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Caso Faustão: entenda como é o transplante de coração, riscos e pós-operatório

Apresentador de 73 anos recebeu um novo coração em cirurgia de 2h30 em São Paulo

27 ago 2023 - 18h45
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Faustão passou por transplante de coração
Faustão passou por transplante de coração
Foto: Renato Pizzutto/Band

O apresentador Faustão, de 73 anos, foi operado na tarde deste domingo, 27, para receber o transplante de coração. A cirurgia aconteceu no Hospital Israelita Albert Einstein, onde comunicador está internado desde o dia 6 de agosto, e durou cerca de 2h30.

O hospital foi acionado pela Central de Transplantes do Estado de São Paulo já na madrugada deste domingo, quando foi iniciada a avaliação sobre a compatibilidade do órgão, levando em consideração o tipo sanguíneo B.

Segundo o boletim médico, o procedimento foi realizado com sucesso. Faustão permanece internado na UTI, já que as próximas horas são importantes para acompanhamento da adaptação do órgão e controle de rejeição.

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Transplante pelo SUS

Mesmo que seja paciente da rede privada de saúde, Faustão entrou em uma fila gerida pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Ministério da Saúde, como é feito no caso de todos os outros órgãos, não só o coração. Isso quer dizer que ele estava em uma fila universal, administrada pelo SUS. Regionalmente, são as Centrais Estaduais de Transplantes que controlam para quem vai cada órgão doado.

A prioridade de Faustão em relação a outros doadores foi definida pela gravidade do seu caso. O Hospital do Coração (Hcor) esclarece que a gravidade do caso, o tipo sanguíneo e o tamanho corporal do paciente influencia no tempo de espera pelo órgão. Em casos menos graves, a espera por um transplante cardíaco pode ser de 12 a 18 meses, em média. Em casos mais graves, esse período pode ser reduzido para de dois a três meses.

Insuficiência cardíaca

A insuficiência cardíaca é a incapacidade do coração bombear o sangue para o corpo de forma eficaz. Assim, o coração não consegue suprir a demanda dos órgãos, da musculatura e da circulação periférica, explica o médico cardiologista Dr. Rizzieri Gomes.

Segundo o médico, na fase inicial, a doença não apresenta sintomas. Assim como é com a hipertensão, uma das principais causas da dilatação do coração. Da mesma forma, a diabetes e o infarto, problemas considerados "silenciosos", também podem contribuir para o surgimento da insuficiência cardíaca.

A Dra. Stephanie Rizk, médica especialista em transplante cardíaco e coração artificial da Rede D'Or e do Hospital Sírio-Libanês, acrescenta outras causas potenciais para o desenvolvimento da condição:

  • Doença arterial coronariana (entupimento das artérias do coração);
  • Arritmias cardíacas;
  • Problema na válvula do coração (decorrentes da febre reumática, por exemplo);
  • Cardiopatia congênita;
  • Miocardite (inflamação do músculo do coração).

Além disso, a especialista alerta para o uso de alguns quimioterápicos que têm potencial de danificar o coração e o consumo abusivo de álcool, entre outros fatores. 

Ao surgir o quadro de insuficiência cardíaca, o paciente pode evoluir com sintomas como falta de ar, fadiga, edema (inchaço) nas pernas e tornozelos, e ritmo cardíaco descompassado. "Além desses sintomas que pioram muito a qualidade de vida, a evolução da doença pode culminar em problemas no fígado e nos rins, além de arritmias graves potencialmente fatais", destaca. 

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Quando o transplante é indicado?

Conforme Stephanie, quadros mais avançados que não melhoram com a terapia padrão pode ser necessário o transplante cardíaco ou o implante do coração artificial. Rizzieri acrescenta que o transplante é a última linha de tratamento. Ou seja, quando todas as outras opções já foram esgotadas e o paciente não apresenta melhora significativa.

"A necessidade de transplante acontece quando o tratamento convencional, seja com cirurgias, dispositivos mecânicos e, principalmente, o tratamento medicamentoso associado a mudanças de estilos de vida, se tornam não responsivas. Isto é, não trazem melhora pro paciente", afirma o médico.

