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O SUS está demorando demais? Saiba quando a Justiça pode ser uma saída

É possível recorrer à Justiça caso o SUS demore? Veja quando a espera pode ser considerada excessiva e o que fazer nesses casos.

14 ago 2026 - 07h00
(atualizado às 07h01)
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Quem já esperou meses por uma cirurgia, um exame, uma consulta especializada ou um medicamento pelo SUS conhece bem essa angústia.

O SUS está demorando demais? Saiba quando a Justiça pode ser uma saída
O SUS está demorando demais? Saiba quando a Justiça pode ser uma saída
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

Nesse contexto, uma dúvida que aparece com frequência entre meus clientes é: quando o SUS demora, é possível recorrer à Justiça? A resposta, em muitos casos, é sim.

Mas existe um ponto importante. Nem toda espera gera automaticamente um processo com resultado favorável.

Cada situação precisa ser analisada, principalmente quando a demora compromete a saúde ou aumenta o risco de agravamento da doença.

A saúde é um direito, não um favor

O artigo 196 da Constituição Federal diz que a saúde é direito de todos e dever do Estado.

Isso significa que União, estados e municípios têm a obrigação de garantir o acesso ao tratamento, e não apenas oferecer atendimento quando há estrutura disponível.

O Supremo Tribunal Federal já reconheceu que os entes públicos têm responsabilidade solidária na área da saúde.

Na prática, isso permite que o paciente busque judicialmente o acesso ao tratamento, cabendo à Justiça analisar qual órgão público deverá cumprir a decisão.

Quando a demora pode ser considerada excessiva

Não existe um prazo único que valha para todos os casos. A gravidade do quadro, o risco para o paciente e a urgência indicada pelo médico fazem diferença.

Ainda assim, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) utiliza alguns parâmetros para avaliar situações de demora excessiva.

Em cirurgias que não são de emergência e podem ser programadas, por exemplo, uma espera superior a 180 dias pode ser considerada excessiva.

Para consultas e exames especializados, também existem parâmetros que ajudam a avaliar se a demora ultrapassou um limite razoável.

Mas esses números não funcionam como uma regra automática.

Em casos urgentes, a necessidade de atendimento pode ser reconhecida muito antes disso, especialmente quando há risco de piora do quadro ou perda de qualidade de vida.

Também é importante lembrar que recorrer à Justiça não significa "furar a fila".

Os tribunais costumam diferenciar quem busca atendimento diante de uma demora excessiva ou de uma negativa do poder público de situações em que não há urgência comprovada.

O que fazer antes de procurar um advogado

Alguns cuidados simples podem fazer diferença caso seja necessário buscar ajuda judicial depois.

Peça que a solicitação do exame, cirurgia, consulta ou medicamento fique registrada e guarde protocolos, encaminhamentos e documentos.

Se houver negativa, solicite um documento explicando o motivo da recusa.

Também vale registrar uma reclamação na Ouvidoria do SUS, pelo telefone 136 ou pelos canais oficiais do Ministério da Saúde.

Esse histórico ajuda a demonstrar que o paciente tentou resolver a situação administrativamente e pode servir como prova da demora ou da negativa de atendimento.

O laudo médico faz diferença

Um dos documentos mais importantes nesses casos é o laudo ou relatório médico.

Ele deve explicar o diagnóstico, a urgência do tratamento, os riscos da espera e por que aquele procedimento, exame ou medicamento é necessário.

Quanto mais claras forem essas informações, mais fácil será demonstrar à Justiça a necessidade do atendimento.

Como funciona o pedido na Justiça

Com a documentação reunida, é possível ingressar com uma ação judicial e pedir uma liminar.

A liminar é uma decisão provisória, analisada logo no início do processo, justamente para evitar que o paciente precise esperar o julgamento final quando há urgência.

Se ela for concedida, o juiz pode determinar que o tratamento, o exame, a cirurgia ou o fornecimento do medicamento aconteçam antes do fim da ação.

O processo completo pode levar mais tempo, mas a análise do pedido urgente costuma ocorrer nos primeiros momentos do processo.

O paciente não precisa enfrentar essa situação sozinho

Esperar por um tratamento necessário pode ser desgastante e gerar insegurança para toda a família.

Quando a espera ultrapassa limites razoáveis ou coloca a saúde em risco, é possível recorrer à Justiça caso o SUS demore a oferecer o atendimento necessário. Para isso, é importante ter documentos que comprovem a necessidade e a urgência do caso.

Ter os documentos corretos e buscar orientação no momento adequado pode ser importante para avaliar quais caminhos estão disponíveis e garantir o acesso ao tratamento de forma mais rápida.

Marina Lima é advogada. Nesta coluna, aborda questões jurídicas que fazem parte do cotidiano de pessoas que precisam acessar direitos relacionados à saúde. @fariaelimaadvocacia

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Fonte: SaúdeLAB
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