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Alerta: afogamento infantil sobe 40% nas férias

Piscinas domésticas concentram a maioria dos casos e seguem como ameaça subestimada pelas famílias durante o verão

5 jan 2026 - 14h00
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O período de férias escolares marca também o momento mais crítico para acidentes aquáticos envolvendo crianças no Brasil.

Brasil registra, em média, quatro mortes infantis por afogamento por dia
Brasil registra, em média, quatro mortes infantis por afogamento por dia
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Dados consolidados de 2025 indicam que o país registra, em média, quatro mortes infantis por afogamento por dia, número que se mantém elevado mesmo com campanhas recorrentes de conscientização.

O afogamento continua sendo a principal causa de morte entre crianças de 1 a 4 anos e a segunda entre 5 e 9 anos, revelando um risco estrutural que ainda persiste, sobretudo em ambientes considerados seguros pelas famílias, como casas e condomínios.

Piscinas residenciais lideram os casos

As piscinas domésticas seguem no centro do problema e são responsáveis por 55% dos afogamentos nessa faixa etária.

A maioria dos acidentes ocorre em locais sem barreiras físicas adequadas, como cercas, portões de segurança ou alarmes, além da ausência de supervisão contínua de adultos.

Durante o verão, a situação se agrava. As férias concentram cerca de 40% das mortes por afogamento registradas na estação, período em que as crianças passam mais tempo em clubes, praias, casas de familiares e residências com piscinas compartilhadas.

Diferenças regionais expõem vulnerabilidades

A gravidade do cenário varia de acordo com a região do país. Estados como Amapá e Amazonas apresentam índices significativamente acima da média nacional, reflexo da maior exposição a rios, igarapés e balneários improvisados.

Já centros urbanos como São Paulo registram taxas menores, associadas à presença de campanhas estruturadas de prevenção e maior acesso à informação.

Apesar dessas diferenças, especialistas alertam que o risco está presente em todo o território nacional e exige atenção constante, especialmente dentro de casa.

Mais lazer, mais responsabilidade

O crescimento do número de piscinas residenciais, a expansão dos condomínios-clube e o aumento da prática esportiva em ambientes aquáticos ampliaram o acesso ao lazer, mas também elevaram a exposição de crianças pequenas a situações de risco.

Esse cenário tem impulsionado o mercado de produtos e serviços ligados ao universo aquático, que passa a assumir um papel mais ativo na prevenção.

Para Roberto Jalonetsky, CEO da Speedo Multisport, segurança e diversão precisam caminhar juntas:

"A segurança precisa acompanhar o prazer de estar na água. As marcas têm papel direto em orientar famílias, oferecer informação confiável e criar ferramentas práticas que salvem vidas. Por isso estruturamos materiais acessíveis e pensados para a realidade das casas brasileiras", afirma.

Informação e supervisão salvam vidas

Especialistas reforçam que a maior parte dos afogamentos infantis poderia ser evitada com medidas simples, como:

  • supervisão ativa e ininterrupta de adultos;

  • instalação de cercas e portões de segurança ao redor das piscinas;

  • retirada de brinquedos da água após o uso;

  • educação das crianças sobre riscos aquáticos desde cedo.

Um dos principais desafios é o falso sentimento de segurança. Muitos acidentes acontecem em ambientes familiares, onde os responsáveis tendem a relaxar a vigilância.

Prevenção exige ação coletiva

A discussão sobre segurança infantil em ambientes aquáticos vai além da responsabilidade individual. Envolve famílias, escolas, gestores públicos e empresas, especialmente em um país onde o verão prolongado aumenta a exposição das crianças à água.

Para Jalonetsky, a construção de uma cultura de cuidado precisa ser contínua.

"Proteger vidas faz parte do nosso papel. Queremos que as famílias estejam preparadas para reconhecer riscos e agir com atenção, porque a segurança deve ser prioridade absoluta antes de qualquer diversão na água", conclui.

Saúde em Dia
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