0

'Gisele, Carol Ribeiro escutaram muitos Nãos', diz dona de agência

29 mai 2020
18h52
atualizado às 18h55
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator
Gisele Bündchen e Liliana Gomes (Foto: Arquivo pessoal/Liliana Gomes)
Gisele Bündchen e Liliana Gomes (Foto: Arquivo pessoal/Liliana Gomes)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

"Se você quer ser modelo, siga sua intuição e tente", afirmou Liliana Gomes, dona Joy Models, que criou em 2008, junto com John Casablancas (1942-2013), com o qual já tinha trabalhado muito tempo, na Elite Models do Brasil. Em live no perfil do Instagram do "Elas no Tapete Vermelho", empresária, hoje sócia de Marcelo Fonseca na agência, falou sobre como é carreira de modelo atualmente, contou sobre como ela e a equipe da Elite convenceu Gisele Bündchen a deixar de ir a uma excursão num parque de diversões em São Paulo, 1994, para conhecer a agência e disse que toda modelo tem que saber cozinhar. "Senão, vai comer sanduíche e engordar", afirmou.

Durante a conversa de uma hora, falou também sobre o novo mercado para modelos, que inclui plus size e mulheres com mais idade e revelou que se Lais Ribeiro, cria sua, revelada em 2009, não teria o mesmo sucesso se fosse contemporânea de Gisele.

Liliana Gomes (Foto: Divulgação)
Liliana Gomes (Foto: Divulgação)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

"Naquela época, as brasileiras com traços europeus se destacaram, porque o mercado internacional pedia isso", afirmou. Hoje, com mais diversidade, ela fala que modelo tem que ter 20% de beleza e 80% de personalidade. Ressalta ainda a importância das mídias sociais na carreira. Por isso, lançou a ação #JumpForJoy, para que aspirantes de modelo publiquem suas fotos no Instagram com essa hashtag.

Confira abaixo trechos da entrevista.

Gisele Bündchen e Liliana Gomes no concurso “The Look Of The Year”, em 1994(Foto: Arquivo pessoal/Liliana Gomes)
Gisele Bündchen e Liliana Gomes no concurso “The Look Of The Year”, em 1994(Foto: Arquivo pessoal/Liliana Gomes)
Foto: Elas no Tapete Vermelho
Gisele Bündchen

"John Casablancas sempre disse que quem descobriu a modelo foi o último que colocou trabalhou com ela. Com esse raciocínio, Gisele hoje é produto da IMG, agência que cuida dela atualmente. O Dilson Stein (empresário gaúcho que convenceu Gisele a participar de um concurso no Sul e trouxe o grupo de meninas pretendentes a modelo para São Paulo) foi inteligente, porque deu oportunidade para fazer o curso de modelo. Nós, digo eu o Zeca de Abreu, a vimos no shopping e a convencemos a visitar a agênia. Ela só foi depois que garantimos a ela que teria mais sucesso na carreira como jogadora de vôlei, em que almejava ser campeã  A gente nunca soube que a Gisele ia ser a Gisele. A gente tinha um feeling, o John também teve feeling e esse caminho a levou aonde chegou".

Nada fácil

"Gisele não ganhou o concurso 'The Look Of The Year", Na final mundial, em Ibiza, ficou entre as 15. A Gisele de hoje não tem nada a ver com aquela. Ela era muito magra, tinha 83 cm de quadril. Era era muito menina, magrinha, as roupas nçao cabiam. Numa época em que o mercado era de pessoas como Cindy Crowford, demorou muito para trabalhar. Em 1999, quando ganhou como melhor modelo do mundo, ninguém olhou para traz para ver o trabalho que ela teve para chegar lá. O desfile que abriu o caminho para ela foi o de de Alexander McQueen. Naquela época, Londres abria as semanas de moda. Aí ela foi para Paris e todo mundo começou a notar. O grande mérito dela era que nunca negou trabalho. Trabalhava com febre, pegava dois trabalhos por dia. Tinha muita disciplina, além do talento".

.Sorte

"Gisele teve muita sorte também, pois surgiu no momento em que o mercado precisava de uma top. A Shirley Malmann (modelo brasileira), foi importante, porque abriu o caminho para muita gente no Brasil. O John abriu a Elite no Brasil e queria uma top brasileira, porque lá fora o Brasil era conhecido apenas pelo samba, futebol e mulher gostosa, mas não tinha modelo. Por isso, não adiantaria nada o Dilson ter achado a Gisele e não ter a gente para recebê-la na agência, eu o Zeca, a Mônica Monteiro (que cuidou da carreira dela por 14 anos). E também se não tivesse o caminho aberto em Nova York  pelo John.

