dia a dia. Segundo a análise, trocar diariamente uma porção de bebida açucarada por uma fruta inteira esteve associada a uma redução de 22% no risco de desenvolver hipertensão. Já a substituição por água ou leite esteve ligada a uma diminuição de 13% na probabilidade de pressão alta. Essas estimativas sugerem que pequenas mudanças no padrão de consumo podem contribuir para um perfil mais favorável de saúde cardiovascular ao longo dos anos.

Para facilitar a compreensão do efeito dessas trocas, o estudo destaca alguns exemplos práticos de escolhas alimentares:

  • Dar preferência a frutas in natura em vez de sucos, mesmo quando preparados em casa;
  • Optar por água, água com gás ou água saborizada sem açúcar no lugar de refrigerantes e chás prontos;
  • Incluir leite ou bebidas lácteas com pouco açúcar como alternativa ocasional a isotônicos esportivos comuns;
  • Reduzir o consumo diário de energéticos adoçados, reservando-os, quando indicados, para situações específicas.

Os autores reforçam que a pressão arterial elevada é uma condição multifatorial, influenciada por genética, nível de atividade física, padrão alimentar global, consumo de sal, peso corporal e outros aspectos do estilo de vida. Dentro desse conjunto, o consumo de refrigerantes, sucos adoçados e demais bebidas açucaradas surge como um dos elementos que podem contribuir para aumentar o risco ao longo do tempo, especialmente quando o hábito começa cedo e se mantém por muitos anos.

A pesquisa com jovens americanos não propõe proibições, mas aponta que monitorar a ingestão de bebidas com alto teor de açúcar pode ser uma estratégia relevante de saúde pública. Ao trazer dados de acompanhamento de 25 anos, o estudo acrescenta evidências ao debate sobre como escolhas aparentemente simples na infância e adolescência podem se refletir em indicadores importantes, como a pressão arterial, décadas depois.

Giro 10
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