Pesquisa aponta que 4 em cada 5 alimentos infantis são ultraprocessados nos EUA
Análise de quase 2.800 produtos mostra que metade não atende aos padrões nutricionais da OMS para crianças de até três anos
Estudo revela que 81% dos alimentos infantis analisados nos EUA são ultraprocessados, e metade não atende aos padrões nutricionais da OMS, destacando riscos à saúde das crianças.
Um novo estudo alarmante, apresentado na conferência NUTRITION 2026, revela que quatro em cada cinco alimentos destinados a crianças pequenas, vendidos em supermercados do Texas, são ultraprocessados. A pesquisa, que analisou quase 2.800 produtos, acende um alerta sobre a qualidade nutricional da dieta infantil e o impacto de escolhas alimentares precoces na saúde a longo prazo.
A avaliação ocorreu em 21 supermercados na cidade de Austin e focou em produtos comercializados para a faixa etária de 6 a 36 meses. Fórmulas infantis, bebidas e purês oferecidos como primeiros alimentos não entraram na conta.
Padrões da OMS
Dos 2.783 itens avaliados pelo sistema Nova, 81% foram classificados como ultraprocessados. Além disso, 49% não atingiram pelo menos um critério do Modelo de Perfil de Nutrição e Promoção (NPPM) da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os dados mostram que 25% dos alimentos excediam o limite de sódio recomendado, 17% tinham açúcar acima do limite, 12% falhavam na recomendação de densidade energética e 11% não atingiam o padrão para teor de gordura.
Exemplos nas prateleiras
Entre os produtos que ultrapassaram as diretrizes estão sachês de frutas e barras de aveia, ricos em açúcar. Macarrão com queijo e palitos de peru apresentaram excesso de sódio e gordura, enquanto salgadinhos de queijo e de manteiga de amendoim concentravam altas calorias e sódio.
Os pesquisadores ressaltam que níveis mais altos de gordura ou calorias nem sempre indicam menor qualidade, já que alimentos menos processados podem conter ingredientes integrais, como amendoim ou carne bovina. No entanto, os ultraprocessados infantis apresentaram grandes quantidades de açúcar sem oferecer benefícios nutricionais comparáveis.
Rótulos e atenção dos pais
A pesquisadora Erin A. Hudson, da Universidade do Texas em Austin, destaca que muitos pais acreditam que os produtos nos corredores infantis cumprem padrões nutricionais. "Nossas descobertas destacam que metade dos alimentos para crianças pequenas disponíveis em supermercados locais não atendem", afirma.
Hudson defende que rótulos de advertência ajudariam as famílias nas escolhas e incentivariam fabricantes a reformular os produtos. Atualmente, os Estados Unidos não exigem alertas para altos níveis de açúcar, sódio ou calorias nas embalagens.
O estudo, conduzido em parceria com a professora Marissa Burgermaster, avaliou apenas alimentos embalados nas prateleiras e é considerado preliminar até a publicação em revista científica com revisão por pares.
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