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Casos de dengue crescem 605% em SP

Doença avança pelas regiões norte e noroeste do Estado; sorotipo 2 do vírus circula este ano, o que preocupa autoridades de saúde

1 mar 2019
03h10
atualizado às 07h55
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SOROCABA - O Estado de São Paulo enfrenta nova epidemia de dengue, com maior incidência nas regiões norte e noroeste, mais distantes da capital. Entre o início do ano e o último dia 15, o número de casos confirmados saltou de 1,9 mil para 13,4 mil - alta de 605%, ante o mesmo período de 2018. Já o total de casos suspeitos foi de 15,2 mil para 40,2 mil, conforme a Secretaria da Saúde paulista.

Segundo a pasta, o maior risco da dengue neste verão se deve à circulação do sorotipo 2 do vírus. Na grande epidemia de 2015, quando 1,6% da população do Estado foi infectada, predominou o sorotipo 1 do vírus. Quando o paciente se infecta pelo vírus, de outro sorotipo, os sintomas são mais graves.

Mosquitos Aedes aegypti em Campinas
Mosquitos Aedes aegypti em Campinas
Foto: Paulo Whitaker / Reuters

Nas regiões com as maiores infestações, como Bauru, Barretos e Araraquara, foi confirmada a circulação do sorotipo 2. Segundo a secretaria, houve 5 óbitos no período - dois em São Joaquim da Barra, dois em São José do Rio Preto e um em Araraquara -, mas as prefeituras confirmaram mais 4 e investigam outras 20 mortes. Dez cidades, oito nas regiões norte e noroeste, concentram 66% dos casos.

Em Bauru, com 3.510 casos confirmados e 12 mortes com suspeita, pacientes lotam as unidades de saúde. O movimento subiu mais de 73,6% desde o início da epidemia. Os cinco postos de saúde (UPAs) atendem 2,7 mil pacientes por dia e o horário foi estendido até 23 horas.

Em Araraquara, ao menos 300 pessoas com sintomas procuram, diariamente, os serviços municipais de saúde. Também foi confirmada a terceira morte por dengue, diz a prefeitura. Ângela Santos, de 66 anos, morreu no dia 10 e os exames deram positivo para a doença. Outros quatro óbitos são investigados.

Na segunda-feira, 25, Valdelaine Deoadato, de 43 anos, morreu após oito dias internada na Santa Casa local com manchas pelo corpo e outros sintomas da doença. A família registrou a morte suspeita por dengue na Polícia Civil. Outros dois óbitos suspeitos tinham sido registrados no sábado - de um idoso de 85 anos e uma mulher de 33.

Bilac decretou epidemia na terça, após registrar 171 casos confirmados este ano, numa população de 7 mil habitantes. Em todo o ano passado, foram só sete casos. Em fevereiro, 802 casas foram vistoriadas e 484 tinham focos mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença

A doença avança também para o oeste do Estado. No dia 21, Paraguaçu Paulista decretou emergência, com 152 casos confirmados e 350 em apuração. Em 2015, a cidade teve 4,5 mil casos, a maioria do tipo 3. "Sabemos que para cada caso confirmado, há outros quatro não notificados", estima a diretora de Saúde, Cristiane Bonfim.

A Justiça de Mogi Guaçu, região de Campinas, autorizou a prefeitura e entrar em imóveis particulares sem morador para remover criadouros do Aedes. Lá, são 60 casos confirmados e 44 suspeitos, quatro vezes mais que em todo o ano passado.

Família inteira

Em Sorocaba, foram confirmados 39 casos de dengue este ano, mais 16 são importados. A diarista Marilda Cresciulo, de 47 anos, moradora do Jardim Zulmira, zona oeste da cidade, conta que cinco pessoas da família - ela, o pai, a mãe, um irmão e uma sobrinha - tiveram dengue entre 2017 até o início deste ano. "Eu fiquei quatro dias com febre, manchas no corpo e dor de cabeça. Foi horrível, o corpo todo doía, parecia que tinha levado umas pancadas."

Sua sobrinha teve a forma mais grave da doença. "A contagem de plaquetas baixou tanto que ela precisou ser internada e ficou 15 dias de cama, com os sintomas." Apesar de gostar de plantas, Marilda eliminou os vasos de planta de sua casa, com medo de novas infecções. "Vasilha com água, é só o bebedouro do cachorro, mas lavo e desinfeto todo dia."

Surto deve ser pior em 2020

O coordenador de Controle de Doenças da Secretaria da Saúde do Estado, Marcos Boulos, alerta que a epidemia pior deve vir entre o final deste ano e o início de 2020. "O próximo verão deve ser pior, porque neste a dengue não pegou com força as regiões mais populosas do Estado", disse. "Há uma epidemia em regiões bem definidas, no norte e noroeste, mas o problema maior não é o número de casos e, sim, a circulação de um novo tipo de vírus, que torna a dengue mais grave", acrescentou o infectologista.

De acordo com a secretaria, a dengue é uma doença sazonal - típica do verão - e cíclica, com oscilação de casos e aumento no número a cada três ou quatro anos. Em 2015, segundo a pasta, houve número recorde de infecções, com 709.445 casos. Somente em janeiro daquele ano, foram 41.844 casos.

Ação conjunta

Por diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS), ainda segundo a pasta, o trabalho de campo para o combate ao mosquito Aedes aegypti compete aos municípios, mas o Estado presta auxílio. Entre os dias 11 e 16 de fevereiro, o Estado atuou em ações conjuntas com as prefeituras para eliminar criadouros e orientar a população.

Entre os sintomas, estão manchas vermelhas na pele, dores nas articulações, febre e dor de cabeça. Muitas vezes, a dengue é confundida com outras doenças transmitidas pelo Aedes, como zika e chikungunya.

Capital tem 126 registros

Na capital paulista, foram confirmados 126 casos de dengue, segundo boletim divulgado pela Prefeitura em 5 de fevereiro. Há registros em todas as regiões. Campo Limpo, na zona sul, é o distrito que lidera em número de casos (10). Não havia relatos de mortes por causa da doença e, até a data, a cidade não registrava casos de zika e chikungunya, também transmitidas pelo Aedes aegypti. Em todo o Brasil, são 54,7 mil casos prováveis de dengue, alta de 149% em relação ao ano passado. A Região Sudeste concentra 60% dos registros.

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Estadão
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