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Parassocial: o que a 'palavra do ano' diz sobre as relações sociais em 2026?

Conexão virtual unilateral com pessoas distantes ou até com IAs tende a crescer, mas pode evoluir para casos de stalker ou questões de saúde mental; veja o que diz especialista

13 jan 2026 - 18h09
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Você abre a rede social, acompanha a rotina de um artista, vibra com suas conquistas e sente que o conhece profundamente. Quando surge uma notícia inesperada, como um noivado ou mudança de carreira, a reação é emocional, quase pessoal. Esse tipo de vínculo tem nome e ganhou destaque global recentemente. O Dicionário de Cambridge elegeu a palavra "Parassocial" como a palavra do ano de 2025. Ela ajuda a explicar transformações profundas na forma como nos relacionamos em 2026.

Entenda o que são relações parassociais, termo que ganhou destaque em 2025 e como esse tipo de vínculo emocional influencia as relações
Entenda o que são relações parassociais, termo que ganhou destaque em 2025 e como esse tipo de vínculo emocional influencia as relações
Foto: Reprodução: Canva/Vlad Fratila's Images / Bons Fluidos

De onde veio esse termo?

Apesar do termo parecer bastante atual, o conceito-base é antigo. A ideia de relação parassocial surgiu em 1956, através do psicólogo Donald Horton e do sociólogo Richard Wohl, para descrever a sensação de intimidade que o público desenvolve com figuras da mídia, mesmo sem reciprocidade real.

O que mudou nas últimas décadas foi a escala e a intensidade desse fenômeno, impulsionadas pelas redes sociais, pelo consumo constante de conteúdo e pela presença crescente de influenciadores, celebridades e até inteligências artificiais no cotidiano.

Parassocial em 2025

O interesse pelo termo disparou em agosto de 2025, após o anúncio do noivado da cantora Taylor Swift com o jogador Travis Kelce. Milhares de fãs buscaram entender por que a notícia provocou reações emocionais tão intensas, revelando como essas conexões unilaterais podem afetar a percepção de vínculo, pertencimento e até identidade.

Para o Pós-PhD em Neurociências Dr. Fabiano de Abreu Agrela, autor de um estudo sobre o excesso de uso das redes sociais, esse tipo de relação não é apenas um fenômeno social, mas também cerebral. "O cérebro humano não foi projetado para diferenciar com precisão vínculos reais de vínculos simbólicos quando há repetição, emoção e identificação. As mesmas áreas ativadas em relações presenciais, como o sistema límbico e circuitos de recompensa, também entram em ação nas relações parassociais", explica.

De acordo com o neurocientista, a exposição contínua a conteúdos pessoais de figuras públicas cria a ilusão de proximidade. "Quando alguém acompanha diariamente a vida de um artista, o cérebro passa a registrar aquele rosto e aquela voz como familiares. Há liberação de dopamina e oxitocina associadas à sensação de conexão, mesmo sem troca real", afirma Fabiano.

Consequências na rotina

Esse mecanismo ajuda a entender por que as relações parassociais tendem a se intensificar em períodos de maior isolamento social ou fragilidade emocional. Em um cenário marcado por rotinas aceleradas, solidão urbana e relações cada vez mais mediadas por telas, esses vínculos funcionam como uma espécie de compensação afetiva. O problema surge quando o cérebro passa a substituir relações recíprocas por conexões unilaterais.

"A relação parassocial, quando exagerada, pode gerar frustração, ansiedade e dificuldade de lidar com limites. O cérebro cria expectativas de reciprocidade que nunca serão atendidas, o que pode ativar circuitos de estresse e sensação de rejeição", alerta Fabiano de Abreu.

Relações parassociais em 2026

Em 2026, este debate ganha mais uma nova camada com a popularização de inteligências artificiais conversacionais e avatares digitais. Para o especialista, o risco é ainda maior. "Quando a interação envolve IAs que respondem, elogiam e se adaptam ao usuário, o cérebro pode reforçar ainda mais a ilusão de vínculo. Isso aumenta o risco de dependência emocional e de retração social", pontua.

Dr. Fabiano de Abreu também chama atenção para a linha tênue entre admiração saudável e comportamento disfuncional. "Em alguns casos específicos, a relação parassocial pode evoluir para obsessão ou stalking, especialmente em indivíduos com fragilidade emocional prévia ou dificuldade de estabelecer vínculos reais", explica.

Sobre o especialista

Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues (MRSB/P0149176) é Pós-PhD em Neurociências, eleito membro da Sigma Xi - The Scientific Research Honor Society. Mestre em Psicologia, Licenciado em História e Biologia, também é Tecnólogo em Antropologia e Filosofia, com diversas formações nacionais e internacionais em Neurociências e Neuropsicologia. Atualmente, é professor convidado na PUCRS e Comportalmente no Brasil, UNIFRANZ na Bolívia e Santander no México. Além disso, atua como Diretor do CPAH - Centro de Pesquisa e Análises Heráclito e é o criador do projeto GIP, que estima o QI por meio da análise da inteligência genética.

*Fonte: MF Press Global

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