Paixão por felinos: um em cada cinco lares brasileiros tem um gato de estimação
Dados do IBGE mostram a força dos felinos nos lares brasileiros; veja os estados com mais gatos e os benefícios dessa companhia
Quem divide a casa com um gato sabe que os felinos rapidamente deixam de ocupar apenas o posto de animais de estimação para ganhar espaço na rotina - e, muitas vezes, no sofá, na cama e no coração da família. E os números mostram que essa relação é bastante comum entre os brasileiros.
Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 19,3% dos domicílios brasileiros tinham pelo menos um gato. Na prática, isso representa aproximadamente um em cada cinco lares.
A presença dos felinos, porém, varia bastante dependendo da região do país. Alguns estados apresentam uma proporção de tutores bem superior à média nacional.
Nordeste se destaca pela presença de gatos
O topo da lista é dominado por estados nordestinos. O Piauí aparece na primeira posição: 32,6% dos domicílios tinham pelo menos um gato no período analisado. Em seguida aparecem Maranhão, com 31,5%, e Ceará, com 29,3%. Tocantins (27,2%) e Rondônia (26,9%) completam as cinco primeiras posições. Já na outra ponta estão Distrito Federal, onde 10,3% dos domicílios tinham gatos, Espírito Santo (13,2%) e Minas Gerais (14,5%).
Por que a companhia de um gato pode fazer tão bem?
Para quem pensa em aumentar a família com um felino, a convivência pode trazer mudanças que vão muito além de ter um bichinho circulando pela casa. Cuidar de um animal acrescenta responsabilidades, mas também pode proporcionar companhia, momentos de descontração e uma nova dinâmica para a rotina.
Estudos vêm investigando há anos a relação entre a convivência com animais e aspectos do bem-estar. Embora os efeitos sejam individuais e um pet jamais deva ser encarado como tratamento para problemas físicos ou emocionais, algumas experiências ajudam a entender por que os gatos conquistaram tanto espaço nas famílias.
1. Uma companhia para os pequenos momentos
Apesar da fama de independentes, gatos podem estabelecer vínculos bastante próximos com seus tutores. Alguns acompanham a pessoa pela casa, procuram carinho, dormem por perto ou simplesmente gostam de permanecer no mesmo ambiente. Especialmente para quem mora sozinho, ter essa presença durante as atividades cotidianas pode tornar a casa mais acolhedora.
2. Os cuidados ajudam a estabelecer horários
Gatos podem até ter fama de fazer tudo quando querem, mas suas necessidades acabam criando uma certa organização dentro de casa. Alimentação, limpeza, brincadeiras e cuidados com a saúde precisam ser incorporados à rotina. Essa previsibilidade pode ser agradável para quem gosta de estruturar o dia em torno de pequenas tarefas. Ao mesmo tempo, é justamente aí que aparece uma das principais responsabilidades da adoção: esses cuidados precisam continuar durante toda a vida do animal.
3. Eles podem render boas doses de diversão
Uma caixa vazia, uma bolinha ou uma simples varinha podem ser suficientes para despertar a curiosidade de um gato. Além de estimularem o animal, as brincadeiras também criam oportunidades de interação com o tutor. São momentos simples, mas capazes de interromper a correria cotidiana e proporcionar alguns minutos de diversão.
4. O famoso ronronar
Para muitos tutores, poucos sons são tão associados à tranquilidade quanto o ronronar de um gato acomodado por perto. Embora existam pesquisas investigando as frequências produzidas durante o ronronar, ainda não há evidências suficientes para atribuir ao som efeitos terapêuticos comprovados em seres humanos.
Isso não impede, porém, que o momento seja prazeroso. Para quem gosta de gatos, ouvir o ronronar enquanto faz carinho pode simplesmente fazer parte de uma experiência de relaxamento e conexão com o pet.
5. O vínculo vai sendo construído com o tempo
Conviver com um gato também significa aprender uma nova linguagem. Aos poucos, o tutor passa a identificar comportamentos que indicam fome, vontade de brincar, busca por carinho ou simplesmente desejo de ficar sozinho. O animal também aprende a reconhecer os hábitos das pessoas da casa. Essa familiaridade construída diariamente pode fortalecer a confiança e tornar a relação cada vez mais próxima.
Adotar também significa assumir responsabilidades
Toda essa troca afetiva vem acompanhada de um compromisso importante. Antes de levar um gato para casa, é necessário considerar se existe disponibilidade de tempo e dinheiro para oferecer os cuidados necessários durante toda a vida do animal.
Alimentação adequada, água fresca, vacinação, consultas veterinárias, caixa de areia e um ambiente seguro fazem parte dessa responsabilidade. Também é preciso considerar despesas inesperadas, especialmente quando surgem problemas de saúde.
A questão financeira apareceu, inclusive, na pesquisa da Universidade de Michigan: entre os tutores com mais de 50 anos entrevistados, 31% afirmaram que os gastos com seus animais pesavam no orçamento.
Por isso, a decisão de adotar deve ir além da vontade de ter companhia. Quando existe planejamento e disposição para assumir esse compromisso a longo prazo, porém, a chegada de um gato pode inaugurar uma relação marcada por afeto, brincadeiras e muitos momentos compartilhados - exatamente aquilo que ajuda a explicar por que os felinos já conquistaram tantos lares brasileiros.
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