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Seu cachorro ou gato é destro ou canhoto? O que as patas revelam sobre o cérebro dos pets

Lateralidade em cães e gatos: descubra se seu pet é destro ou canhoto e como isso revela emoção, temperamento e reação a novidades

16 abr 2026 - 10h03
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A lateralidade em cães e gatos, isto é, a preferência pelo uso da pata direita ou esquerda, tem despertado interesse crescente de pesquisadores e tutores. Esse comportamento aparentemente simples está ligado à forma como os hemisférios cerebrais se organizam e pode indicar tendências de temperamento, grau de calma ou de reatividade diante de situações novas. Para o público leigo, entender se o animal é "destro" ou "canhoto" ajuda a interpretar melhor algumas atitudes diárias do pet.

Estudos recentes em comportamento animal mostram que a escolha preferencial de uma pata não é aleatória. Assim como em humanos, em que a lateralidade está associada ao funcionamento diferenciado dos hemisférios cerebrais, cães e gatos também revelam pistas sobre sua maneira de processar emoções e estímulos por meio dessa preferência. A observação sistemática do animal em casa, aliada a testes simples utilizados em pesquisas, pode oferecer informações úteis sobre como ele reage ao ambiente.

O que é lateralidade em cães e gatos e por que isso importa?

Essa lateralidade está relacionada à divisão de funções entre o hemisfério esquerdo e o hemisfério direito do cérebro. De forma geral, o hemisfério esquerdo é mais associado a respostas controladas e previsíveis, enquanto o direito se relaciona mais com reação rápida, medo e resposta a ameaças. A pata direita tende a ser comandada pelo hemisfério esquerdo e a pata esquerda, pelo direito.

Na prática, pesquisas indicam que animais com forte preferência por uma das patas costumam apresentar perfis comportamentais mais estáveis do que aqueles que alternam muito. Alguns estudos sugerem que cães "destros" podem ser um pouco menos reativos a estímulos inesperados, enquanto cães "canhotos" podem demonstrar maior sensibilidade a situações novas, sons altos ou ambientes desconhecidos. Em gatos, padrões semelhantes vêm sendo observados, embora ainda exista menor volume de estudos em comparação com os cães.

Com testes simples em casa, é possível descobrir a pata dominante do seu animal – depositphotos.com / pyotr021
Com testes simples em casa, é possível descobrir a pata dominante do seu animal – depositphotos.com / pyotr021
Foto: Giro 10

Como a lateralidade se relaciona com temperamento e reatividade?

A relação entre pata dominante e temperamento não é absoluta, mas vários trabalhos científicos apontam tendências consistentes. A dominância do hemisfério direito, ligada ao uso mais frequente da pata esquerda, tem sido associada a maior vigilância, níveis mais elevados de estresse em situações de novidade e resposta mais intensa a ruídos ou pessoas desconhecidas. Já a predominância do hemisfério esquerdo, refletida em uso preferencial da pata direita, costuma aparecer em animais considerados mais estáveis em testes de laboratório.

Essa conexão aparece, por exemplo, em experimentos com cães de trabalho, como cães-guia ou cães policiais. Em alguns programas de seleção, a lateralidade é observada porque animais com forte preferência por uma pata e menor reatividade a estímulos podem lidar melhor com ambientes complexos, trânsito intenso e proximidade constante de estranhos. Em gatos, pesquisas com brinquedos recheados mostraram que fêmeas tendem a usar mais a pata direita, enquanto machos apresentam mais uso da esquerda, o que se relaciona a diferenças de comportamento exploratório entre os sexos.

Para tutores leigos, esse vínculo entre lateralidade, hemisférios cerebrais e reatividade pode ser útil como um indicativo adicional do perfil do animal, sempre somado à avaliação profissional de médicos-veterinários e especialistas em comportamento. Não se trata de um "rótulo definitivo", mas de uma pista baseada em dados científicos que ajuda a entender por que alguns pets parecem enfrentar mudanças com tranquilidade e outros demonstram maior cautela ou nervosismo.

Quais testes científicos revelam se o pet é "destro" ou "canhoto"?

