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"Ofereceram R$ 12 mil por noite", diz modelo sobre book rosa

"Com a novela cresceu o assédio”, conta outra modelo. Veja depoimentos sobre prostituição no mundo da moda, retratada em 'Verdades Secretas'

25 jun 2015 08h50
| atualizado às 09h50
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A novela Verdades Secretas estreou no início do mês na faixa das 23h da Globo e levantou uma discussão que tem deixado o mundo da moda de cabelo em pé. O book rosa existe ou não? “Passei por três grandes agências, das maiores do País, e nas três existe ficha rosa”, contou D.P, que está neste mercado há 20 anos (leia depoimento completo abaixo).

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“Nunca fiz esse esquema de ficha rosa, eu trabalho como modelo, apenas. Ou seja, fotos, recepções, desfiles e outros eventos em geral. Mas já me convidaram sim. Para falar a verdade, até algum tempo atrás nunca tinham me convidado, mas agora com a novela cresceu o assédio”, disse a modelo F.R. ao Terra.

Na novela, a atriz Camila Queiroz interpreta Angel, uma modelo novata que é apresentada ao book rosa em seu primeiro trabalho
Na novela, a atriz Camila Queiroz interpreta Angel, uma modelo novata que é apresentada ao book rosa em seu primeiro trabalho
Foto: Zé Paulo Cardeal / TV Globo / Divulgação

Yasmin Brunet e Alessandra Ambrosio, modelos que estrearam como atrizes na trama de Walcyr Carrrasco, fizeram coro a estas declarações. "Sim, conheço meninas que acabaram indo para o book rosa”, disse Yasmim. "Este mundo existe, mas eu nunca participei. Meu agente é um dos caras mais sérios do País”, completou a angel Ambrosio, na festa de lançamento da novela em São Paulo.

"Este mundo existe, mas eu nunca participei. Meu agente é um dos caras mais sérios do país", afirma Alessandra Ambrosio, uma das modelos brasileiras mais famosas fora do País
"Este mundo existe, mas eu nunca participei. Meu agente é um dos caras mais sérios do país", afirma Alessandra Ambrosio, uma das modelos brasileiras mais famosas fora do País
Foto: Zé Paulo Cardeal / TV Globo / Divulgação

Abordagem é mais discreta na vida real

A novela tem alguns exageros característicos da ficção. Um deles é a forma quase descarada que a apresentação deste mercado paralelo de prostituição e acompanhamento de luxo aconteceu entre as personagens Angel (Camila Queiroz) e Fanny (Marieta Severo). Isso porque o assunto é espinhoso dentro dos próprios ambientes da moda e não é abordado de forma tão direta assim nem entre chefias, nem entre as modelos.

Para D.P., que começou na carreira aos 15 anos, a abordagem é mais discreta e aconteceu com ela mais de uma vez no início da carreira. “Primeiro, eles questionam se você faz nu e topless. Dependendo da resposta, veem que a menina é bobinha e começam a abordar aos poucos. Se a menina é mais soltinha, eles já vão manipulando. Eles não vão falar 'quer dormir com o nosso cliente?', mas vão aos poucos”, explica.

A discrição e o anonimato destes trabalhos são “pilares” e regras do book rosa. Tanto os clientes quanto as modelos se resguardam ao máximo e têm como principal preocupação se afastarem deste assunto mesmo entre as pessoas que fazem parte deste mundo, afinal, há uma imagem há zelar. “Essas coisas são muito escondidas, então não conheço ninguém que faça. Mas sempre tem aquelas que falam ‘ah, uma amiga minha já fez ou faz e ficou com peso na alma’. É um meio bem sombrio”, comenta F.R.

Foto: Arte Terra

O que dizem as agências?

Para Jocler Turmina, que trabalha há oito anos como olheiro na Joy Models, agência que cuida da carreira da angel Lais Ribeiro, este submundo é como uma “lenda” na realidade diária dos profissionais do mundo da moda. “Não vou dizer que não existe. Existe. Mas eu nunca vi nem vivi. Para mim, é uma lenda esse book rosa. O público não pode tirar como regra”. Em entrevista ao Terra, Eli Hadid, dono da agência de modelos Mega Model Brasil (que tem Isabelli Fontana entre as agenciadas), disse que "nenhuma empresa séria vai querer ver sua imagem associada a uma puta ou drogada”.

Ele diz ainda que, mesmo que existam agências que tenham esta prática, as modelos, principalmente aquelas em início de carreira, sofrem também outros tipos de assédio. Por isso, Jocler ressalta que é precisa alertar e cuidar das meninas que chegam em uma cidade grande ainda imaturas, com ilusão sobre este trabalho e sem dinheiro. “Você é uma adolescente de 17, 18 anos vindo pra São Paulo com a ideia do glamour e do dinheiro. Chega e vai morar numa república. A família vai assinar documentos e nós dividimos a responsabilidade com os pais, mas esta menina vai sair, vai na academia, no parque e as pessoas vão chegar, ela vai ter amigos, vai ter um promoter oferecendo balada. Então nós avisamos dos problemas e perigos de viver em São Paulo e nesse mundo”. E completa: “É um risco que a gente corre sim, mas não de forma exagerada e como regra deste jeito que a novela está mostrando. Depende muito dos objetivos da menina também”.

 

Fonte: Terra
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