Como o cérebro constrói nossa percepção do tempo?
28 de julho de 2026 (Bibliomed).Como nós, no dia a dia, percebemos a duração dos eventos ao nosso redor? A resposta está em como o cérebro constrói a percepção do tempo, como demonstra uma pesquisa realizada no International School for Advanced Studies, na Itália. Partindo do que vemos — como uma bola se aproximando — a informação temporal é processada pelo cérebro através de estágios progressivamente mais complexos: do córtex visual occipital, passando pelas áreas parietal e pré-motora, até chegar às regiões frontais.
Utilizando ressonância magnética funcional de alto campo (fMRI) e medindo a percepção do tempo em voluntários saudáveis, os pesquisadores esclareceram o que acontece no cérebro quando estimamos a duração de um estímulo visual. Os resultados mostraram que a percepção do tempo não é um processo unitário, mas o resultado de múltiplos estágios de processamento distribuídos por todo o córtex cerebral. Cada estágio contribui de forma diferente, desde a codificação da duração física até a construção da experiência subjetiva do tempo.
Numa fase inicial, as áreas visuais occipitais codificam a duração através de respostas neurais graduais (monotônicas): quanto mais longo o estímulo, mais forte a resposta neural. Esta informação é então transformada em regiões parietais e pré-motoras em representações seletivas (unimodais), onde populações neuronais distintas respondem preferencialmente a durações específicas, permitindo a "leitura" do tempo. Finalmente, regiões de ordem superior, incluindo o córtex frontal e a ínsula anterior, estão envolvidas na categorização subjetiva da duração, moldando a forma como o tempo é percebido.
O estudo vai além da identificação de onde o tempo é processado no cérebro, propondo, em vez disso, um modelo mecanístico de como a informação temporal é processada. Essa nova estrutura não apenas aprimora nossa compreensão da percepção do tempo, mas também abre novos caminhos para investigar como o cérebro constrói o tempo subjetivo — e o motivo pelo qual essa experiência pode, às vezes, ser distorcida.
Fonte: PLOS Biology. DOI: 10.1371/journal.pbio.3003704.
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