Pesquisadores utilizam diferentes protocolos padronizados para medir lateralidade em cães e gatos. Um dos mais conhecidos é o chamado teste do brinquedo recheado, muitas vezes feito com brinquedos tipo "Kong" ou similares, cheios de ração ou petiscos. O animal é observado repetidas vezes, e os cientistas registram qual pata ele usa primeiro para segurar o brinquedo, estabilizá-lo ou tentar retirar a comida.

Outro procedimento comum é o teste do degrau. Nesse experimento, o cão ou o gato é posicionado diante de um pequeno degrau ou escada baixa, e os pesquisadores registram qual pata o animal coloca primeiro ao subir ou descer. O teste é repetido várias vezes em momentos diferentes, para evitar que um movimento isolado seja confundido com preferência verdadeira. A partir da soma das tentativas, calcula-se um índice de lateralidade, que indica se o animal é destro, canhoto ou indiferente.

Há ainda testes com copos ou recipientes transparentes. O pet precisa alcançar um petisco dentro de um copo virado ou preso de leve no chão. Os registros se concentram na pata utilizada para tocar, bater ou virar o copo na maioria das tentativas. Em gatos, experimentos com fios, bolinhas pequenas e brinquedos pendurados também permitem observar qual pata é usada para golpear o objeto.

Como tutores podem aplicar testes práticos em casa sem risco?

Os testes usados em pesquisas podem ser adaptados, de forma simples e segura, ao ambiente doméstico. A orientação básica é que tudo seja feito sem forçar o animal e sem criar situações de estresse. Em casa, o tutor pode observar, por exemplo, qual pata o cão ou o gato usa primeiro ao:

  • Segurar um brinquedo recheado com petiscos;
  • Dar a "pata", caso já saiba esse comando;
  • Subir um degrau ou descer de um sofá baixo;
  • Alcançar um petisco escondido sob um copo ou potinho;
  • Tocar em um brinquedo pendurado ou em movimento.

Para que essa observação tenha valor semelhante ao dos estudos, é recomendável registrar muitas tentativas ao longo de vários dias. Um método simples consiste em anotar em uma folha:

  1. "D" sempre que o animal usar a pata direita primeiro;
  2. "E" quando usar a pata esquerda antes;
  3. Repetir o mesmo tipo de situação pelo menos 20 a 30 vezes;
  4. Somar os resultados e verificar se há clara predominância de uma das patas.

Se a diferença entre o uso da pata direita e da esquerda for grande, há um forte indício de que o pet seja destro ou canhoto. Caso os números fiquem muito próximos, o animal tende a ser mais ambidestro, usando ambos os lados com certa equivalência. Em qualquer caso, especialistas recomendam que essas observações sejam usadas apenas como complemento à avaliação profissional, pois o comportamento animal é influenciado por múltiplos fatores, incluindo ambiente, histórico de vida e estado de saúde.

Muito além de um hábito: a pata preferida revela como o pet percebe o mundo – depositphotos.com / adogslifephoto
Muito além de um hábito: a pata preferida revela como o pet percebe o mundo – depositphotos.com / adogslifephoto
Foto: Giro 10

O que a lateralidade pode revelar sobre o dia a dia do pet?

A identificação da pata dominante pode auxiliar tutores e profissionais a adaptar rotinas e treinos de modo mais eficaz. Em atividades de adestramento, por exemplo, saber se o cão apresenta maior facilidade motora com a pata direita ou esquerda pode contribuir para a escolha da posição de alguns exercícios. Em gatos, a lateralidade pode ajudar a interpretar diferenças de ousadia, curiosidade ou reserva diante de brinquedos novos, visitas em casa ou mudanças de mobília.

Pesquisas publicadas até 2026 seguem ampliando o entendimento sobre como a lateralidade em cães e gatos se relaciona com estresse, bem-estar e capacidade de adaptação. Embora ainda existam muitas questões em aberto, o conjunto de dados já disponível aponta que a preferência por uma pata não é apenas uma curiosidade, mas um reflexo do modo como o cérebro desses animais organiza emoções e respostas ao mundo. Para quem convive com cães e gatos, saber se o animal é "destro" ou "canhoto" torna-se mais um elemento concreto para compreender o comportamento cotidiano de forma informada e baseada em evidências.

Giro 10
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