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Tóquio: quando a viagem vira parte da maratona

Entre sorteios difíceis, voos cancelados e imprevistos pelo mundo, a jornada até a Maratona de Tóquio já começa muito antes da largada

30 mar 2026 - 20h06
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Toquio2026 deniseAmaral05
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Foto: Divulgação / Contra-Relógio

Viajar para correr virou, curiosamente, um esporte à parte, e exige preparo, paciência e uma boa dose de resistência. Não apenas física, mas também logística.

Com inscrições para provas nacionais e internacionais cada vez mais disputadas e abertas com grande antecedência, participar de uma maratona fora de casa demanda planejamento. É preciso estar atento ao calendário de inscrições, garantir voos com preços razoáveis, encontrar hospedagem próxima da largada e, claro, ainda dar conta dos treinos.

Mas a jornada pode reservar desafios inesperados: aeroportos lotados, conexões apertadas, assentos cada vez menores nos aviões, cancelamentos de voos e até conflitos internacionais. Tudo isso pode atravessar o caminho entre o corredor e a linha de largada.

Foi exatamente o que aconteceu com muitos participantes da Maratona de Tóquio 2026.

Depois de conquistar a difícil inscrição e enfrentar uma viagem de cerca de 28 horas — sem contar o deslocamento interno até São Paulo ou Rio de Janeiro para embarcar —, diversos corredores foram surpreendidos por uma forte nevasca em Nova York poucos dias antes da prova. Como muitos voos faziam escala nos Estados Unidos, cancelamentos e atrasos se multiplicaram, adicionando horas de viagem e muito estresse.

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Foto: Divulgação / Contra-Relógio
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Foto: Divulgação / Contra-Relógio
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Foto: Divulgação / Contra-Relógio

O grupo de WhatsApp de brasileiros que já correram ou estavam a caminho de Tóquio virou um verdadeiro centro de ajuda coletiva. Ali surgiam informações sobre voos remarcados, rotas alternativas e orientações de quem já havia conseguido chegar ao Japão.

Conseguir uma vaga na prova, aliás, já é uma vitória. A Maratona de Tóquio é considerada um dos sorteios mais difíceis do mundo, com mais de 300 mil inscritos. Existem também pacotes com inscrição garantida por meio de agências como a Kamel Turismo, mas o número de vagas é pequeno diante da procura. Outra alternativa é correr por caridade, o que também exige planejamento e, muitas vezes, doações consideráveis.

Há ainda a opção de entrar por índice técnico, mas essa não é para qualquer um. Em 2026, o tempo exigido foi inferior a 2h28 para homens e 2h54 para mulheres, com apenas 25 vagas disponíveis por gênero e destinadas aos mais rápidos.

Além disso, o site da prova não facilita muito a vida de quem busca informações. É preciso paciência para entender todos os detalhes.

Mesmo assim, 506 brasileiros alinharam na largada da Maratona de Tóquio 2026, que aconteceu no fim de fevereiro.

Mesmo sendo a minha oitava participação na prova, é impossível não se emocionar ao chegar novamente à cidade. Tóquio é fascinante e a educação e gentileza do povo japonês fazem qualquer dificuldade parecer menor.

A Expo, realizada no centro de convenções Tokyo Big Sight, estava muito melhor do que nos últimos anos, com grande presença de marcas esportivas, mais variedade de produtos e sem aquela famosa corrida pelas jaquetas oficiais.

E, quando o assunto é compras, os brasileiros foram à loucura. Alguns tênis estavam até 40% mais baratos do que no Brasil. Um amigo confessou que estava pensando em dizer à esposa que tinha sido sorteado em alguns dos oito pares que comprou ou que ganhou nas máquinas de "pescar" pelúcias espalhadas pela cidade.

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Foto: Divulgação / Contra-Relógio
Toquio2026 deniseAmaral07
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Foto: Divulgação / Contra-Relógio
Toquio2026 deniseAmaral09
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Foto: Divulgação / Contra-Relógio

No dia da prova, a largada em frente ao prédio da Prefeitura exige chegar com bastante antecedência. Todos os corredores passam por detectores de metal, como nos aeroportos, e não é permitido entrar com líquidos acima de 100 ml. Há cinco entradas distintas, caminhões separados para guarda-volumes e uma única fila para os banheiros, que impressiona pelo tamanho, mas anda rapidamente.

Não há largada em ondas, e o tempo limite de sete horas é contado a partir do tiro oficial. Assim, mesmo quem leva algum tempo para cruzar o pórtico precisa lidar com bastante movimento nos três primeiros quilômetros.

Mas qualquer aperto logo é compensado pelo apoio nas ruas. Os japoneses incentivam com entusiasmo e os staffs, alinhados com precisão impressionante, entregam água, o isotônico Pocari, bananas, tomates e biscoitos.

Mais uma vez a temperatura ficou acima da média para a época do ano, e notei muito mais corredores caminhando do que em edições anteriores.

O percurso começa com cerca de 3 quilômetros em descida e depois segue com subidas constantes, embora não muito exigentes. Não há distribuição de gel durante a prova e encontrei algumas mesas sem água ou isotônico, algo que pode acontecer quando se corre no fundão, onde sigo divertidamente com minha turma.

O trajeto tem quatro pontos de corte. Placas indicam até que horário o corredor precisa chegar em cada trecho. Caso contrário, um educado oficial japonês, de luvas brancas, rasga o número de peito e informa que a participação terminou ali.

Ao longo do caminho, há apresentações culturais, grupos de tambores, danças e até uma escola de samba. O percurso acaba se transformando em um verdadeiro passeio turístico pela cidade.

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Foto: Divulgação / Contra-Relógio

A chegada, porém, reserva um momento especial. Depois da medalha, os corredores passam por um corredor de voluntários que aplaudem sem parar enquanto caminhamos para receber o lindo poncho da prova. Em seguida, entregam uma sacola plástica para colocar água, lanche e brindes dos patrocinadores.

É um momento realmente emocionante e difícil de esquecer.

E como viajar para correr virou uma aventura completa, alguns brasileiros ainda enfrentaram outro susto no retorno ao Brasil. Quem tinha conexões em Dubai ou no Catar viu voos serem cancelados devido a bombardeios na região. Mais uma vez, o grupo de WhatsApp serviu como canal essencial para troca de informações, já que o contato com as companhias aéreas estava congestionado.

Mesmo com alguns pontos que podem melhorar, a Maratona de Tóquio continua sendo simplesmente maravilhosa.

O site da prova já anuncia a próxima edição, marcada para 7 de março de 2027. As inscrições para o sorteio costumam abrir em agosto, com resultado divulgado em setembro. Já as vagas por caridade estarão disponíveis entre 24 de junho e 9 de julho de 2026.

Agora é torcer para que a sorte sorria novamente e que eu possa correr a Maratona de Tóquio pela nona vez. Afinal, quando algo é bom, nunca é demais.

Contra-Relógio
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