Isabeli Fontana (Foto: Divulgação)
Isabeli Fontana (Foto: Divulgação)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

Outro padrão

"As modelos daqui não eram alinhadas com o padrão internacional. E a gente estava aprendendo com a maior agência do mundo. Não tinha como dar errado. No mesmo concurso de Gisele, também participou Fernanda Tavares. Tínhamos também Carol Ribeiro, Alessandra Ambrosio, Izabel Goulart, Michelle Alves, Isabeli Fontana. Eram todas meninas a construir e a colocá-las no mercado. Era muito difícil, porque as outras meninas que vinham atrás dela queriam fazer o mesmo sucesso. Na hora de conseguir uma boa agência e ser uma boa modelo é fácil, mas na hora de ser top, é uma questão de inteligência e ter sorte e uma conjunção de coisas a favor, como tambpem o lançamento das semanas de moda, criadas pelo Paulo Borges".

Modelo = jogador de futebol

"Modelo é como jogador de futebol. Só teve um Pelé. É difícil achar outro igual ou outro como Ronaldo.  Existem cerca de 3 mil brasileiras espalhadas no mundo trabalhando como modelo, e que estão vivendo a vida delas de forma correta, honesta, ganhando a vida, ganhando dinheiro, casando, mas não são uma top como a Gisele".

Laís Ribeiro

Laís Ribeiro foi descoberta em 2009, mas se estivéssemos em 1994, não conseguiríamos trabalhar com ela  como agora, porque na época não se valorizava essa mistura racial que a Lais representa. Ela representa uma nova tendência. Na primeira onda de modelos, foram as brasileiras que pareciam europeias, que tinham alguma origem europeia. Mesmo quan fui para Fortaleza, duvidei de Lais porque ela  não era negra, índia ou branca. Não sabia se o mercado aceitá-la. Mas me convenceram a vê-la de biquíni e quando a vi, percebi seu potencial, E a primeira entrevista dela foi com a Victoria's Secret  (hoje ela é a única angel brasileira na grife americana). Em 1994, ela teria passado pelo grupo sem ser notada. Por isso, digo sorte.

Lais Ribeiro (Foto: Divulgação)
Lais Ribeiro (Foto: Divulgação)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

Personalidade

"O John Casablancas sempre dizia que 50% da modelo é beleza, 50%, é personalidade. Falava para entrevistarmos a candidata para ver a força dela. Se ele estivesse vivo hoje,falaria que são 80% personalidade e 20%, a beleza. Hoje a personalidade é tão importante que ela supera a forma física. Sempre as pessoas vão se curvar para a beleza,mas essa imagem  se abriu um pouco. Gostam dessa desigualdade, desse pequeno defeito, dessa diversidade. O ser humano mudou. A gente não é só homem e mulher. A gente tem nuances disso E a moda é o primeiro lugar que se vê isso, porque está sempre à frente da sociedade."

Valentina Sampaio

"Sobre a Valentina Sampaio, que é modelo trans, por exemplo. Fui com ela no penúltimo baile da Vogue. Ela anda, todo mundo olha para ela, homem, mulher. O que importa numa modelo é o fato de chamar a atenção, aquilo que faz um fotógrafo ficar fascinado, que faz o produtor querer trabalhar, que o desfile tenha sucesso. Toda vez que se começa a trabalhar com uma modelo, tem que lapidar, por exemplo, arrumar os dentes, melhorar a pele, o cabelo. Isso tudo faz parte do produto humano, mas a energia que a pessoa tem, está nela."

Alessandra Ambrosio

"Quando a gente viu a Alessandra Ambrósio, ela era um bebê de 13 anos e 1,70 m. Eu e o Sergio Mattos (outro scouter) vimos e falamos, Nossa, ela é maravilhosa, porque conseguia cativar os olhos das pessoas. Ela fez muito com o que ela tinha, porque na época, a modelo tinha que ter 1,77m, 1,78m. A Isabeli Fontana não tinha essa altura, mas tinha um rosto tão lindo que era impossível não olhar. mas a Ambrósio podia passar pelo lugar comum. E o que ela tem é a capacidade de fazer as pessoas ficarem ligadas na beleza dela, manter a capacidade interior e ser sensual".

Sheila O’Callaghan – Foto: Divulgação/Joy Model
Sheila O’Callaghan – Foto: Divulgação/Joy Model
Foto: Elas no Tapete Vermelho

Mais velhas

"Aqui tem menos trabalho e menos mercado para as mais velhas. É menor que nos Estados Unidos, mas tenho modelos mais velhas na minha agência, com de 40 ou 50 que é líder em faturamento, como a Sheila O'Callaghan (51 anos). Mas se a pessoa nunca foi modelo, começar com 40 ou 50 anos é mais difícil, sem ter sido uma pessoa ligada à moda ou a imagem, ou que não tem vergonha de ser fotografa ou fazer vídeo, porque o cliente não vai ter tempo de te ensinar. As mulheres mais velhas tem mercado, as grandes tops estão trabalhando, como a Naomi, que fez 50 anos, a Gisele, que faz 40 anos. A  mulher está vencendo mais essa barreira, que pode envelhecer, como o homem, com dignidade."

