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Salamandras e lagartixas: parecidas, mas mundos diferentes

Salamandras x lagartixas: entenda diferenças, hábitos, ambientes e descubra quais espécies são mais abundantes e onde podem ser vistas

13 mar 2026 - 10h00
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As salamandras e as lagartixas costumam ser colocadas no mesmo grupo pelo público em geral, mas a biologia mostra que pertencem a ramos distintos do reino animal. A semelhança no formato do corpo, alongado e com cauda, leva a comparações rápidas, porém uma análise mais cuidadosa revela diferenças importantes de anatomia, comportamento e ambiente em que cada grupo vive. A identificação correta desses animais ajuda a entender melhor a fauna presente em áreas urbanas, rurais e em ambientes naturais protegidos.

Enquanto as lagartixas fazem parte dos répteis, mais especificamente dos lagartos, as salamandras são anfíbios, parentes próximos dos sapos e rãs. Essa distinção já indica contrastes marcantes: modo de respiração, reprodução, textura da pele e relação com a água. Em muitos países, a presença de lagartixas nas casas é comum, ao passo que as salamandras são mais associadas a florestas úmidas e regiões montanhosas, em geral com pouco contato direto com áreas densamente povoadas.

O que diferencia salamandras de lagartixas?

As salamandras pertencem à ordem Caudata (ou Urodela), dentro do grupo dos anfíbios. Já as lagartixas são répteis da ordem Squamata, dentro da subordem dos lagartos. Essa separação taxonômica se reflete em características físicas e fisiológicas distintas, perceptíveis mesmo para quem não é especialista, desde que sejam observadas com atenção.

De forma geral, as salamandras apresentam pele lisa, úmida e sem escamas visíveis, muitas vezes dependente de ambientes com alta umidade para evitar a desidratação. Em contraste, as lagartixas possuem pele seca, recoberta por pequenas escamas, típica dos répteis, o que lhes permite viver em locais mais secos, como paredes, telhados e troncos expostos ao sol. Além disso, a postura corporal costuma ser ligeiramente diferente: salamandras mantêm um aspecto mais "achatado" junto ao chão, enquanto lagartixas demonstram maior agilidade vertical, subindo superfícies com facilidade.

Lagartixas têm pele seca e escamosa, dedos adesivos e filhotes já parecidos com adultos – depositphotos.com / REPTILES4ALL
Lagartixas têm pele seca e escamosa, dedos adesivos e filhotes já parecidos com adultos – depositphotos.com / REPTILES4ALL
Foto: Giro 10

Salamandras x lagartixas: quais características mais chamam atenção?

Ao comparar salamandras e lagartixas, alguns pontos se destacam na observação de campo ou mesmo em registros fotográficos. Um dos mais evidentes é a relação com a água. A maior parte das salamandras depende de ambientes aquáticos ou semiaquáticos em alguma fase da vida, seja para reprodução, seja para o desenvolvimento das larvas, que costumam ter brânquias externas. Já as lagartixas botam ovos com casca resistente em locais secos e, quando nascem, os filhotes já se assemelham a adultos em miniatura, sem passar por metamorfose como os anfíbios.

Outra diferença marcante está nos dedos e na forma de locomoção. Muitas espécies de lagartixas apresentam discos adesivos nas pontas dos dedos, capazes de aderir a paredes, vidros e tetos, recurso que explica a abundância desses animais em áreas urbanas. As salamandras, em sua maioria, não exibem esse tipo de adaptação; seus membros são mais adequados para caminhar sobre o solo, entre folhas, rochas e troncos úmidos. A seguir, alguns contrastes podem ser organizados de forma resumida:

  • Grupo biológico: salamandras (anfíbios); lagartixas (répteis);
  • Pele: salamandras com superfície úmida e fina; lagartixas com pele seca e escamosa;
  • Relação com a água: salamandras fortemente associadas a ambientes úmidos; lagartixas adaptadas a locais mais secos;
  • Reprodução: salamandras com fase larval aquática em muitas espécies; lagartixas com filhotes semelhantes a adultos, sem metamorfose;
  • Habitat próximo a humanos: lagartixas muito presentes em casas; salamandras, em geral, restritas a áreas naturais.

Quais são mais abundantes no mundo e no Brasil?

Quando se fala em abundância de salamandras e lagartixas, o cenário varia conforme a região do planeta. Globalmente, as salamandras têm maior diversidade no Hemisfério Norte, com forte presença na América do Norte, Europa e parte da Ásia. Nesses locais, algumas espécies podem ser bastante comuns em florestas temperadas e regiões montanhosas úmidas. Já em zonas tropicais, a quantidade de espécies de salamandras tende a ser menor em comparação aos ambientes temperados.

No caso das lagartixas, a situação é quase inversa. A diversidade e a abundância de lagartixas e outros pequenos lagartos são elevadas em regiões tropicais e subtropicais, incluindo a América do Sul. Em áreas urbanas brasileiras, por exemplo, a lagartixa-menor-de-casa (Hemidactylus mabouia) tornou-se uma das espécies mais visíveis, ocupando paredes, postes e muros iluminados à noite, onde encontra grande quantidade de insetos. Em ambientes rurais e florestais, outros tipos de lagartixas e lagartos menores também são frequentes.

No Brasil, especificamente, as lagartixas são muito mais abundantes e facilmente avistadas do que as salamandras. Isso ocorre porque o país praticamente não possui salamandras nativas em grande número, ao contrário de regiões como Estados Unidos e Europa, onde famílias inteiras desse grupo são comuns. A herpetofauna brasileira é rica principalmente em sapos, rãs, pererecas e uma enorme variedade de lagartos, incluindo as lagartixas urbanas e espécies de mata atlântica, cerrado e floresta amazônica.

Salamandras apresentam pele úmida, vivem próximas à água e passam por fase larval aquática – depositphotos.com / HeWall
Salamandras apresentam pele úmida, vivem próximas à água e passam por fase larval aquática – depositphotos.com / HeWall
Foto: Giro 10

Como identificar se o animal observado é uma salamandra ou uma lagartixa?

A pergunta sobre como reconhecer a diferença entre salamandras e lagartixas no dia a dia costuma surgir quando alguém encontra um pequeno animal alongado e de cor discreta no quintal ou em uma trilha. Alguns critérios simples ajudam nessa identificação básica, sem necessidade de captura ou manuseio, o que evita riscos tanto para o animal quanto para a pessoa.

  1. Observe o ambiente: presença constante de água, riachos, poças e solo encharcado favorece salamandras; áreas secas, paredes e telhados são dominadas por lagartixas;
  2. Note a aparência da pele: se estiver visivelmente úmida, lisa e brilhante, tende a ser salamandra; se parecer seca, com pequenas escamas, é típico de lagartixa;
  3. Repare nos dedos: discos adesivos arredondados indicam lagartixas arborícolas ou de parede; salamandras geralmente não têm essas almofadas tão destacadas;
  4. Considere a região geográfica: em grande parte do Brasil, sobretudo em áreas urbanas, a chance é muito maior de se tratar de uma lagartixa do que de uma salamandra.

Ao reunir esses elementos — grupo biológico, tipo de pele, relação com a água, forma de reprodução e distribuição geográfica —, a diferença entre salamandras e lagartixas se torna mais clara. O resultado é uma percepção mais precisa sobre quais animais são realmente mais abundantes em cada região, o que contribui para uma compreensão mais ampla da biodiversidade presente no cotidiano, seja nas cidades, seja em áreas naturais preservadas.

Giro 10
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