AVC: como prevenir e reconhecer sinais de alerta
Neuropsicóloga Adriana Fóz, que enfrentou um AVC grave, alerta para fatores de risco negligenciados e explica por que os cuidados com a saúde cerebral devem começar antes dos primeiros sintomas
A prevenção do AVC exige atenção contínua à saúde cerebral antes do surgimento de sintomas, controlando fatores de risco silenciosos como hipertensão, diabetes, colesterol e sedentarismo. Aliada a hábitos saudáveis e estímulos cognitivos, a rapidez no socorro é vital para reduzir sequelas: sinais súbitos como assimetria facial, perda de força, alteração na fala, problemas visuais e tontura exigem acionamento imediato do serviço de emergência via SAMU (192) para garantir atendimento ágil.
Muitas pessoas sabem que controlar a pressão arterial faz bem à saúde, mas quantas acompanham seus níveis regularmente? Quantas conhecem os próprios fatores de risco para um acidente vascular cerebral (AVC) ou sabem reconhecer os sinais de que algo está errado?
Para a neuropsicóloga e psicopedagoga Adriana Fóz, essas perguntas revelam um problema importante: embora o AVC possa ter consequências graves, a prevenção ainda não ocupa o espaço que deveria na rotina de muitas pessoas.
Por que tanta gente só se preocupa com o cérebro após um alerta?
Adriana conhece essa realidade também pela experiência pessoal. Depois de enfrentar um AVC grave, passou pela recuperação e teve contato direto com as mudanças que um evento dessa natureza pode provocar na vida.
Sua trajetória profissional, dedicada à neuropsicologia e ao funcionamento do cérebro, acrescenta outra perspectiva à experiência: a importância de compreender que a saúde cerebral não pode ser uma preocupação restrita ao momento em que surgem sintomas.
"O AVC muda a vida de uma pessoa e também pode transformar a rotina de toda a família. Por isso, precisamos falar mais sobre prevenção, sobre os fatores de risco e sobre a importância de não adiar os cuidados com a saúde. Não podemos esperar que alguma coisa aconteça para começar a prestar atenção ao nosso corpo", afirma Adriana.
O que causa um AVC?
Um AVC acontece quando um vaso sanguíneo que leva sangue ao cérebro é obstruído ou se rompe. A interrupção do fluxo sanguíneo pode provocar lesões cerebrais em pouco tempo, e a rapidez do atendimento influencia as possibilidades de tratamento.
Entre os principais fatores de risco estão:
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Diabetes.
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Colesterol elevado.
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Tabagismo.
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Sedentarismo.
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Doenças cardíacas.
Muitos desses fatores podem ser identificados e controlados com acompanhamento profissional e mudanças de hábitos.
Por que a pressão alta exige atenção?
Um dos desafios é que alguns fatores de risco não provocam sintomas perceptíveis no dia a dia. A hipertensão, por exemplo, pode permanecer silenciosa por anos.
Por isso, esperar algum desconforto para procurar avaliação não é uma estratégia segura. Medir a pressão, realizar consultas e exames conforme orientação médica, seguir os tratamentos prescritos e manter uma rotina de atividade física são medidas que contribuem para a redução do risco de AVC.
Como cuidar da saúde cerebral antes dos sintomas?
Para Adriana, a prevenção também exige ampliar a maneira como pensamos sobre o cérebro.
"Além dos cuidados com a saúde vascular, sono adequado, aprendizagem contínua, relações sociais e atividades que estimulem o raciocínio contribuem para o bem-estar cognitivo. A chamada reserva cognitiva, construída ao longo da vida por meio de experiências e aprendizados, é um tema importante nesse contexto, embora não impeça a ocorrência de um AVC nem substitua o controle dos fatores de risco", explica.
Esses cuidados fazem parte de uma rotina voltada ao bem-estar cognitivo. No entanto, é importante lembrar que atividades que estimulam o raciocínio, uma boa noite de sono e a convivência social não substituem o controle da pressão arterial, do diabetes e de outros fatores associados ao AVC.
Quais são os sinais de alerta de um AVC?
Outro ponto fundamental é saber reconhecer uma emergência. Algumas alterações podem indicar que o cérebro não está recebendo sangue adequadamente ou que houve sangramento.
Entre os principais sinais estão:
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Alterações súbitas na fala ou dificuldade para compreender o que é dito.
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Assimetria no rosto, como um lado da boca ficar caído.
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Perda de força em um braço ou em um lado do corpo.
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Dificuldade repentina para enxergar.
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Perda súbita de equilíbrio ou dificuldade para caminhar.
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Dor de cabeça súbita e muito intensa, especialmente quando acompanhada de outros sintomas neurológicos.
Diante da suspeita de AVC, é necessário acionar imediatamente o serviço de emergência pelo SAMU (192).
Não espere os sintomas passarem nem tente levar a pessoa ao atendimento sem considerar a urgência da situação. Mesmo que as alterações desapareçam, a avaliação médica continua indispensável.
A prevenção precisa fazer parte da rotina
"Cuidar do cérebro não é uma preocupação que deve surgir apenas com o envelhecimento ou depois de um diagnóstico. É uma escolha que fazemos ao longo da vida, com atenção aos fatores que podemos controlar e sem negligenciar os sinais que exigem atendimento. A informação é uma parte importante desse processo, porque ajuda as pessoas a reconhecer riscos e agir a tempo", conclui Adriana.
A prevenção do AVC começa com medidas que podem ser incorporadas ao cotidiano, como acompanhar a pressão arterial, manter os exames em dia, seguir as orientações médicas e evitar o tabagismo. Reconhecer os sinais de alerta também é fundamental para buscar atendimento rapidamente.
Cuidar da saúde cerebral antes dos primeiros sintomas é uma forma de reduzir riscos e preservar a qualidade de vida.
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