Anvisa aprova medicamento para câncer de pulmão avançado e nova opção contra câncer de mama
Aprovações contemplam perfis específicos de pacientes e incluem casos com poucas alternativas após tratamentos anteriores
A Anvisa aprovou dois novos tratamentos oncológicos específicos. O Emrelis (telisotuzumabe vedotina) foi autorizado para adultos com câncer de pulmão de células não pequenas avançado, não escamoso e com superexpressão da proteína c-Met, após terapia prévia, apresentando taxa de resposta de até 34,5%. Já o Poherdy (pertuzumabe) foi liberado para pacientes com câncer de mama HER2-positivo em fases iniciais de alto risco ou casos metastáticos sem tratamento prévio, em combinação com outras drogas.
Um novo medicamento para casos avançados de câncer de pulmão recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência também autorizou outra opção terapêutica para pacientes com câncer de mama HER2-positivo.
As duas aprovações atendem grupos definidos de pacientes e não significam que os tratamentos possam ser usados em qualquer diagnóstico desses tumores. No caso do câncer de pulmão, por exemplo, a indicação depende de características específicas das células cancerígenas e de tratamentos realizados anteriormente.
Medicamento para câncer de pulmão avançado
A Anvisa aprovou o Emrelis, cujo princípio ativo é o telisotuzumabe vedotina, para adultos com câncer de pulmão de células não pequenas, o CPCNP, do tipo não escamoso. O tratamento atende pacientes com doença localmente avançada ou metastática, EGFR do tipo selvagem e alta superexpressão da proteína c-Met. A pessoa também precisa ter recebido uma terapia sistêmica anteriormente.
A ação do remédio se concentra justamente na c-Met. O composto reconhece essa proteína na superfície das células tumorais e leva para dentro delas uma substância capaz de provocar sua destruição. Segundo dados divulgados pela Anvisa, o CPCNP corresponde a cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão, e aproximadamente 70% desse grupo pertence ao subtipo não escamoso.
A agência ressalta que as opções costumam se tornar mais limitadas quando a doença avança e o paciente já passou por outros tratamentos. "Pacientes com doença localmente avançada ou metastática (quando as células do tumor se propagam para outras partes do corpo) apresentam prognóstico desfavorável. Após a quimioterapia e imunoterapia, há uma limitada disponibilidade de terapias", informou a Anvisa.
Estudo mostrou resposta em parte dos pacientes
A Anvisa baseou a aprovação principalmente nos resultados do estudo de fase 2 LUMINOSITY, realizado com pessoas que já haviam recebido tratamento para esse tipo de câncer. Na população total avaliada, 29,2% apresentaram resposta objetiva ao Emrelis. Entre os pacientes com alta superexpressão de c-Met, o índice chegou a 34,5%.
A Anvisa afirmou que o resultado esteve "associado a respostas duradouras e benefício clínico relevante em um cenário terapêutico com opções limitadas". A chamada taxa de resposta objetiva indica a proporção de pacientes que apresentou redução ou desaparecimento do tumor dentro dos critérios adotados pelo estudo.
Nova opção também é aprovada para câncer de mama
A Anvisa também autorizou o registro do Poherdy, à base de pertuzumabe, para determinados casos de câncer de mama HER2-positivo. Na doença metastática ou localmente recorrente que não pode ser operada, os médicos devem combinar o medicamento com trastuzumabe e docetaxel. A indicação vale para pacientes que ainda não receberam quimioterapia ou tratamento anti-HER2 para esse quadro.
O Poherdy também poderá integrar o tratamento de alguns casos iniciais com alto risco de recorrência. Antes da cirurgia, os médicos podem usar a combinação em tumores HER2-positivos localmente avançados, inflamatórios ou em estágio inicial considerados de maior risco. Depois do procedimento, o medicamento ainda pode integrar a terapia de pacientes com maior possibilidade de retorno da doença.
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