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Brasília recebe Mundial de Marcha e celebra 90 anos da modalidade no Brasil

Com protagonismo de Caio Bonfim, país vive auge da marcha atlética e sedia pela primeira vez o evento no Hemisfério Sul

3 abr 2026 - 18h36
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Caio Bonfim em Paris 2024 (Foto: Wagner Carmo/CBAt)
Caio Bonfim em Paris 2024 (Foto: Wagner Carmo/CBAt)
Foto: Divulgação / Contra-Relógio

O Brasil será sede do Mundial de Marcha Atlética por Equipes 2026 no dia 12 de abril, em Brasília, marcando a primeira realização do evento no Hemisfério Sul. A competição acontece no momento em que a modalidade se aproxima dos 90 anos de história no país, em sua fase mais forte no cenário internacional.

O evento chega em um cenário extremamente positivo para o Brasil, impulsionado principalmente pelos resultados recentes de Caio Bonfim. O atleta brasiliense, que competirá "em casa", é atual campeão mundial dos 20 km, vice-campeão olímpico da distância e também vice-campeão mundial nos 35 km, marcas que colocam o país em evidência no cenário internacional.

A história da marcha atlética no Brasil começou após os Jogos Olímpicos de Berlim 1936, quando dirigentes brasileiros se encantaram com a prova e decidiram trazê-la ao país. A primeira competição nacional foi realizada em 1937, em Porto Alegre, com vitória de Carmindo Klein nos 5 km.

A partir do Rio Grande do Sul e, posteriormente, de São Paulo, a modalidade se espalhou pelo país. Nos anos 1970, com a inclusão nos Campeonatos Brasileiros, surgiu o primeiro grande nome nacional: Fernando Elias, conhecido como "Demolidor de Recordes", responsável por dezenas de marcas nacionais e sul-americanas.

A década de 1980 marcou a internacionalização da marcha brasileira, com destaque para Marcelo Moreira Palma, primeiro representante olímpico do país na modalidade, nos Jogos de Seul-1988, além de medalhista pan-americano. No mesmo período, Santa Catarina se consolidou como um dos principais polos formadores, especialmente nas cidades de Blumenau e Timbó.

Foi nesse ambiente que surgiu Sérgio Galdino, um dos maiores nomes da história da marcha no Brasil. Com carreira longeva, participou de três Jogos Olímpicos e nove edições do Mundial por Equipes, sendo referência técnica e inspiração para gerações seguintes.

A presença feminina começou a ganhar força também nos anos 1980, com pioneiras como Ivana Henn, Rosemar Piazza e Denise Volker. Décadas depois, o país passaria a colher resultados expressivos, especialmente com Érica Sena, dona dos principais resultados da história da marcha feminina nacional, incluindo participações olímpicas e medalhas em Mundiais por Equipes e Jogos Pan-Americanos.

Outro nome importante na consolidação da modalidade foi Gianetti Bonfim, responsável por fortalecer a marcha no Distrito Federal ao lado do treinador João Sena Bonfim, ajudando a criar uma das principais bases da modalidade no país.

O trabalho de décadas culmina no momento atual. Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, o Brasil teve, pela primeira vez, equipe completa na marcha atlética, com seis representantes. E foi justamente em Paris que veio um dos maiores feitos da história: a medalha de prata de Caio Bonfim nos 20 km.

Pouco depois, no Mundial de Atletismo de Tóquio 2025, o brasiliense alcançou um feito inédito ao conquistar o ouro nos 20 km e a prata nos 35 km, consolidando-se como o maior nome da história da modalidade no país.

Agora, com o Mundial por Equipes em Brasília, o Brasil não apenas celebra suas nove décadas de trajetória na marcha atlética, como também se afirma definitivamente entre as potências da modalidade, coroando uma história construída por pioneiros, técnicos e atletas que transformaram a prova em referência nacional.

Contra-Relógio
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