Maracujá ajuda mesmo a acalmar? Entenda o que está por trás desse efeito
Conhecida pela fama de calmante natural, a fruta guarda algumas particularidades; entenda quais partes concentram esse efeito e conheça seus benefícios
Quando alguém está nervoso ou tem dificuldade para relaxar, uma das recomendações mais populares é tomar um suco de maracujá. A fruta ganhou tanta fama por suas propriedades calmantes que praticamente se tornou sinônimo de tranquilidade. Mas será que beber um copo de suco realmente produz esse efeito?
A resposta exige algumas explicações. O maracujá pertence ao gênero Passiflora, que reúne plantas estudadas por suas propriedades relacionadas ao relaxamento. Porém, as substâncias associadas ao efeito calmante não aparecem na mesma concentração em todas as partes da planta - nem em todas as espécies.
No maracujá tradicionalmente utilizado para preparar sucos e sobremesas, a polpa não concentra quantidades tão significativas das substâncias responsáveis pelo efeito sedativo. Elas podem estar mais presentes em outras partes da planta, especialmente nas folhas.
Isso não significa, porém, que seja indicado colher as folhas do maracujazeiro e preparar um chá em casa. Elas podem apresentar compostos cianogênicos e alcaloides e, quando utilizadas incorretamente, existe risco de intoxicação.
Então o suco de maracujá não acalma?
Não necessariamente da maneira que muita gente imagina. O suco feito com a polpa do maracujá comum não deve ser um calmante natural capaz de tratar ansiedade, estresse ou insônia.
Existe ainda uma particularidade entre as muitas espécies da fruta. O maracujá-pérola-do-cerrado (Passiflora setacea), também conhecido como maracujá-do-sono, apresenta na própria polpa compostos associados a propriedades calmantes.
Essa é apenas uma das variedades existentes. O Brasil possui mais de 150 tipos silvestres de maracujá, enquanto centenas de espécies do gênero Passiflora estão distribuídas pelas regiões tropicais das Américas.
Portanto, a fama de que "maracujá acalma" tem fundamento quando pensamos na planta e em determinadas espécies, mas não significa que qualquer suco preparado com a fruta terá um efeito sedativo significativo.
Mesmo sem ser calmante, maracujá oferece outros benefícios
Se o tradicional copo de suco pode não produzir todo o efeito relaxante que se imagina, isso não diminui o valor nutricional da fruta. O maracujá fornece vitamina C, fibras e minerais como magnésio, fósforo e potássio. Também apresenta compostos antioxidantes, entre eles carotenoides. E não é apenas a polpa que pode ser aproveitada. Sementes e, principalmente, a parte branca da casca também apresentam nutrientes interessantes.
A parte branca da casca é rica em fibras
A entrecasca do maracujá, aquela camada branca localizada entre a polpa e a parte externa da fruta, é especialmente rica em pectina, um tipo de fibra solúvel. Ao entrar em contato com líquidos no sistema digestivo, essas fibras ajudam a formar uma espécie de gel, retardando a digestão e a absorção de determinados nutrientes.
Esse mecanismo pode colaborar para uma liberação mais gradual da glicose no sangue após as refeições e também aumentar a sensação de saciedade. Como essa parte da fruta possui sabor bastante amargo, uma das formas encontradas para aproveitá-la é a farinha da casca do maracujá, que pode ser incorporada a algumas preparações.
Pode contribuir para o funcionamento do intestino
As fibras também são importantes para o equilíbrio intestinal. A pectina presente na casca pode ajudar na formação do bolo fecal e servir de substrato para microrganismos benéficos que vivem no intestino. Para que o consumo de fibras tenha o efeito esperado, entretanto, é importante que venha acompanhado de uma hidratação adequada.
Fibras também são aliadas do colesterol
A pectina tem sido estudada ainda por sua relação com o metabolismo de gorduras e colesterol. Por ser uma fibra solúvel, ela pode contribuir para diminuir a absorção intestinal de colesterol quando faz parte de uma alimentação equilibrada. Pesquisas realizadas com farinha da casca do maracujá já observaram alterações positivas em indicadores como colesterol total, LDL e triglicérides.
Isso não transforma a fruta ou sua farinha em tratamento para colesterol alto, mas ajuda a explicar por que alimentos ricos em fibras são recomendados dentro de uma alimentação favorável à saúde cardiovascular.
Maracujá também fornece antioxidantes
Outro destaque da fruta é a presença de vitamina C e outros compostos antioxidantes. Essas substâncias ajudam a proteger as células contra danos provocados pelo excesso de radicais livres e participam do funcionamento adequado do sistema imunológico. A presença de diferentes compostos vegetais também faz do maracujá uma opção interessante para variar o consumo de frutas ao longo do dia.
Dá para aproveitar praticamente a fruta inteira
A versatilidade é outra característica do maracujá. A polpa pode aparecer em sucos, molhos, sobremesas e diferentes preparações culinárias. As sementes também são comestíveis e fornecem gorduras e fibras.
Já a entrecasca pode transformar-se em farinha e utilizada em preparações como iogurtes, vitaminas e outras receitas. Até mesmo as sementes possuem aplicações além da alimentação: delas é possível extrair um óleo utilizado pela indústria cosmética.
O cuidado maior fica justamente com aquilo que muitas pessoas associam imediatamente ao efeito calmante: as folhas. Apesar de algumas espécies de Passiflora serem utilizadas na produção de fitoterápicos, preparar infusões caseiras com folhas retiradas diretamente do maracujazeiro não é recomendado devido à presença de substâncias que podem provocar intoxicação.
No fim, o maracujá continua sendo uma fruta nutritiva e cheia de possibilidades, mas vale desfazer um dos principais mitos ao seu redor. A polpa do maracujá comum não possui um efeito calmante tão potente quanto sua fama sugere. Ainda assim, suas fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes dão bons motivos para mantê-lo no cardápio - mesmo que seja simplesmente pelo sabor.
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