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Por que as mulheres enjoam durante a gravidez? Estudo revela as causas

Pesquisa genética amplia a compreensão sobre os enjoos severos da gestação e reforça que a hiperêmese gravídica tem base biológica

15 abr 2026 - 06h23
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Enjoos, náuseas e vômitos na gestação costumam ser tratados como um incômodo esperado, quase um "pacote" inevitável do início da gravidez. Mas novas descobertas científicas ajudam a mudar esse olhar, especialmente quando o quadro é intenso e incapacitante.

Estudo identifica genes ligados à hiperêmese gravídica e ajuda a explicar por que algumas mulheres sofrem mais com enjoos na gravidez
Estudo identifica genes ligados à hiperêmese gravídica e ajuda a explicar por que algumas mulheres sofrem mais com enjoos na gravidez
Foto: Reprodução: Canva/Aflo Images / Bons Fluidos

Um grande estudo internacional identificou fatores genéticos que ajudam a explicar por que algumas mulheres sofrem mais com os enjoos e por que, em certos casos, o problema evolui para a hiperêmese gravídica, forma mais severa da condição. A pesquisa reforça algo importante: quando os sintomas saem do padrão, não se trata de exagero nem de fragilidade emocional, mas de um fenômeno biológico real e complexo.

O que é a hiperêmese gravídica?

A hiperêmese gravídica é a versão mais grave dos enjoos gestacionais. Diferentemente da náusea comum, ela pode provocar vômitos persistentes, desidratação, dificuldade intensa para se alimentar e perda de peso.

Em alguns casos, a gestante não consegue manter no estômago nem líquidos, vitaminas ou medicações. Quando isso acontece, o quadro deixa de ser apenas desconfortável e passa a exigir acompanhamento médico cuidadoso - às vezes, inclusive, com internação para hidratação e reposição de nutrientes.

Embora afete uma parcela menor das gestantes, a condição pode ter impacto importante na saúde materna e fetal.

O que a nova pesquisa descobriu

O estudo, publicado na revista Nature Genetics, foi considerado um dos maiores já feitos sobre hiperêmese gravídica. Ele analisou dados de 10.974 mulheres com a condição e mais de 461 mil pessoas no grupo de comparação. A amostra incluiu participantes de diferentes origens, o que amplia o alcance dos resultados.

O principal destaque foi o gene GDF15, responsável pela produção de um hormônio que sobe muito durante a gravidez. Os cientistas observaram que a intensidade dos enjoos parece estar ligada à forma como o organismo de cada mulher reage a esse hormônio.

"Como este é o maior estudo sobre HG já realizado, conseguimos desvendar novos detalhes importantes que eram desconhecidos anteriormente", afirma Marlena Fejzo, líder da pesquisa. Em termos simples, algumas mulheres parecem ser geneticamente mais sensíveis ao aumento do GDF15. Isso pode fazer com que o corpo reaja de maneira exagerada, intensificando náuseas, aversões alimentares e mal-estar.

Não é só um gene

Além do GDF15, os pesquisadores identificaram outros genes relacionados à hiperêmese gravídica. Parte deles já era conhecida, mas seis surgiram pela primeira vez nesse contexto.

Esses genes estão ligados a diferentes sistemas do corpo, como: metabolismo e controle da glicose; hormônios da gravidez; apetite e náusea; funcionamento do cérebro; desenvolvimento da placenta; desfechos gestacionais, como duração da gravidez e risco de pré-eclâmpsia. Entre eles, um dos que mais chamaram atenção foi o TCF7L2, já associado ao diabetes tipo 2 e ao diabetes gestacional.

O cérebro também pode entrar nessa equação

Um dos pontos mais interessantes do estudo é a hipótese de que o enjoo intenso não seja apenas uma resposta hormonal automática. O cérebro também pode aprender a associar certos alimentos, cheiros e situações à sensação de náusea.

Essa adaptação, conhecida como plasticidade neural, ajudaria a explicar por que algumas gestantes desenvolvem aversões tão fortes e persistentes durante a gravidez. Ou seja: não é apenas o estômago que está reagindo. Existe uma conversa complexa entre hormônios, intestino, cérebro e comportamento.

Por que essa descoberta importa?

Durante muito tempo, quadros graves de enjoo gestacional foram minimizados ou atribuídos a fatores emocionais. Esse novo entendimento ajuda a desmontar esse estigma. Ao mostrar que a hiperêmese gravídica tem base genética e fisiológica, a pesquisa abre espaço para diagnósticos mais precoces, acolhimento mais adequado e tratamentos mais direcionados.

Além disso, os achados também apontam para caminhos terapêuticos futuros. Hoje, um dos medicamentos mais usados nesses casos é a ondansetrona, mas sua eficácia costuma ser parcial. Por isso, novas estratégias estão sendo estudadas.

Uma delas envolve o uso de metformina antes da gravidez em mulheres com alto risco, na tentativa de modificar a resposta do organismo ao hormônio ligado ao enjoo. "Agora que mais que dobramos o número de genes associados à hiperêmese gravídica, podemos investigar mais a fundo a biologia por trás dessa condição, bem como novas possíveis vias para tratá-la", observa Fejzo.

O enjoo comum também merece atenção

Nem todo enjoo na gravidez significa hiperêmese gravídica. Náuseas leves ou moderadas são bastante frequentes, especialmente entre a 5ª e a 16ª semana, e costumam estar relacionadas às mudanças hormonais do início da gestação.

Ainda assim, isso não quer dizer que devam ser ignoradas. A intensidade dos sintomas varia muito de mulher para mulher, e o impacto na rotina também.

Algumas estratégias simples podem ajudar: evitar jejum prolongado; fazer pequenas refeições ao longo do dia; preferir alimentos frios, leves e mais secos; reduzir a exposição a cheiros fortes; tomar líquidos em pequenas quantidades entre as refeições. Mas, se os vômitos forem frequentes ou impedirem a alimentação e a hidratação, é importante buscar orientação médica.

Quando o enjoo deixa de ser "normal"?

Alguns sinais pedem avaliação profissional com mais urgência: perda de peso; dificuldade para manter líquidos no estômago; urina escura ou em pouca quantidade; tontura ao se levantar; vômitos persistentes; sangue no vômito; sintomas que continuam ou surgem após o primeiro trimestre.

Nesses casos, a gestante não deve se automedicar. O acompanhamento do obstetra é essencial para proteger a saúde da mãe e do bebê.

Um novo olhar para um sintoma antigo

O enjoo gestacional é um dos sintomas mais conhecidos da gravidez, mas isso não significa que seja simples. Para algumas mulheres, ele passa como um incômodo temporário. Para outras, pode se transformar em uma condição severa, com impacto físico, emocional e nutricional importante.

As novas descobertas ajudam a trazer mais precisão - e também mais empatia - para esse tema. Em vez de reduzir tudo a "coisa da gravidez", a ciência mostra que existe uma biologia complexa por trás desses sintomas. E reconhecer isso já é, por si só, um passo importante no cuidado com a saúde materna.

Bons Fluidos
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