Morte de pesquisadora russa acende alerta sobre peste
A morte de uma pesquisadora de 28 anos em um instituto na Sibéria gerou alerta internacional sobre um suposto acidente com peste pneumônica. Moscou nega a contaminação em laboratório e atribui o óbito a uma pneumonia desconhecida. Contudo, a imposição de quarentenas e relatos contraditórios alimentaram suspeitas, levando os Estados Unidos a cobrarem transparência do governo russo, temendo os riscos de rápida disseminação da bactéria letal.
Moscou nega que óbito tenha sido causado por acidente de laboratório na Sibéria, mas contradições nas informações oficiais e medidas de contenção alimentam especulações e provocam reação dos EUA.A morte de uma jovem que trabalhava em um instituto de pesquisa sobre a peste na região russa de Irkutsk, na Sibéria, provocou preocupações internacionais e uma onda de especulações sobre um possível acidente de laboratório. Os Estados Unidos pediram nesta segunda-feira (05/10) que Moscou fosse "transparente". As autoridades russas, no entanto, rejeitam qualquer ligação do caso com a peste pneumônica e garantem que a situação epidemiológica permanece sob controle.
Segundo a Rospotrebnadzor, principal agência russa responsável pela saúde pública e vigilância epidemiológica, a pesquisadora de 28 anos morreu em consequência de uma "pneumonia de origem desconhecida". A agência informou que exames realizados não detectaram microrganismos relacionados à atividade profissional da funcionária e negou a ocorrência de um acidente envolvendo agentes biológicos.
A versão contradiz veículos locais e posts nas redes sociais que informaram anteriormente que a pesquisadora teria deixado cair um tubo de ensaio durante o trabalho em um laboratório especializado em doenças infecciosas. Poucos dias depois, ela foi internada com sintomas respiratórios graves e morreu na sexta-feira (02/10), em um hospital de Shelekhov, perto de Irkutsk.
Resposta russa acende alerta
Apesar das negativas de Moscou sobre um acidente de laboratório, a resposta das autoridades sanitárias ao caso chamou atenção. O instituto de pesquisa foi colocado em quarentena, funcionários foram isolados e unidades hospitalares da região adotaram medidas emergenciais de contenção. De acordo com o governo russo, porém, não foram registrados novos casos entre os contatos monitorados.
A desconfiança internacional também foi ampliada por informações contraditórias divulgadas pelas próprias autoridades russas. Relatórios iniciais mencionavam uma "infecção particularmente perigosa", expressão normalmente reservada a enfermidades de alto potencial de transmissão e letalidade.
EUA monitoram "de perto"
Os Estados Unidos afirmaram acompanhar o episódio "de perto". Em comunicado, o Departamento de Estado pediu que a Rússia compartilhe informações "precisas, rápidas e transparentes" sobre o caso. Washington ressaltou que a peste é uma doença conhecida, tratável com antibióticos quando diagnosticada precocemente, mas destacou a importância da divulgação de dados para avaliar eventuais riscos à saúde pública.
A preocupação se explica pelas características da peste pneumônica, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a forma mais agressiva da doença causada pela bactériaYersinia pestis. Diferentemente da peste bubônica - que estima-se ter matado na Idade Média um terço da população europeia -, a variante pneumônica pode ser transmitida diretamente entre pessoas por meio de gotículas respiratórias e, sem tratamento rápido, pode levar à morte em menos de 24 horas após o surgimento dos sintomas.
A peste continua presente em focos naturais da África, Ásia e Américas. Partes da Sibéria registram reservatórios naturais do agente infeccioso em populações de roedores, o que exige monitoramento constante das autoridades sanitárias.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, os médicos são aconselhados a não esperar pela confirmação laboratorial, mas a iniciar a administração de antibióticos assim que houver suspeita de peste. Para evitar a propagação da infecção, os pacientes são isolados. Pessoas que tiveram contato próximo com um paciente são tratadas mesmo que não apresentem sintomas.
le (Lusa, ots)
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