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Enxaqueca atinge mais mulheres e pode aumentar risco de AVC, aponta estudo

Variações nos níveis hormonais ao longo da vida podem funcionar como gatilhos e agravar os sintomas da doença

13 ago 2026 - 14h25
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Resumo
Quase metade da população nas Américas convive com doenças neurológicas, e a enxaqueca é uma das mais comuns entre jovens e adultos. As mulheres são as mais afetadas, devido a fatores hormonais. Além de prejudicar a qualidade de vida, a doença pode aumentar o risco de AVC. Tratamento personalizado é essencial para controlar os sintomas. 🤕

Um relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apontou que quase metade da população das Américas convive com pelo menos uma doença neurológica.

Saiba mais informações sobre a enxaqueca
Saiba mais informações sobre a enxaqueca
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

No continente, 470 milhões de pessoas são afetadas.

Entre os idosos, as demências, como o Alzheimer, estão entre os distúrbios mais frequentes.

Já entre adolescentes e jovens adultos, a enxaqueca aparece entre as principais causas de incapacidade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta cerca de 30 milhões de brasileiros.

Outros 27 milhões convivem com a condição sem diagnóstico, de acordo com um levantamento realizado com o apoio da Abraces (Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca).

Entre as pessoas diagnosticadas, as mulheres representam aproximadamente 75% dos casos.

Mulheres são mais afetadas pela enxaqueca

De acordo com a neurologista Thais Villa, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca e fundadora do Headache Center Brasil, as mulheres são as mais impactadas pela condição.

Elas tendem a apresentar crises mais intensas, frequentes e duradouras. Outros sintomas também podem ser mais fortes.

Por isso, elas procuram atendimento médico especializado com maior frequência.

Essa vulnerabilidade está relacionada, principalmente, às oscilações hormonais.

O estrogênio é um hormônio presente em maior concentração no organismo feminino. Ele influencia mecanismos cerebrais envolvidos na percepção e na modulação da dor.

Por isso, alterações nos níveis desse hormônio podem funcionar como gatilhos. É o caso das mudanças que acontecem ao longo do ciclo menstrual.

"A enxaqueca é caracterizada por um estado de hiperexcitabilidade cerebral. Durante as crises, o cérebro reage de forma exacerbada a estímulos internos e externos, o que desencadeia dor e uma série de sintomas associados. A causa é hereditária, ou seja, a pessoa já nasce com predisposição para a doença. Fatores ambientais e hormonais atuam como gatilhos ao longo da vida", explica Thais Villa.

Risco aumentado para AVC

Entre as mulheres, as crises tendem a ser mais intensas e incapacitantes. Isso ocorre principalmente da adolescência até por volta dos 50 anos.

Esse período é marcado por intensa atividade hormonal. Também coincide com a fase reprodutiva.

Nessa etapa, muitas mulheres utilizam a pílula anticoncepcional. A maioria das formulações combinadas associa estrogênio e progesterona.

Segundo Thais Villa, estudos recentes indicam que essa combinação pode representar "uma bomba", aumentando em até 15 vezes o risco de AVC.

"O cenário torna-se ainda mais preocupante quando há a combinação dos fatores enxaqueca com aura (caracterizada por alterações visuais), uso de anticoncepcional com hormônios combinados e tabagismo. Nesses casos, o risco de acidente vascular cerebral pode ser até 30 vezes maior", alerta a neurologista.

Enxaqueca pode afetar a qualidade de vida

Apesar dos números, existem formas de controlar a doença.

As crises podem ser reduzidas com acompanhamento adequado. A dor de cabeça é um dos principais sintomas, mas não é o único.

A enxaqueca também pode provocar outros sintomas. Eles podem interferir no trabalho, nos estudos e nas atividades do dia a dia.

Por isso, identificar a doença e buscar tratamento são medidas importantes.

Tratamento deve ser individualizado

O tratamento da enxaqueca pode envolver diferentes profissionais.

Uma abordagem multidisciplinar considera os vários fatores que podem influenciar as crises.

Neurologistas, psicólogos, nutricionistas e outros especialistas podem atuar em conjunto. O acompanhamento pode avaliar aspectos hormonais, emocionais, alimentares e comportamentais.

Com estratégias individualizadas, é possível reduzir o impacto da doença e melhorar a qualidade de vida.

"Existe tratamento eficaz para a enxaqueca e ele precisa considerar o paciente em sua individualidade. Isso significa associar terapias de última geração a estratégias não medicamentosas, capazes de prevenir as crises e reduzir sua frequência e intensidade. O cuidado deve ser personalizado, contínuo e adaptado às necessidades de cada pessoa", explica Thais Villa.

Automedicação pode piorar as crises

Outro ponto de atenção é o uso frequente de medicamentos por conta própria.

O excesso de cafeína também merece cuidado.

Embora possam proporcionar alívio momentâneo, essas estratégias não tratam a causa da enxaqueca.

Em alguns casos, o uso excessivo de medicamentos e cafeína pode contribuir para a manutenção do ciclo da dor. Isso favorece a cronificação da doença.

Por isso, crises frequentes ou incapacitantes devem ser avaliadas por um profissional de saúde. O diagnóstico correto ajuda a definir a melhor estratégia de tratamento.

Saúde em Dia
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