Afastamentos por saúde mental crescem 143% e acendem alerta
Casos de afastamento por saúde mental crescem 143% no Brasil. Entenda as causas e como proteger seu bem-estar.
Transtornos mentais crescem e afetam o mundo todo
Os afastamentos por saúde mental aumentaram 143% nos últimos anos, segundo dados do INSS divulgados em 2025.
O número revela um cenário preocupante de bem-estar emocional comprometido entre os trabalhadores brasileiros.
Embora o tema ganhe destaque durante o Janeiro Branco, os dados mostram que o problema é contínuo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivam com algum transtorno mental.
Entre as condições mais comuns estão a ansiedade e a depressão, que afetam profissionais de todas as idades e setores.
Esses transtornos comprometem a produtividade, o foco e a qualidade das relações no trabalho.
Além disso, o aumento da competitividade e o ritmo acelerado das empresas agravam o quadro de exaustão mental.
Os números deixam claro: a saúde mental é um desafio global e contínuo.
Cuidar da mente é também cuidar do pensamento
Para a especialista Clara Cecchini, graduada pela UNICAMP e com MBA pela FGV, cuidar da saúde mental vai muito além de tratar sintomas.
É preciso também cuidar da saúde cognitiva, responsável pela forma como pensamos, aprendemos e decidimos.
"O foco excessivo em sintomas e diagnósticos pode deixar de lado os efeitos dos ambientes sobrecarregados", explica Clara.
De acordo com a especialista, o que se observa hoje não é apenas exaustão emocional, mas também sobrecarga mental persistente.
Muitos profissionais tomam decisões automáticas e deixam de transformar experiências em aprendizado real.
Alguns sinais de alerta para a sobrecarga mental incluem:
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Dificuldade de concentração;
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Cansaço mesmo após o descanso;
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Tomada de decisões automáticas;
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Sensação de esgotamento constante.
O Janeiro Branco deve ser visto como um convite à consciência mental.
"Cuidar da saúde mental envolve qualificar a forma de pensar, aprender e decidir. Não se trata de silenciar o cérebro, mas de usá-lo com mais intenção", afirma Clara.
Em tempos de excesso de informação, cuidar da mente é uma forma de sobrevivência emocional e equilíbrio psicológico.
A pressão pela eficiência e os limites humanos
A pressão constante por produtividade tem afetado diretamente a saúde mental dos trabalhadores.
Segundo Patricia Ansarah, CEO do Instituto Internacional de Segurança Psicológica (IISP), o avanço tecnológico trouxe ganhos, mas também desequilíbrios.
"A eficiência nunca foi tão alta dentro das empresas. Mas os indicadores humanos caminham na direção oposta", alerta Patricia.
Ela explica que a automação reduziu erros e acelerou processos, mas também aumentou o cansaço, o estresse e a dispersão.
O problema, segundo a especialista, é o esgotamento da energia subjetiva — a força usada para pensar e criar.
Além disso, a busca incessante por resultados imediatos gera um ambiente de pressão constante e fadiga emocional.
"A exaustão mental não é só um problema de saúde. É um risco estratégico para o negócio", reforça Patricia.
Funcionários sobrecarregados têm queda de engajamento, menor produtividade e maior chance de desligamento.
Com isso, a saúde mental se torna também um tema de gestão e sustentabilidade corporativa.
Comunicação e saúde mental: o elo esquecido nas empresas
Outro ponto essencial para o equilíbrio emocional é a comunicação dentro das organizações.
De acordo com Vivian Rio Stella, pós-doutora em Linguística e fundadora da VRS Academy, a forma como as pessoas se comunicam afeta diretamente a saúde mental.
"Palavras mal escolhidas, omitidas ou ambíguas podem gerar desgaste emocional contínuo", afirma Vivian.
Muitas vezes, o problema não está na carga de trabalho, mas na falta de diálogo.
Vivian observa que, embora as empresas falem em comunicação estratégica, na prática, ainda há falhas significativas.
O chamado silêncio organizacional é um dos principais fatores de sofrimento psíquico no ambiente profissional.
A ausência de clareza, empatia e escuta cria insegurança e ansiedade entre líderes e equipes.
Para mudar esse cenário, a especialista recomenda práticas simples e consistentes:
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Tornar conversas frequentes e abertas à escuta;
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Comunicar decisões e mudanças de forma transparente;
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Estabelecer prazos e expectativas com clareza;
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Tratar temas delicados com empatia e respeito.
"Quando a comunicação é transparente, ela deixa de ser fonte de ansiedade e se torna um instrumento de cuidado", conclui Vivian.
Dessa forma, a comunicação passa a ser um pilar de bem-estar emocional e confiança dentro das empresas.
O impacto da saúde mental na produtividade
A saúde mental dos profissionais influencia diretamente o desempenho das empresas.
Colaboradores emocionalmente equilibrados são mais criativos, concentrados e produtivos.
Por outro lado, o estresse crônico e a fadiga emocional reduzem a capacidade de tomar decisões e resolver problemas.
Manter a mente saudável é, portanto, um investimento estratégico e não apenas um cuidado pessoal.
Empresas que implementam programas de apoio psicológico registram redução no absenteísmo e melhora no clima organizacional.
Essas ações contribuem para um ambiente mais humano e sustentável.
Saúde mental é um problema coletivo
A saúde mental no trabalho não deve ser tratada como responsabilidade individual.
Os especialistas reforçam que é um problema coletivo, que exige mudanças culturais e estruturais nas empresas.
Ambientes saudáveis precisam permitir que os funcionários expressem dificuldades sem medo de julgamento.
A chamada segurança psicológica é essencial para o aprendizado e a inovação.
"Precisamos de ambientes que incentivem o pensamento intencional e o aprendizado real, não apenas a execução mecânica", afirma Clara Cecchini.
O desafio das próximas décadas é equilibrar produtividade e bem-estar.
Repensar a forma de trabalhar é o primeiro passo para proteger a saúde mental.
Cuidar da mente é um ato de sustentabilidade
Os especialistas concordam: cuidar da saúde mental é uma forma de sustentabilidade humana.
A mente é um recurso limitado e precisa ser preservada tanto quanto o corpo.
O Janeiro Branco reforça que o autocuidado não é luxo, mas necessidade.
Não há produtividade sem equilíbrio psicológico e bem-estar emocional.
Investir em apoio psicológico, incentivar pausas regulares e promover hábitos saudáveis fortalece equipes e empresas.
A saúde mental precisa estar no centro das estratégias organizacionais, e não apenas em campanhas de conscientização.
"Cuidar da mente é cuidar do futuro. Sem equilíbrio, perdemos o essencial", resume Clara Cecchini.
O aumento de 143% nos afastamentos por saúde mental é um alerta urgente.
O problema não está apenas nas pessoas, mas na forma como vivemos e trabalhamos.
Mais do que falar sobre burnout ou ansiedade, é hora de repensar como usamos a mente.
Equilíbrio, comunicação e propósito são pilares de um futuro mais saudável.
Em tempos de excesso, cuidar da mente é um ato de coragem e consciência.
Falar sobre saúde mental é o primeiro passo para transformar ambientes e proteger o bem-estar coletivo.
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