Plus size x Curve

"A diferença entre uma e outra é que a curve vai vestir 44 ou 46 e a plus size, vai vestir 48 ou 50, dentro do nosso padrão comercial. Muitas pessoas acham que a modelo plus size é uma pessoa fora de forma, mas não é isso. E achar modelo plus size é difícil, estamos a procura delas. Uma modelo plus size tem que vestir bem a roupa, ter uma pele linda, cabelo bem cuidado. Não é só ter mais peso para ser uma plus size. tem que ter uma forma física, elegância, autoconfiança."

Instagram

"Hoje, o book é o Instagram. Se for uma pessoa que não puder existir também em mídias digitais, não dá para existir nesse outro universo. A modelo hoje é seu próprio canal. Antes, era importante que a modelo fizesse editorial na "Vogue", porque era uma canal para ela começar a trabalhar. E a modelo não era muito exposta para conservar sempre sua imagem. O veículo quer investir na Gisele, porque tem X milhões de seguidores  e vai repercutir aquilo. A modelo hoje tem que ser mais camaleão do que nunca, mais verdadeira do que nunca. Não tem como ser fake, não dá para fingir que é uma pessoa que faça esporte. Ou faz ou não faz, porque em algum momento vão descobrir a verdade. Hoje, a modelo tem que saber quais são seus atributos, suas qualidades, seu aspiracional e ter as pessoas que vão te seguir e as marcas que vão te querer por aquilo que você é."

Cachê

"Para new faces, a tabela é de R$ 800 mais 20%. A agência cobra 20% do cliente, para administrar a relação dele. E dos R$ 800 da modelo, também cobra 20%, para administrar a relação dela. E cada um paga os impostos de suas notas. Em campanhas, não tem uma referência, e depende de cada modelo."

Max Weber em backstage de desfile (Acervo pessoal)
Max Weber em backstage de desfile (Acervo pessoal)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

Desfiles pós-pandemia

"Se não tiver remédio nem vacina, os desfiles não vão voltar, nem mesmo SPFW. Estamos discutindo isso na agência todos os dias, mas sabemos que o último a voltar após pandemia serão os desfiles, depois as convenções e os showroons. Em desfile, as modelos se batem, não tem espaço para nada, fica tudo apertado.Elas vão ter que aprender a se maquiar e fazer o cabelo. Os últimos que vão voltar são os maquiadores, porque é um ponto de contágio muito grande, O styling pode deixar a roupa lá e a menina se veste, vai pro set, o fotógrafo fica distante e fotografa. O maquiador vai ter que se provar nisso, porque não pode usar mais o mesmo pincel, não pode ter aproximação, a menos que ele se cubra, porque a modelo tem que estar descoberta."

#JumpForJoy

"Para participar dessa ação não tem requisito nenhum. Ser a pessoa for nova, pode mandar, que a gente vê e se passar, a gente prepara para a idade de começar, que são 16 anos. As mais velhas podem ser escolhida para esse grupo de idade mais alta. Se tiver mais peso, pode ir para o plus size ou curve. Vai lá, coloca #JumpForJoy e manda a foto, não vai doer nada.Tem muita gente vindo, acho que porque tem tempo agora, por estar em casa. Neste formato, a pessoa manda apenas a foto e quem vai analisar, é o pessoal da Joy, duas ou três pessoas. Então, para quem for tímido, isso funciona."

Modelo trans

"Modelos trans quando chegam até nós já fizeram a a transição. Isso eu não sou boa para saber se vai ser uma boa modelo antes da mudança. A gente é boa para avaliar o produto pronto ou mais ou menos, pronto. As trans têm fases e cada uma toma sua decisão de mudança em seu tempo. Se a pessoa não for mudou ainda, tem que procurar uma médico para acompanhar esse processo."

Inglês

"Hoje tem uma coisa muito importante é o inglês. Antes, podia se viajar sem falar inglês, hoje isso não acontece. O cliente não se interessa pro alguém que vai ter dificuldade entender. E muitas escolas não ensinam bem as pessoas sobre como falar línguas.Não tem mais esse tempo para perder.

Urgência no mercado

"Quando a Gisele foi, a agência esperou até um ano para que conseguisse um trabalho, Hoje isso não existe mais. Depois de dois meses que não trabalhou, ligam e falam que vai mandar de volta, porque não está trabalhando. Londres, para se ter uma ideia, o visto de uma menina é de 15 dias. Se não fizer o primeiro trabalho nesse tempo, ela volta. Mas isso raramente acontece, porque a agencia só chama quem tem uma expectativa de trabalho. Então a modelo já deve ter um book, ter trabalhos. Antes podiam ir como new face, hoje não podem mais."

