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Após inverno mais quente, SP terá campanha contra dengue em outubro

Julho de 2019 teve dez vezes mais registros de caso do que o ano passado; 'Aedes' também transmite zika

9 set 2019
21h10
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SOROCABA - O inverno com pouco frio neste ano não interrompeu o ciclo de proliferação do mosquito Aedes aegypti no Estado de São Paulo. Em julho, foram registrados 6.161 novos casos de dengue no Estado, ao menos dez vezes mais do que os 592 de julho do ano passado - os dados de agosto ainda não estão disponíveis. O alto índice de focos em algumas regiões do interior e o risco de uma nova epidemia levou a Secretaria da Saúde paulista a já programar uma campanha contra a dengue para o mês de outubro.

A campanha paulista contra a dengue será lançada entre a 2ª e a 3ª semana de outubro, antecedendo em quase um mês a campanha que vem sendo realizada, nos últimos anos, em novembro, pelo Ministério da Saúde. O objetivo é envolver as prefeituras e mobilizar a população para intensificar o combate ao Aedes, que transmite ainda zika e chikungunya. "Temos como agravante a circulação do sorotipo 2 do vírus, principalmente nas regiões oeste e noroeste do Estado. Nessas regiões, os focos do Aedes ainda estão altos e há preocupação quanto a um provável episódio de epidemia entre o fim de outubro e novembro", disse.

Conforme o último boletim da pasta, até 16 de agosto São Paulo tinha confirmados 346.906 casos de dengue, dos quais 209 resultaram em mortes. Por causa da circulação do sorotipo 2, muitas pessoas que já haviam tido a dengue do tipo 1 acabaram sofrendo nova infecção, com quadros clínicos mais graves. A maior parte dos casos registrados no inverno é do sorotipo 2.

Boulos lembra que a doença é cíclica e sofre a influência do El Niño, fenômeno climático que resulta em mais chuvas e temperaturas elevadas, favorecendo a proliferação do mosquito. Em 2015, quando o fenômeno se manifestou pela última vez, São Paulo viveu a maior epidemia de dengue, com 709.445 casos e 513 mortes. "O El Niño está passando outra vez e, se não trabalharmos muito, a perspectiva é de proliferação maior do Aedes", disse.

O risco preocupa a Secretaria de Saúde de Bauru, no noroeste paulista. Este ano, mais de 25 mil pessoas ficaram doentes e 32 morreram com dengue. Em julho, o mês mais frio, 39 pessoas tiveram a doença - em julho do ano passado tinham sido apenas três casos. "Não são esperados casos no inverno e, se eles acontecem, isso indica que a transmissão não se interrompeu", disse Roldão Puci, da Divisão de Vigilância Ambiental.

Em São José do Rio Preto, a Secretaria de Saúde confirmou nesta segunda-feira, 9, duas novas mortes por dengue, mas os pacientes haviam apresentado os primeiros sintomas em maio. A confirmação só aconteceu depois que saíram os exames feitos no Instituto Adolfo Lutz. Com esses, já são 18 óbitos no município este ano.

Em julho, as cidades que tiveram os maiores números de casos ficam entre o oeste e o norte de São Paulo, regiões mais quentes do Estado, como Votuporanga (496 casos), Rio Preto (312), Presidente Prudente (274) e Araçatuba (240). Fora dessas regiões, houve 357 casos em Campinas e 316 na capital.

Estadão
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