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AVC: como prevenir e reconhecer sinais de alerta

Neuropsicóloga Adriana Fóz, que enfrentou um AVC grave, alerta para fatores de risco negligenciados e explica por que os cuidados com a saúde cerebral devem começar antes dos primeiros sintomas

26 out 2026 - 13h01
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Resumo
A prevenção do AVC exige atenção contínua à saúde cerebral antes do surgimento de sintomas, controlando fatores de risco silenciosos como hipertensão, diabetes, colesterol e sedentarismo. Aliada a hábitos saudáveis e estímulos cognitivos, a rapidez no socorro é vital para reduzir sequelas: sinais súbitos como assimetria facial, perda de força, alteração na fala, problemas visuais e tontura exigem acionamento imediato do serviço de emergência via SAMU (192) para garantir atendimento ágil.

Muitas pessoas sabem que controlar a pressão arterial faz bem à saúde, mas quantas acompanham seus níveis regularmente? Quantas conhecem os próprios fatores de risco para um acidente vascular cerebral (AVC) ou sabem reconhecer os sinais de que algo está errado?

Saiba mais informações sobre o AVC
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Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Para a neuropsicóloga e psicopedagoga Adriana Fóz, essas perguntas revelam um problema importante: embora o AVC possa ter consequências graves, a prevenção ainda não ocupa o espaço que deveria na rotina de muitas pessoas.

Por que tanta gente só se preocupa com o cérebro após um alerta?

Adriana conhece essa realidade também pela experiência pessoal. Depois de enfrentar um AVC grave, passou pela recuperação e teve contato direto com as mudanças que um evento dessa natureza pode provocar na vida.

Sua trajetória profissional, dedicada à neuropsicologia e ao funcionamento do cérebro, acrescenta outra perspectiva à experiência: a importância de compreender que a saúde cerebral não pode ser uma preocupação restrita ao momento em que surgem sintomas.

"O AVC muda a vida de uma pessoa e também pode transformar a rotina de toda a família. Por isso, precisamos falar mais sobre prevenção, sobre os fatores de risco e sobre a importância de não adiar os cuidados com a saúde. Não podemos esperar que alguma coisa aconteça para começar a prestar atenção ao nosso corpo", afirma Adriana.

O que causa um AVC?

Um AVC acontece quando um vaso sanguíneo que leva sangue ao cérebro é obstruído ou se rompe. A interrupção do fluxo sanguíneo pode provocar lesões cerebrais em pouco tempo, e a rapidez do atendimento influencia as possibilidades de tratamento.

Entre os principais fatores de risco estão:

  • Diabetes.

  • Colesterol elevado.

  • Tabagismo.

  • Sedentarismo.

  • Doenças cardíacas.

Muitos desses fatores podem ser identificados e controlados com acompanhamento profissional e mudanças de hábitos.

Por que a pressão alta exige atenção?

Um dos desafios é que alguns fatores de risco não provocam sintomas perceptíveis no dia a dia. A hipertensão, por exemplo, pode permanecer silenciosa por anos.

Por isso, esperar algum desconforto para procurar avaliação não é uma estratégia segura. Medir a pressão, realizar consultas e exames conforme orientação médica, seguir os tratamentos prescritos e manter uma rotina de atividade física são medidas que contribuem para a redução do risco de AVC.

Como cuidar da saúde cerebral antes dos sintomas?

Para Adriana, a prevenção também exige ampliar a maneira como pensamos sobre o cérebro.

"Além dos cuidados com a saúde vascular, sono adequado, aprendizagem contínua, relações sociais e atividades que estimulem o raciocínio contribuem para o bem-estar cognitivo. A chamada reserva cognitiva, construída ao longo da vida por meio de experiências e aprendizados, é um tema importante nesse contexto, embora não impeça a ocorrência de um AVC nem substitua o controle dos fatores de risco", explica.

Esses cuidados fazem parte de uma rotina voltada ao bem-estar cognitivo. No entanto, é importante lembrar que atividades que estimulam o raciocínio, uma boa noite de sono e a convivência social não substituem o controle da pressão arterial, do diabetes e de outros fatores associados ao AVC.

Quais são os sinais de alerta de um AVC?

Outro ponto fundamental é saber reconhecer uma emergência. Algumas alterações podem indicar que o cérebro não está recebendo sangue adequadamente ou que houve sangramento.

Entre os principais sinais estão:

  • Alterações súbitas na fala ou dificuldade para compreender o que é dito.

  • Assimetria no rosto, como um lado da boca ficar caído.

  • Perda de força em um braço ou em um lado do corpo.

  • Dificuldade repentina para enxergar.

  • Perda súbita de equilíbrio ou dificuldade para caminhar.

  • Dor de cabeça súbita e muito intensa, especialmente quando acompanhada de outros sintomas neurológicos.

Diante da suspeita de AVC, é necessário acionar imediatamente o serviço de emergência pelo SAMU (192).

Não espere os sintomas passarem nem tente levar a pessoa ao atendimento sem considerar a urgência da situação. Mesmo que as alterações desapareçam, a avaliação médica continua indispensável.

A prevenção precisa fazer parte da rotina

"Cuidar do cérebro não é uma preocupação que deve surgir apenas com o envelhecimento ou depois de um diagnóstico. É uma escolha que fazemos ao longo da vida, com atenção aos fatores que podemos controlar e sem negligenciar os sinais que exigem atendimento. A informação é uma parte importante desse processo, porque ajuda as pessoas a reconhecer riscos e agir a tempo", conclui Adriana.

A prevenção do AVC começa com medidas que podem ser incorporadas ao cotidiano, como acompanhar a pressão arterial, manter os exames em dia, seguir as orientações médicas e evitar o tabagismo. Reconhecer os sinais de alerta também é fundamental para buscar atendimento rapidamente.

Cuidar da saúde cerebral antes dos primeiros sintomas é uma forma de reduzir riscos e preservar a qualidade de vida.

Saúde em Dia
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