Sedentarismo segue tirando até 300 mil vidas por ano no Brasil
Sedentarismo mata milhões de pessoas no mundo e reforça a importância da atividade física. Colunista relata experiência após sofrer um infarto
É triste ter que dizer isso, mas ainda notícias ruins repercutem mais do que as boas. #TristeRealidade
No último final de semana, perdemos mais um corredor durante uma grande prova de corrida que movimentou São Paulo.
A estrutura e a organização do evento não deixaram nada a desejar. A prova teve crescimento expressivo de 30%* em comparação ao ano anterior, com 21.478 concluintes nos 21 km e outros 6.635 maratonistas, que tiveram metade do percurso da maratona passando pela USP, uma das principais universidades públicas do país.
O percurso é desafiador: a largada acontece no Pacaembu, passando pelas ruas do centro, subida da Avenida 23 de Maio, Parque do Ibirapuera e chegada pelos túneis até o Jockey. Na maratona, o trajeto segue pela USP.
Em uma iniciativa inédita, a prova contou com uma equipe de staff a cada 2 km para prestar os primeiros atendimentos, além das tradicionais motocicletas com socorristas equipados e ambulâncias prontas para agir. Foram cinco ambulâncias básicas, outras 11 com UTI móvel e 80 voluntários médicos durante todo o percurso.
Infelizmente, tivemos a partida de um corredor após a conclusão da prova. Experiente, na faixa dos 50 anos, conforme relatos de amigos, ele vinha treinando há algum tempo para esse desafio. A esposa informou que ele estava com todos os exames em dia e que, infelizmente, aconteceu essa fatalidade.
Não banalizando a situação, mas um mal súbito em meio a tantos corredores é uma ocorrência extremamente rara, embora possa acontecer.
Sem comparar situações, mas trazendo meu próprio relato: há quase 90 dias, eu quase parti dessa. Tive um infarto agudo do miocárdio no início de maio. Tudo começou com uma dor no meio das costas durante a madrugada, que subiu para o ombro esquerdo ao acordar, acompanhada de suor frio.
Procurei o hospital mais próximo e apaguei durante o exame de eletrocardiograma. Isso mesmo estando treinando para minha segunda maratona e com exames recentes em dia, sem colesterol alto e com a pressão controlada por medicação.
Ao retornar, a equipe médica saiu correndo literalmente comigo na maca, pois eu estava infartando. Foram poucos minutos até a realização do cateterismo, com a colocação de um stent. Depois do procedimento, foram identificadas outras duas obstruções em outras veias do coração.
Por ser um caso considerado excepcional, a equipe médica optou por minha permanência na UTI para observação e, 24 horas depois, realizei outro procedimento, agora pelo pulso, já que o primeiro havia sido feito pela virilha.
Foi realizada uma angioplastia com dois stents farmacológicos, deixando meu coração preparado para novos desafios.
Confesso que é desesperador pensar em tudo que passei, mas como dizem: "viver é um eterno risco, e a única certeza da vida é que um dia partiremos".
Neste momento, sigo medicado, refazendo exames e liberado apenas para caminhadas leves, aguardando a avaliação do cardiologista para retomar meus treinos.
Porém, voltando ao título desta edição, hoje aproximadamente 5 milhões de pessoas ao redor do mundo perdem suas vidas todos os anos por causas relacionadas ao sedentarismo. Só no Brasil, esse número pode chegar a 300 mil por ano, segundo estimativas baseadas em dados da OMS.**
Por isso, independentemente da sua situação, é recomendável praticar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física. Escolha uma modalidade que proporcione prazer, para que o movimento se transforme em um hábito.
Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que cerca de 31% dos adultos no mundo, aproximadamente 1,8 bilhão de pessoas, não praticam exercícios suficientes, aumentando o risco de morte precoce.
No entanto, se a tendência de sedentarismo continuar, os níveis de inatividade podem chegar a 35% até 2030.
Panorama global e no Brasil
Falta de movimento: um em cada três adultos é inativo no mundo. Idosos e mulheres representam a maioria entre as pessoas sedentárias.***
Desigualdade: pessoas com menos tempo livre e menos acesso a espaços adequados enfrentam mais barreiras para a prática de exercícios.
O Brasil: o país apresenta índices elevados de inatividade física na América Latina, reforçando a necessidade de políticas públicas de saúde e mais espaços de lazer.
Riscos à saúde
- Doenças cardiovasculares, como infarto e pressão alta.
- Diabetes tipo 2.
- Maior risco relacionado a alguns tipos de câncer.
- Problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade.
Fazer atividade física é extremamente importante. Ela reduz o risco de diversas doenças, melhora sintomas de depressão, contribui para melhores resultados no tratamento do câncer e ajuda no fortalecimento do sistema imunológico.
Cuide-se. Chegou o momento de olhar um pouco mais para a própria saúde. 😉
Bjs e volto já!
#ÓtimasLeituras&Reflexões
Fontes:
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