Consulta pública debate inclusão da vacina contra herpes-zóster no SUS
População pode enviar opiniões e sugestões até o dia 6 de outubro
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) no Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou na quarta-feira, 17, uma consulta pública para avaliar a inclusão da vacina contra herpes-zóster no Programa Nacional de Imunizações (PNI). A proposta é analisar a vacinação de idosos com 80 anos ou mais e de indivíduos imunocomprometidos a partir dos 18 anos.
Qualquer pessoa pode enviar opiniões e sugestões sobre o tema neste link. Também é possível encaminhar arquivos contendo documentos de suporte, por meio de um formulário eletrônico. Não é permitido enviar dados pessoais, informações confidenciais ou materiais de terceiros sem a devida autorização. A consulta ficará disponível até o dia 6 de outubro.
As sugestões serão analisadas pela Conitec, que disponibilizou dois documentos sobre a incorporação: o relatório para a sociedade, com informações gerais, e o relatório técnico preliminar.
Herpes-zóster
O herpes-zóster, também chamado de cobreiro, é causado pela reativação do vírus varicela-zóster (VZV), o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção inicial, que ocorre principalmente na infância, o vírus permanece latente no sistema nervoso e pode se reativar mais tarde, provocando o cobreiro.
A reativação acontece quando há queda de imunidade, comum com o envelhecimento, mas também pode ocorrer devido a fatores como sono insuficiente, má alimentação e estresse. Acredita-se que 30% das pessoas acima de 50 anos podem desenvolver o quadro, e quanto mais velho, piores são os efeitos, segundo especialistas.
Os principais sintomas são manchas e bolhas na pele que provocam dor e queimação. Também podem surgir: dor nos nervos, formigamento, sensação de adormecimento e agulhadas, ardor, coceira local, febre, dor de cabeça e mal-estar. As regiões mais atingidas são tórax, pescoço e costas.
Embora os sintomas geralmente desapareçam com o tempo, a infecção pode deixar sequelas. A mais comum é a neuralgia pós-herpética (NPH), caracterizada por dores que podem persistir por três meses após o término do quadro inicial e, em alguns casos, durar anos.
No SUS, o tratamento para herpes-zóster inclui medicamentos para reduzir os sintomas e, em situações mais graves, antivirais como o aciclovir. Para a NPH, são disponibilizados fármacos como amitriptilina, carbamazepina e lidocaína em gel.
Vacina
A vacina contra herpes-zóster é composta por uma proteína do vírus varicela-zóster (antígeno gE) associada a um adjuvante (AS01B), e potencializa a resposta do sistema imunológico contra o vírus. A aplicação é feita por via intramuscular, em duas doses de 0,5 ml, com um intervalo de dois meses entre elas.
A análise sobre a inclusão da vacina no SUS foi solicitada pelo Departamento do Programa Nacional de Imunizações, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente e Ministério da Saúde.
A Conitec avaliou tanto a segurança quanto a eficácia da vacina, indicando que os estudos mostram mais de 80% de eficácia na prevenção da doença e da NPH. Os efeitos colaterais mais frequentes foram dor no local da aplicação, fadiga, dores musculares, dor de cabeça e febre, geralmente leves ou moderados. O imunizante foi considerado seguro.
Por outro lado, a incorporação geraria um custo alto, estimado em R$ 5,2 bilhões ao longo de cinco anos. Segundo o relatório preliminar da Conitec, a vacina não apresenta um benefício suficientemente relevante para justificar esse investimento pelo SUS.