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3 mitos sobre a cirurgia bariátrica esclarecidos por um especialista

Bariátrica não é atalho

15 jul 2026 - 14h22
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Resumo
A cirurgia bariátrica e metabólica vai além da redução de peso: ela ajuda a combater a obesidade e doenças como diabetes tipo 2, oferecendo melhora na qualidade de vida e redução de riscos cardiovasculares. Mitos, como medo de complicações e estigmas relacionados à falta de força de vontade, ainda afastam pacientes que poderiam se beneficiar. 🩺

Medo de sequelas, estigma social e desconhecimento sobre ação metabólica do procedimento podem impedir pacientes de buscar o tratamento

A cirurgia bariátrica e metabólica, popularmente conhecida como cirurgia de redução de estômago, está entre os procedimentos com maior impacto comprovado na diminuição da mortalidade associada à obesidade. Estudos de longo prazo demonstram queda significativa do risco cardiovascular, remissão do diabetes tipo 2 e melhora expressiva da qualidade de vida. No entanto, apesar de ela ser uma ferramenta importante para pacientes com indicação médica, vários mitos ainda cercam essa intervenção, o que pode afastar pessoas que se beneficiariam do tratamento.

César De Fazzio é cirurgião bariátrico
César De Fazzio é cirurgião bariátrico
Foto: Victor Moura / Revista Malu

O cirurgião bariátrico César De Fazzio, diretor do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília, explica que o denominador comum por trás do receio dos pacientes é a desinformação e o antídoto é a orientação técnica e o acolhimento no consultório. "Meu papel não é apenas operar. É avaliar se a cirurgia é a melhor opção para aquela pessoa, entendendo seu contexto com profundidade, e garantir que ela entenda o que muda e o que não muda depois do procedimento", afirma o médico, que aponta os três equívocos mais comuns trazidos pelos pacientes.

Mito 1: a bariátrica é perigosa e o pós-operatório é muito difícil

O medo do procedimento cirúrgico ou de seus desdobramentos é um dos principais fatores que levam pacientes a adiar uma decisão que poderia impactar positivamente a sua saúde. A realidade, porém, é bem diferente do imaginário popular. Segundo o Fact Sheet 2025 da Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (ASMBS), a bariátrica evoluiu de um procedimento de alto risco no passado para uma das cirurgias mais seguras do mundo. Os dados mostram que o risco de morte associado ao procedimento é de aproximadamente 0,1%, comparável em segurança a procedimentos cirúrgicos de rotina, como a retirada da vesícula ou do apêndice.

O especialista também esclarece que sintomas como vômitos frequentes, náuseas severas, dores intensas e persistentes ou intolerância à hidratação fogem da normalidade no pós-operatório e exigem investigação imediata. "Muitos problemas atribuídos ao procedimento geralmente decorrem de falta de acompanhamento pós-operatório ou de cirurgias que não foram bem conduzidas, não da intervenção em si. Quando o procedimento é bem indicado, bem executado e tem acompanhamento adequado, o paciente evolui de forma muito mais tranquila", ressalta De Fazzio.

Mito 2: a intervenção é para quem não tem força de vontade

O estigma de que a bariátrica é uma saída fácil para quem não consegue emagrecer por conta própria ainda persiste no senso comum e pode ser um dos mais prejudiciais, porque carrega um julgamento moral que pode constranger pacientes e afastá-los do cuidado que precisam. "A obesidade não é falta de força de vontade. A Organização Mundial da Saúde a reconhece como uma doença crônica e multifatorial, que exige o mesmo tratamento sério que dispensamos à hipertensão ou a qualquer outra condição de saúde", defende o cirurgião.

No consultório, o profissional atende diariamente pacientes que tentaram dietas, exercícios e medicamentos por anos sem sucesso sustentado e que continuavam sofrendo consequências da obesidade, como apneia do sono, problemas articulares, risco cardiovascular elevado e resistência insulínica. "Quando o tratamento clínico não é suficiente, a cirurgia existe como uma ferramenta médica segura, eficaz e validada por décadas de evidência científica para os casos em que há indicação", afirma.

Mito 3: a cirurgia só faz a pessoa comer menos

Talvez o mito mais técnico dos três, mas igualmente relevante para quem está avaliando o tratamento. A crença de que a bariátrica funciona apenas por restrição mecânica, reduzindo o tamanho do estômago para que o paciente simplesmente ingira menos comida, revela desconhecimento sobre o mecanismo de atuação do procedimento. "A cirurgia não se limita à restrição da ingestão alimentar. Ela promove uma verdadeira reprogramação endócrina", explica De Fazzio.

Com as alterações anatômicas no trato gastrointestinal, ocorre uma modificação imediata na secreção de hormônios responsáveis por regular o apetite, a saciedade e o metabolismo da glicose. É por isso que muitos pacientes com doenças crônicas como diabetes tipo 2 conseguem suspender completamente a medicação já nos primeiros dias após a cirurgia, antes mesmo de uma perda de peso expressiva. "Quando o paciente entende que a bariátrica é um procedimento metabólico que reprograma o organismo, ele descobre que o benefício do procedimento vai além da perda de peso", conclui.

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