Menos carboidrato, mais proteína: supermercados mudam gôndolas para atender usuários de GLP-1
Redes de supermercados reorganizam corredores, cortam espaço de ultraprocessados e apostam em produtos frescos para acompanhar a revolução na alimentação
A popularização dos remédios GLP-1 para emagrecimento está transformando o varejo no Brasil. Supermercados reorganizam suas gôndolas para priorizar alimentos ricos em proteína, frescos e com pouco carboidrato, reduzindo ultraprocessados. O hábito também impulsiona bebidas sem álcool e suplementos. Com a chegada de genéricos mais acessíveis, analistas projetam o país como um dos líderes globais dessa mudança de consumo voltada à saúde e ao bem-estar.
A popularização dos medicamentos para perda de peso transformou a forma como as pessoas se alimentam no Brasil. Como resultado dessa mudança de hábitos, os supermercados precisaram reagir rápido. As redes varejistas começaram a reorganizar corredores e gôndolas para se adaptar à era do GLP-1, abrindo espaço para alimentos ricos em proteína, com pouco açúcar e baixos teores de carboidratos.
Nesse cenário, o tradicional pão de queijo, os biscoitos e os salgadinhos perdem espaço a cada dia. Por outro lado, iogurtes, peito de frango sem pele e maçãs orgânicas ganham destaque absoluto nas prateleiras mais visíveis.
Além disso, a nação brasileira já figura entre os mercados que mais crescem na busca por esses remédios revolucionários. Para acelerar ainda mais essa transição, versões genéricas mais baratas já começam a chegar ao país.
O setor varejista se prepara para a chegada dos genéricos
Em todo o país, o varejo já se mobiliza para um acesso ainda maior aos tratamentos. Em entrevista ao portal 'Blooomberg Línea', Marcio Milan, o vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) contou que o avanço é visível: "Os supermercados estão reorganizando a disposição dos produtos"
Contudo, a mudança vai além dos corredores. As redes passaram a encomendar itens que antes tinham pouca saída, incluindo uma variedade muito maior de ovos. Nesse sentido, Milan reforça o objetivo principal dessas estratégias: "Tudo isso veio no sentido de atender um consumidor que está mais preocupado com a sua saúde e bem-estar"
Gôndolas mais rentáveis por causa do GLP-1
Consequentemente, o comportamento de compra muda. Como os itens frescos duram menos tempo na geladeira, as pessoas passam a frequentar o supermercado com mais regularidade. Assim, de acordo com a reportagem, algumas marcas já relataram que os clientes estão procurando por produtos com teor de proteínas do que carboidratos. Dessa forma, elas passaram a oferecer uma variedade maior de iogurtes, granolas, aveia e até barras de cereais. Ademais, há nomes que passaram a vender suplementos e vitaminas
Bebidas sem álcool e o futuro do consumo
As alterações nas preferências também atingiram o setor de bebidas. A busca por alternativas leves fez o consumo de cerveja sem álcool quintuplicar em cinco anos, superando 700 milhões de litros no país. A expectativa do mercado indica que o volume alcance 885 milhões de litros, posicionando o Brasil como o segundo maior consumidor mundial do segmento. Por conta disso, as redes expandiram o catálogo para incluir vinhos e espumantes sem álcool.
Em suma, um estudo da NielsenIQ revelou que 4,6% dos lares brasileiros já utilizavam medicamentos GLP-1, enquanto 26% demonstravam interesse no tratamento. Com o avanço das versões genéricas, analistas do Itaú BBA apontam que o país logo se tornará um dos pilares globais dessa revolução.
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