Cinco crenças sobre câncer que podem atrapalhar o tratamento
Especialistas do Hospital Sírio-Libanês explicam por que desinformação e hábitos do dia a dia podem impactar negativamente o tratamento oncológico
Receber um diagnóstico de câncer é um momento de extrema vulnerabilidade. É natural que pacientes e familiares busquem respostas rápidas para enfrentar a doença.
No entanto, é nesse cenário que as notícias falsas e as crenças sobre o câncer ganham força. Muitas vezes, essas ideias equivocadas acabam distanciando o paciente das melhores práticas médicas.
A desinformação não causa apenas medo. Ela pode interferir diretamente na adesão ao protocolo terapêutico e nos resultados clínicos. Portanto, entender que o tratamento vai além da medicação é o primeiro passo para uma jornada mais segura e eficaz.
1. "Depois do diagnóstico, não adianta mudar hábitos"
Um dos mitos mais perigosos é a ideia de que, uma vez que a doença se manifestou, o "estilo de vida" deixou de ser relevante. Segundo especialistas do Hospital Sírio-Libanês, essa percepção é equivocada e pode reduzir as chances de sucesso do tratamento.
O chamado "microambiente tumoral" (o sistema que envolve as células e o metabolismo) é diretamente influenciado pelas condições do organismo.
Hábitos como manter uma alimentação equilibrada, cuidar do sono e abandonar o cigarro ajudam o corpo a responder melhor à quimioterapia e à radioterapia. Além disso, interromper o consumo de álcool e tabaco reduz complicações cirúrgicas e diminui o risco de o câncer retornar.
2. "Tratamento alternativo pode substituir o médico"
A busca por curas "milagrosas" ou naturais é comum, mas substituir o tratamento convencional por terapias alternativas é um erro grave.
Abandonar a medicina baseada em evidências pode permitir que a doença avance para estágios incuráveis.
É fundamental diferenciar terapias complementares de substitutivas:
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Complementares: Meditação, ioga e nutrição (ajudam na qualidade de vida).
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Substitutivas: Chás ou dietas que prometem cura isolada (representam um risco alto).
Qualquer prática externa deve ser comunicada à equipe médica, pois algumas substâncias naturais podem interagir negativamente com as medicações oncológicas.
3. "Todo tratamento causa os mesmos efeitos colaterais"
O medo de efeitos severos, como a queda de cabelo e náuseas intensas, gera uma resistência desnecessária ao início do cuidado. No entanto, a medicina avançou significativamente na individualização dos protocolos.
Atualmente, existem tecnologias e medicamentos auxiliares focados exclusivamente em reduzir os impactos no dia a dia. Nem todo protocolo causa queda de cabelo, e as drogas contra náuseas estão cada vez mais eficazes.
Essa evolução permite que muitos pacientes mantenham parte de sua rotina profissional e social durante o processo, com danos colaterais minimizados.
4. "Sentir-se bem significa que o câncer não está avançando"
A ausência de dor ou de sintomas visíveis pode criar uma falsa sensação de segurança. O câncer é, frequentemente, uma doença silenciosa em suas fases de evolução ou até de recidiva.
Basear o sucesso do tratamento apenas no "como eu me sinto hoje" é arriscado. O monitoramento regular por meio de exames de imagem e marcadores tumorais é a única forma de garantir que o tumor está sob controle.
Interromper ou atrasar consultas porque os sintomas desapareceram dá margem para que a doença ganhe terreno. O acompanhamento contínuo é indispensável para a segurança do paciente.
5. "O lado emocional não interfere no tratamento"
Por muito tempo, a saúde mental foi vista como algo secundário. Hoje, sabe-se que o estresse crônico e a depressão dificultam a adesão ao tratamento e podem aumentar a percepção de dor.
O organismo responde melhor quando o sofrimento emocional é cuidado. O apoio psicológico auxilia o paciente a lidar com o medo e a ansiedade, evitando a fadiga extrema.
Cuidar das emoções não é sinal de fraqueza, mas uma estratégia clínica. Pacientes com suporte emocional sólido enfrentam melhor os ciclos de tratamento e apresentam uma recuperação global mais equilibrada.
Informação é ferramenta de cura
Desmistificar essas crenças sobre o câncer é essencial para que o foco permaneça no que realmente importa: a saúde e a ciência. Ao abraçar um cuidado integral, o paciente fortalece seu organismo para a batalha.
Pequenas mudanças diárias e a confiança na equipe multidisciplinar são os pilares que transformam a jornada contra o câncer em um processo de cuidado real e esperança renovada.