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550 desclassificados nos 42 km da SP City! Implantação de duas largadas nos 21 km, em 2027, seria bom para todos

Ajustar o fluxo da SP City para 2027 é uma medida simples que vai valorizar a experiência do atleta e o crescimento do evento

1 ago 2026 - 11h46
(atualizado às 12h10)
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Como divulgado aqui no site, a SP City Marathon (dia 26/07) foi um grande sucesso, com manutenção do seu crescimento anual, assim como da excelência naorganização, apesar do triste episódio de falecimento de um corredor, na chegada da meia-maratona. 

Essa maratona paulistana tem uma característica única, entre as mais de 50 que ocorrem no país, ao oferecer apenas a opção de 21 km, além dos 42 km, enquanto praticamente todas as demais disponibilizam também 5 e 10 km, de forma a atrair um maior contingente de participantes e, naturalmente, conseguir maior arrecadação.

A previsão para 2027 é que as inscrições nas duas distâncias continuem crescendo (ver quadro), o que acabará por aumentar os problemas deste ano e que poderiam ser facilmente resolvidos, com uma decisão ousada e única no Brasil (também rara no exterior, como na de São Francisco - EUA): desmembrar a largada dos 21 km em dois locais e horários, com vantagens para os organizadores e principalmente para os corredores.

Em todos os 10 anos de realização do evento, a largada das duas distâncias têm sido conjunta, mas em várias ondas, a partir das 5h15 até 6h35, não chegando a haver um congestionamento nos primeiros quilômetros, pelas saídas escalonadas por ritmo previsto de corrida, e também porque o começo se dá pela Avenida Pacaembu, com 4 faixas de rolamento. Então, por que este artigo/proposta para que a saída da meia-maratona acontecesse em dois pontos, ou seja, no atual e nos 21,1 km da maratona? Para responder, vou recorrer à minha única participação nesse evento, há alguns anos.

Inscrito nos 42 km, corri com bastante companhia (até demais…) a primeira parte da prova, aliás uma turma bem alegre, mas de repente, após a subida na saída de um túnel (km 20), tudo ficou em silêncio e me vi não mais rodeado de muitos corredores. Foi uma sensação estranha e desanimadora, já que começava a segunda e mais sofrida parte da prova, mas segui em frente mesmo sem esse estímulo, sempre muito importante, até porque nada de público se tem nas nossas maratonas, e a SP City não foge dessa realidade.

No caso do percurso da maratona, em sua segunda metade, são muitos os pontos passíveis de corte e que servem de estímulo para a burla. Este ano, 550 corredores dos 42 km foram desclassificados, a maioria por não ter passado em todos os tapetes de controle do chip, devido ao cansaço ou má fé, mas também homens participando com números de mulheres ou de idosos (para garantir o Boston Qualify?) e indo até o final; outra razão foi chegar depois do tempo-limite nos pontos de corte do trajeto. Igualmente expressivo o número de inscritos que não largaram (desanimados?): 900! O mesmo acontecendo na meia, com 2 mil inscritos não aparecendo!

PIONEIRISMO - Então, imaginei que o evento poderia inovar, tornando-se o único no país a oferecer essa opção aos inscritos na meia-maratona, que largariam com os maratonistas de madrugada ou duas horas mais tarde, entre 7h15 e 8h35, nos 21,1 km do percurso da maratona. Os primeiros teriam a vantagem da baixa temperatura, mas o inconveniente de ter que acordar muito cedo, além de enfrentarem subidas. Já os da segunda largada não precisariam madrugar e correriam em percurso praticamente todo plano.

Em relação aos maratonistas, o estímulo para uma melhor performance seria óbvio, com mais gente osacompanhando na segunda parte e, dessa forma, aumentando o número de ingressantes no Ranking CR, que neste ano não chegou nem na metade dos concluintes.Também cairia o impressionante número de desclassificados (550!), basicamente por corte de percurso na Cidade Universitária, pelos participantes se sentirem mais estimulados, assim como daqueles que foram barrados nos pontos de limite de tempo da segunda metade. Sem contar que haveria redução no total de inscritos desistentes de participar (900 este ano!), estimulados pela novidade. Enfim, seria bom para todos!

O site CR chegou a fazer uma pesquisa sobre essa ideia e o resultado foi incrível, na medida em que se constatou 50% de respostas para cada uma das opções. Dessa forma, levando em conta os números deste ano e projetando para2027, começariam no Pacaembu uns 20 mil corredores (9 mil na maratona e 11 mil na meia), enquanto outros 16 mil largariam na marca dos 21,1 km da maratona, na avenida do Jockey Club, onde acontecem as chegadas.

O resultado da pesquisa (que está sendo repetida agora)me animou a repassar a proposta para a Iguana, acreditando que os maratonistas seriam beneficiados e mais estimulados a participar, assim como os corredores dos 21 km, ao contarem com a nova alternativa, resultando em um aumento expressivo nas inscrições da SP City.

A proposta para a Iguana não avançou, mas quem sabe em 2027 a inovação aconteça e até sirva de exemplo para outras maratonas brasileiras (em situação bem semelhante, como Curitiba), que atrairia mais corredores para o desafio dos 42 km, hoje por vezes meros coadjuvantes em eventos em que as outras distâncias (5, 10 e 21 km) têm muito mais participantes.

Números dos 42 km na SP City 2026

8.300 inscritos

6.642 concluintes

3.131 no Ranking CR (47%)

900 não largaram 

550 desclassificados 

90 não completaram

AS VANTAGENS COM A MUDANÇA

1 - Área de concentração no Pacaembu sem tumulto (ao invés de 33 mil corredores, seriam 20 mil)

2 - Menos congestionamentos e quedas na primeira metade, especialmente nos túneis

3 - Duas opções nos 21 km: saída de madrugada e percurso com subidas; saída de manhã e percurso plano

4 - Maratonistas teriam maior companhia na segunda parte, tornando-a muito mais agradável

5 - Menor número de desclassificados (cortadores e estouro dos tempos-limite), assim como de desistências

6 - Melhor performance dos maratonistas; neste ano, nem metade conseguiu ingressar no Ranking CR

 Concluintes na SP City Marathon

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Foto: Divulgação / Contra-Relógio
Contra-Relógio
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