A médica cardiologista do Hospital Icaraí, Dra. Bruna Miliosse, aponta que atualmente já remédios disponíveis para melhorar o funcionamento do coração nesses casos de insuficiência cardíaca. Além disso, eles aumentam a sobrevida do paciente portador desta doença.

"Quando a doença evolui e o paciente para de responder a essas medicações, é possível que o único tratamento indicado seja o transplante cardíaco. Isso deve ser avaliado caso a caso pelo cardiologista responsável", informa Bruna.

Quais os riscos da cirurgia?

O cardiologista explica que, com o desenvolvimento de novas técnicas e de todo o controle operatório, os riscos da cirurgia de transplante cardíaco vêm se reduzindo. "A taxa de sucesso beira os 80% nos primeiros anos da cirurgia. No entanto, o desenrolar do pós-cirúrgico é um desafio. Isso porque conta com o período de adaptação ao órgão novo, rejeição dele e o uso de medicamentos de forma contínua", afirma.

A fisioterapeuta Leandra Marques, especialista em reabilitação cardiopulmar, destaca a importância da fisioterapia para preparar o paciente para o transplante cardíaco. "Antes do procedimento, tanto do dispositivo quanto o do transplante, o fisioterapeuta avalia a condição física do paciente, identifica as limitações e prepara o paciente para a cirurgia por meio de exercícios respiratórios, fortalecimento muscular e orientações sobre o procedimento", explica.

Segundo o Dr. Thiago Chaves Amorim, anestesiologista formado pelo Hospital Albert Einstein, a colaboração entre uma equipe multidisciplinar de médicos, incluindo anestesiologistas, cirurgiões e enfermeiros, é essencial para garantir que o paciente esteja nas melhores condições possíveis para o procedimento. 

"A avaliação meticulosa das condições de saúde do paciente, juntamente com o monitoramento contínuo durante o procedimento, são aspectos cruciais para o sucesso da cirurgia", destaca o profissional. 

Ele ressalta a ainda a importância da comunicação aberta e transparente com o paciente e sua família. "Esse diálogo ajuda a esclarecer dúvidas, aliviar preocupações e criar um ambiente de confiança durante o processo cirúrgico", afirma.

Pós-operatório

O Dr. Rizzieri Gomes reforça que o pós-operatório é um grande desafio. "A cirurgia sim tem seu risco, mas o pós-operatório é fundamental", destaca. Com relação ao segmento da vida do paciente, notavelmente haverá uma melhora. "[Após o transplante], ele recupera a capacidade funcional e muitas vezes até mesmo poderá fazer atividade física, atividades que eram limitadas antes", afirma o médico. 

Leandra explica que, após o transplante, o fisioterapeuta inicia um programa de reabilitação personalizado para auxiliar na recuperação. "Isso pode incluir exercícios para fortalecimento, mobilidade, resistência cardiovascular e respiratória. Além disso, eles ajudam o paciente a retomar as atividades diárias, monitorando de perto a função cardíaca durante o esforço físico e suas adaptações para superar as limitações pós-cirúrgicas", detalha.

Além disso, os pacientes enfrentam a necessidade de se adaptar a uma nova realidade após o procedimento. "Isso inclui aderir a um regime de medicamentos, realizar acompanhamento médico regular e adotar um estilo de vida saudável para manter a saúde do coração", destaca a fisioterapeuta.

Bruna Miliosse acrescenta que o paciente precisa usar medicações que podem diminuir sua imunidade, para evitar que o seu corpo rejeite o órgão transplantado. "Logo, cuidado redobrado deve ser tomado para evitar infecções nesses pacientes, pois estão mais frágeis. Mas o paciente pode ter uma boa qualidade de vida após o transplante, caso tudo corra bem", diz a profissional.

O cardiologista Dr. Rizzieri Gomes reforça a importância de uma adesão rigorosa ao tratamento medicamentoso, além de manter acompanhamentos e diagnósticos preventivos regulares. "Não tem opção de não fazê-lo, porque não basta só trocar o órgão, ele vai ter que manter cuidados contínuos para manter o novo órgão saudável. Isso é extremamente importante", afirma.

*Com informações do Saúde em Dia

Fonte: Redação Terra
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