Ver essa foto no Instagram

Happy Mother's Day to my goddess and to all the goddess moms in the world !!! 🌸✨💖

Uma publicação compartilhada por Alessandra Ambrosio (@alessandraambrosio) em

Importância dos pais

"Talvez a Gisele, a Fernanda Tavares, a Alessandra Ambrósio não seriam o que são hoje se não fosse pelo apoio da família. A agência acolhe modelo, a gente protege, ensina, trabalha, cuida do dinheiro dela, faz tudo o que possível, mas se não tiver aquele pessoa que liga pra ela à noite, que fala que acredita nela e que vai ser uma boa modelo, elas não vencem. Por trás dessas modelos, tem alguém da família que se sacrificou para que elas chegassem lá. A mãe da Alessandra Ambrosio viajava a primeira semana com ela, fazia mercado, arrumava o apartamento, deixava tudo bonitinho e ia embora. O pai da Gisele, quando ela foi para os Estados Unidos, mandou um questionário de 100 perguntas. E a gente demorou muito para responder, porque ele queria saber tudo o que ia acontecer com ela, para tomar a decisão ou não. Se os pais não estiverem presentes de alguma forma, não dá para substituir o que elas tem em casa."

Ver essa foto no Instagram

Uma publicação compartilhada por Caroline Ribeiro/Carol Ribeiro (@caropita) em

Muitos "Nãos"

"O maior erro que uma modelo ou aspirante pode cometer é desistir dela mesma. Não é uma carreira fácil, não é uma carreira feita só de "Sim". É uma carreira feita de "Nãos".É preciso acreditar naquilo que você tenha internamente e no seu agente. Se ele disser que você tem chance, confia nele. Todas as que tiveram sucesso vão dizer a mesma coisa. Foi a resistência. Por exemplo, a Carol Ribeiro levou quatro anos para pegar o primeiro trabalho importante da carreira. E está trabalhando até agora. tem que ter vontade. Carreira de modelo é como a de esportista, comer bem, dormir bem e ter disciplina. Se a pessoa não tem isso, não vai vencer.

Saber cozinhar

"Uma das coisas que acabam com a carreira de modelo é não saber cozinhar, não saber lavar a roupa, não saber cuidar de casa. Muitas meninas estão acostumadas com a empregada doméstica e com a mãe, que fazem tudo para elas. E não aprendem as funções básicas da casa. E quando estão no nosso apartamento de modelos, elas tem que aprender a ter disciplina, cumprir horários, não se atrasar para testes, se arrumar bem, tirar dinheiro do banco, planejar seu dia. Toda a organização que os pais fazem quando são adolescentes. Os pais estão preparados para deixar os filhos irem embora aos 24 anos. E elas saem de casa aos 16. Por isso é importante saber cozinhar, senão vai comer sanduíche e engordar."

Anorexia

Na agência, temos nutricionistas, psicólogos, que oferecem esse trabalho gratuito. O problema é de imagem. Quando a mídia colocou meninas muito magras, as meninas que olharam essa imagem começaram a querer a emagrecer a qualquer custo e sem orientação, porque a modelo se orienta para fazer a dieta dela. Hoje, as modelos não tem que ser tão magras e elas são muito bem cuidadas. Não é uma coisa inteligente saber que mais da metade das pessoas do mundo não tem aquele corpo e continuar vendendo com modelos muito magras.Tem modelo para alta-costura, tem modelo para moda. Eu tenho 50 anos e não quero ver uma menina de 16 anos vestindo uma roupa para mim. Fica muito distante da realidade. "

Investimento da modelo

"Além de investir em si mesma, as modelos tem outros gastos, como passagem, que agência adianta e depois tem que pagar. Uma menina que começa em São paulo gasta R$ 1,2 mil ma R$ 1,5 mil por mês. E não fatura no começo de carreira. Os pais tem que se preparar no começo e guardar esse valor. Muitos pais falam 'como minha filha vai ser modelo, não vou ajudar mais'. Não é verdade. Tem que ajudar e investir. A menina pode ter potencial, mas vai demorar a pagar o custo dela."

Conselho

"Siga sua intuição. Se quiser ser modelo, vá em frente. Sua intuição vai te levar a algum lugar."

Veja Live completa aqui

Ver essa foto no Instagram

Uma publicação compartilhada por Caroline Ribeiro/Carol Ribeiro (@caropita) em

Veja também:

Aline Weber e noivo indígena pedem ajuda ao Xingu
Elas no Tapete Vermelho
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade