Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Por que a "fome emocional" aumenta na menopausa?

Entenda como hormônios, sono e ansiedade afetam a relação com a comida

17 ago 2026 - 08h02
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Durante a menopausa, mudanças hormonais e cerebrais podem intensificar a fome emocional, levando à busca por alimentos calóricos e a ciclos de culpa e ansiedade. Alterações no sono, estresse e resistência insulínica também influenciam nesses comportamentos. Especialistas recomendam uma abordagem integrada para tratar o ganho de peso e melhorar a relação com a comida. 🍫🧘‍♀️

Queda hormonal, piora do sono, ansiedade e alterações cerebrais ajudam a explicar por que muitas mulheres passam a ter mais comportamentos disfuncionais ligados à dieta

Durante anos, muitas mulheres conseguem manter peso, rotina alimentar e controle do apetite com relativa estabilidade. Até que, em algum momento entre os 40 e 55 anos, algo parece mudar. O corpo responde de outra forma, o ponteiro da balança sobe, o sono perde qualidade e, de repente, aquela vontade quase incontrolável por chocolate no fim do dia deixa de parecer apenas "um capricho". A vontade de comer aparece mesmo sem fome. Esse processo, chamado popularmente de fome emocional, um termo que na ciência recebe outro nome (reatividade a estímulos alimentares), é intensificado na menopausa. 

Foto: Revista Malu

"Nem sempre o problema é fome. Muitas mulheres, principalmente na transição menopausal, desenvolvem maior reatividade a estímulos alimentares, ou seja, o cérebro passa a responder com mais intensidade a gatilhos como estresse, privação de sono, ansiedade, imagens de comida ou até hábitos condicionados", explica Ana Paula Fabricio, ginecologista com pós-graduação em nutrologia pela ABRAN. "Essa escolha é direcionada para alimentos mais calóricos, especialmente aqueles ricos em açúcar, gordura e carboidratos refinados", acrescenta a médica.

A endocrinologista Deborah Beranger, com pós-graduação em endocrinologia e metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ), ressalta que situações de estresse, ansiedade e sofrimento emocional podem alterar os mecanismos de recompensa cerebral e influenciar o comportamento alimentar, aumentando a busca por alimentos hiperpalatáveis, geralmente ricos em açúcar, gordura e sódio. "Esse padrão, quando frequente, pode contribuir para ganho de peso e piora de parâmetros metabólicos, especialmente quando associado a sedentarismo, privação de sono e baixa qualidade alimentar", diz a endocrinologista.

A mudança na menopausa

Segundo a ginecologista, não é incomum ouvir pacientes dizendo que sempre tiveram controle sobre a alimentação e, de repente, passam a beliscar mais, sentir desejo intenso por doces ou comer mesmo sem fome física. "Muitas vezes isso não tem relação com falta de disciplina, mas com alterações hormonais e neuroquímicas próprias dessa fase", explica. Durante o climatério e a menopausa, a redução progressiva de estrogênio e progesterona provoca impactos que vão muito além da fertilidade. Essas mudanças afetam diretamente neurotransmissores envolvidos em humor, motivação, recompensa e controle do apetite, como serotonina, dopamina e noradrenalina. "O estrogênio, por exemplo, exerce papel importante na sensibilidade à insulina, no gasto energético e também na modulação de centros cerebrais ligados à saciedade. Com sua queda, algumas mulheres podem apresentar maior resistência insulínica, pior resposta de saciedade e aumento da busca por alimentos de rápida recompensa", comenta Ana.

A ginecologista explica que, nessa fase, o cérebro passa a interpretar alguns alimentos quase como uma estratégia de alívio. "O problema é que esse conforto costuma durar pouco, criando ciclos repetitivos de culpa, ansiedade e novo consumo. Além das alterações metabólicas, sintomas clássicos da menopausa, como ondas de calor, insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração e a chamada 'névoa mental', também podem contribuir para escolhas alimentares mais impulsivas", acrescenta.

A privação do sono e seu papel na fome emocional

A privação de sono, por exemplo, está associada ao aumento de hormônios relacionados ao apetite, como grelina, e à redução de sinais de saciedade mediados por leptina, explica a ginecologista. "Ao mesmo tempo, o aumento crônico de cortisol, comum em mulheres sob estresse persistente, favorece maior acúmulo de gordura abdominal e maior desejo por alimentos altamente palatáveis. A paciente muitas vezes acredita que perdeu força de vontade, quando na realidade está enfrentando uma combinação de privação de sono, sobrecarga mental, oscilação hormonal e hiperativação do sistema de estresse. Tudo isso altera a relação com a comida", afirma Ana.

Tratamento da fome emocional

Reconhecer a reatividade a estímulos alimentares é um passo importante no tratamento. Entre os sinais de alerta de fome emocional estão:

  • Vontade súbita e intensa de doces ou massas;
  • Episódios de "beliscar" sem perceber;
  • Comer para aliviar tensão, tristeza ou exaustão;
  • Sensação de culpa após a alimentação;
  • Dificuldade de parar mesmo após sentir-se satisfeita.

"Abordar ganho de peso feminino, especialmente na menopausa, exige uma visão integrada que considere saúde hormonal, qualidade do sono, composição corporal, manejo do estresse, atividade física e comportamento alimentar. Quando tratamos apenas a dieta, mas ignoramos sono ruim, ansiedade, resistência insulínica ou deficiência hormonal, muitas mulheres entram em ciclos repetidos de emagrecer e recuperar peso. O corpo feminino na menopausa precisa de uma estratégia mais inteligente e personalizada", comenta Ana.

A endocrinologista Deborah afirma que o tratamento envolve uma equipe multidisciplinar, com psicólogo, médicos e suporte nutricional. "Mais do que contar calorias, entender o que o cérebro, os hormônios e as emoções estão comunicando pode ser o primeiro passo para recuperar o controle alimentar. Mas isso deve acontecer sem transformar cada refeição em uma batalha", complementa e conclui a ginecologista Ana.

Revista Malu Revista Malu
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra