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Cinco crenças sobre câncer que podem atrapalhar o tratamento

Especialistas do Hospital Sírio-Libanês explicam por que desinformação e hábitos do dia a dia podem impactar negativamente o tratamento oncológico

4 fev 2026 - 16h16
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Receber um diagnóstico de câncer é um momento de extrema vulnerabilidade. É natural que pacientes e familiares busquem respostas rápidas para enfrentar a doença.

Veja as crenças sobre o câncer que podem atrapalhar no tratamento
Veja as crenças sobre o câncer que podem atrapalhar no tratamento
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

No entanto, é nesse cenário que as notícias falsas e as crenças sobre o câncer ganham força. Muitas vezes, essas ideias equivocadas acabam distanciando o paciente das melhores práticas médicas.

A desinformação não causa apenas medo. Ela pode interferir diretamente na adesão ao protocolo terapêutico e nos resultados clínicos. Portanto, entender que o tratamento vai além da medicação é o primeiro passo para uma jornada mais segura e eficaz.

1. "Depois do diagnóstico, não adianta mudar hábitos"

Um dos mitos mais perigosos é a ideia de que, uma vez que a doença se manifestou, o "estilo de vida" deixou de ser relevante. Segundo especialistas do Hospital Sírio-Libanês, essa percepção é equivocada e pode reduzir as chances de sucesso do tratamento.

O chamado "microambiente tumoral" (o sistema que envolve as células e o metabolismo) é diretamente influenciado pelas condições do organismo.

Hábitos como manter uma alimentação equilibrada, cuidar do sono e abandonar o cigarro ajudam o corpo a responder melhor à quimioterapia e à radioterapia. Além disso, interromper o consumo de álcool e tabaco reduz complicações cirúrgicas e diminui o risco de o câncer retornar.

2. "Tratamento alternativo pode substituir o médico"

A busca por curas "milagrosas" ou naturais é comum, mas substituir o tratamento convencional por terapias alternativas é um erro grave.

Abandonar a medicina baseada em evidências pode permitir que a doença avance para estágios incuráveis.

É fundamental diferenciar terapias complementares de substitutivas:

  • Complementares: Meditação, ioga e nutrição (ajudam na qualidade de vida).

  • Substitutivas: Chás ou dietas que prometem cura isolada (representam um risco alto).

Qualquer prática externa deve ser comunicada à equipe médica, pois algumas substâncias naturais podem interagir negativamente com as medicações oncológicas.

3. "Todo tratamento causa os mesmos efeitos colaterais"

O medo de efeitos severos, como a queda de cabelo e náuseas intensas, gera uma resistência desnecessária ao início do cuidado. No entanto, a medicina avançou significativamente na individualização dos protocolos.

Atualmente, existem tecnologias e medicamentos auxiliares focados exclusivamente em reduzir os impactos no dia a dia. Nem todo protocolo causa queda de cabelo, e as drogas contra náuseas estão cada vez mais eficazes.

Essa evolução permite que muitos pacientes mantenham parte de sua rotina profissional e social durante o processo, com danos colaterais minimizados.

4. "Sentir-se bem significa que o câncer não está avançando"

A ausência de dor ou de sintomas visíveis pode criar uma falsa sensação de segurança. O câncer é, frequentemente, uma doença silenciosa em suas fases de evolução ou até de recidiva.

Basear o sucesso do tratamento apenas no "como eu me sinto hoje" é arriscado. O monitoramento regular por meio de exames de imagem e marcadores tumorais é a única forma de garantir que o tumor está sob controle.

Interromper ou atrasar consultas porque os sintomas desapareceram dá margem para que a doença ganhe terreno. O acompanhamento contínuo é indispensável para a segurança do paciente.

5. "O lado emocional não interfere no tratamento"

Por muito tempo, a saúde mental foi vista como algo secundário. Hoje, sabe-se que o estresse crônico e a depressão dificultam a adesão ao tratamento e podem aumentar a percepção de dor.

O organismo responde melhor quando o sofrimento emocional é cuidado. O apoio psicológico auxilia o paciente a lidar com o medo e a ansiedade, evitando a fadiga extrema.

Cuidar das emoções não é sinal de fraqueza, mas uma estratégia clínica. Pacientes com suporte emocional sólido enfrentam melhor os ciclos de tratamento e apresentam uma recuperação global mais equilibrada.

Informação é ferramenta de cura

Desmistificar essas crenças sobre o câncer é essencial para que o foco permaneça no que realmente importa: a saúde e a ciência. Ao abraçar um cuidado integral, o paciente fortalece seu organismo para a batalha.

Pequenas mudanças diárias e a confiança na equipe multidisciplinar são os pilares que transformam a jornada contra o câncer em um processo de cuidado real e esperança renovada.

Saúde em Dia
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