'Roque Santeiro' está de volta: veja curiosidades da novela que marcou uma geração
Clássico de 1985 está de volta à TV e marcou o início da trajetória de Claudia Raia, Patrícia Pillar e Maurício Mattar nas novelas
Clássico da TV brasileira de 1985, a novela "Roque Santeiro" reestreou na faixa Edição Especial da TV Globo. Escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva, a trama sobre o falso santo que retorna a Asa Branca marcou época ao debater fé e poder com figuras icônicas como Viúva Porcina e Sinhozinho Malta. Fenômeno internacional e marco técnico com sua cidade cenográfica expressa, a produção também foi responsável por lançar na teledramaturgia grandes nomes como Claudia Raia e Patrícia Pillar.
Quatro décadas depois de conquistar o público, Roque Santeiro está de volta à televisão. O clássico passou a integrar a faixa Edição Especial, da TV Globo, nesta segunda-feira (5), trazendo novamente à tela personagens que fizeram história na dramaturgia brasileira.
Logo no início, o público pôde reencontrar figuras inesquecíveis como a extravagante Viúva Porcina, interpretada por Regina Duarte, e o poderoso Sinhozinho Malta, vivido por Lima Duarte. Mas, além dos personagens que atravessaram gerações, a novela também guarda uma curiosidade: ela marcou o início da trajetória de nomes que, posteriormente, se tornariam rostos conhecidos dos folhetins. Claudia Raia, Patrícia Pillar e Maurício Mattar fizeram suas estreias em novelas justamente em Roque Santeiro, exibida originalmente em 1985.
Claudia Raia, Patrícia Pillar e Maurício Mattar estavam no elenco
Muito antes de acumular diversos papéis na televisão, Claudia Raia integrou o núcleo da boate de Asa Branca. Sua personagem era uma das jovens que trabalhavam para Matilde, interpretada por Yoná Magalhães.
Patrícia Pillar também dava seus primeiros passos nas novelas. Ela interpretou Linda Bastos, atriz escolhida para viver Porcina em um filme produzido sobre a história de Roque Santeiro. Na trama, Linda era casada com Tito, personagem de Luiz Armando Queiroz, um marido e empresário bastante ciumento.
Já Maurício Mattar viveu João Ligeiro. O personagem era irmão de Roque por parte de pai e filho de Beato Salu, interpretado por Nelson Dantas. Criado na propriedade de Sinhozinho Malta, ele trabalhava para o fazendeiro. Os três seguiriam caminhos de destaque na televisão brasileira nos anos seguintes, participando de diversas produções depois da estreia no sucesso de 1985.
Cidade de Asa Branca foi construída em apenas 20 dias
Não é apenas o elenco que guarda histórias curiosas. Para transportar o público até Asa Branca, cidade fictícia onde se passa a novela, foi construída uma grande cidade cenográfica em Guaratiba, no Rio de Janeiro. Apesar das dimensões do projeto, o cenário teria ficado pronto em apenas 20 dias.
Outro elemento que ajudou a colocar a produção na memória do público foi sua abertura. Criada por Hans Donner, a sequência utilizava recursos visuais considerados inovadores para a televisão da época, incluindo o chroma key.
A novela também ultrapassou as fronteiras brasileiras. O sucesso levou a produção para diferentes mercados internacionais, chegando a países como Argentina, Chile, México, Portugal, Espanha, Canadá, Estados Unidos, Cuba e Angola.
No Brasil, a repercussão também foi enorme. Em algumas cidades, eventos chegaram a ter seus horários modificados para não disputar a atenção do público com a exibição dos capítulos.
Qual é a história de 'Roque Santeiro'?
A novela se passa em Asa Branca, uma cidade cuja rotina e economia influenciaram-se pela história de Roque Santeiro, interpretado por José Wilker. Durante 17 anos, os moradores acreditaram que Roque estava morto. A história difundida pela cidade dizia que ele havia perdido a vida depois de defender a população do bandido Navalhada.
Com o passar dos anos, Roque transformou-se em uma espécie de santo popular, e supostos milagres começaram a ser atribuídos a ele. A devoção movimentou Asa Branca e passou a sustentar uma série de interesses econômicos, religiosos e políticos. Existe, porém, um grande problema: Roque está vivo.
Quando ele retorna à cidade, sua presença coloca em risco toda a estrutura construída em torno de sua suposta morte. Afinal, revelar a verdade significa também ameaçar os privilégios daqueles que se beneficiaram da lenda durante anos.
No centro da história também está Viúva Porcina, que ajudou a fortalecer a imagem de Roque como herói mesmo sem ter sido, de fato, sua mulher. A personagem se envolve em um dos triângulos amorosos mais conhecidos das novelas brasileiras, ao lado de Roque e Sinhozinho Malta.
Um clássico da teledramaturgia brasileira
Roque Santeiro é uma obra de Dias Gomes, com coautoria de Aguinaldo Silva e colaboração de Marcílio Moraes e Joaquim Assis. A produção teve supervisão de Daniel Filho e contou com Paulo Ubiratan, Jayme Monjardim, Gonzaga Blota e Marcos Paulo na direção.
Além do humor e dos romances, a novela construiu sua história a partir de temas como fé, poder, interesses econômicos e a criação de mitos populares. Décadas depois da exibição original, seu retorno à televisão permite que quem acompanhou a trama em 1985 revisite Asa Branca - e que uma nova geração conheça os personagens que ajudaram a transformar a produção em um dos grandes fenômenos da televisão brasileira.
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