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JP Vergueiro revela como protege a saúde mental de notícias pesadas: 'Vamos carregando energias'

Em entrevista exclusiva à Bons Fluidos, apresentador também relembrou a cobertura que mais o marcou e contou quais hábitos o ajudam a separar a rotina profissional da vida pessoal

4 set 2026 - 19h10
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Resumo
Com quase 25 anos de carreira e à frente do Bora Brasil, JP Vergueiro revelou como preserva a saúde mental diante da cobertura de tragédias e notícias pesadas. Para evitar que a carga emocional afete sua vida pessoal, o jornalista aposta em terapia semanal, atividades físicas e espiritualidade. Marcado pela cobertura da crise Yanomami, ele busca equilibrar a sensibilidade com a profissão e foca no jornalismo comunitário para cobrar autoridades e gerar impacto positivo na vida da população.

Conviver diariamente com histórias de violência, mortes e tragédias exige mais do que preparo profissional. Para JP Vergueiro, jornalista e apresentador do 'Bora Brasil', da Band, preservar a saúde mental se tornou parte indispensável de uma rotina construída ao longo de quase 25 anos de carreira.

Em entrevista exclusiva à Bons Fluidos, JP Vergueiro também relembrou a cobertura que mais o impactou e os cuidados que adota fora do ar
Em entrevista exclusiva à Bons Fluidos, JP Vergueiro também relembrou a cobertura que mais o impactou e os cuidados que adota fora do ar
Foto: Divulgação / Bons Fluidos

Em entrevista exclusiva à Lilian Coelho Maffei, editora da Bons Fluidos, o profissional contou que, com o tempo, aprendeu a reconhecer os efeitos que determinadas notícias provocam fora das câmeras. Embora a experiência tenha criado uma espécie de proteção emocional, algumas histórias permanecem com ele.

"Ao mesmo tempo que sou uma pessoa que vai criando uma casca mais grossa, sou extremamente emotivo também. E você tem que se permitir. Você não precisa esconder, como apresentador, as suas emoções e reações, porque é para quem está do outro lado que você transmite essa mensagem. Mas quando falo em proteger, é para que isso não interfira nos sentimentos e na sua vida, porque, afinal de contas, vamos carregando energias que são pesadíssimas", afirmou.

Terapia ajuda JP Vergueiro a separar trabalho e vida pessoal

De acordo com apresentador, no seu caso, o impacto da rotina aparece até fisicamente. O apresentador percebe, por exemplo, que costuma tensionar os ombros depois de dias especialmente difíceis. Foi durante a terapia que começou a prestar mais atenção nesses sinais e a trabalhar formas de lidar com a quantidade de emoções absorvidas no exercício da profissão.

"Uma vez por semana eu faço terapia e levo para ela os assuntos. Já levei casos, inclusive, criminosos — não que eu tenha cometido, obviamente —, mas que mexeram comigo de alguma forma. E é sobre como posso lidar com essa quantidade de emoções", afirmou.

Para o apresentador, esse cuidado ajuda a evitar que experiências negativas o façam deixar de opinar por medo da reação do público. Além da análise semanal, atividade física e espiritualidade formam outros dois pilares dessa rotina. A academia, inclusive, funciona como um momento de convivência e desconexão das notícias.

"Eu falo: 'Faço 40 minutos e a outra 1 hora e 20 fico papeando'. É uma academia onde tem um ambiente muito legal. A gente tem um grupo que fala besteira, que fala da vida, que come alguma coisa. Então, essa rotina é fundamental e ali é a hora em que esqueço da tragédia, do que aconteceu", contou.

A fé também ganhou importância nesse processo. JP percebe que os períodos em que se afasta da espiritualidade costumam vir acompanhados de mais cobrança e menor tolerância. "A espiritualidade consegue me aprumar, consegue me centrar de novo", disse. Para ele, essa conexão se torna ainda mais necessária diante do contato constante com histórias emocionalmente carregadas.

Cobertura da crise Yanomami ainda emociona jornalista

Entre tantas experiências profissionais, uma permanece em especifico viva na memória. Questionado por Lilian sobre a cobertura que mais o marcou, JP colocou a crise humanitária Yanomami em primeiro lugar. Na ocasião, acompanhou de perto comunidades afetadas pela fome, doenças e falta de assistência.

"Eu fui para lá no helicóptero do Exército e a gente teve a oportunidade de doar alimentos para quem estava morrendo de fome. Até hoje eu me emociono assim, porque lembro de algumas situações: você ver gente morrendo de fome, ver criança morrendo de fome... Isso é uma ferida que nunca vai cicatrizar", desabafou.

Durante a cobertura, o jornalista também participou de uma mobilização para socorrer uma indígena gravemente doente e seu bebê. Segundo JP, a mulher estava debilitada e precisava chegar rapidamente a uma aeronave para ser transferida. Sem compartilhar o mesmo idioma, ela entregou a criança aos braços do repórter para que ele ajudasse a levá-la até o local. A operação terminou com mãe e filho recebendo atendimento.

A experiência ajuda a explicar por que algumas reportagens continuam presentes mesmo depois que as câmeras são desligadas. "Você enterra para cumprir o seu trabalho profissional. Você joga em algum lugar e fala: 'Agora eu não consigo lidar, agora não dá'", relatou. O impacto, conforme relatou, costuma aparecer mais tarde: "Quando você chega à noite, eu não conseguia dormir."

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Um post compartilhado por João Paulo Vergueiro (@jpvergueiro)

Jornalismo ganhou outro significado para JP Vergueiro

Ao longo da carreira, JP passou por diferentes emissoras e áreas, do esporte ao entretenimento, até chegar ao hard news. Hoje, porém, ele encontra uma de suas maiores fontes de realização nas reportagens que conseguem provocar mudanças concretas na vida das pessoas.

No 'Bora Brasil', o quadro 'Bora Te Ajudar' cobra respostas de autoridades para problemas enfrentados pela população. De acordo com o apresentador, houve casos repercussão das reportagens ajudou pessoas a conseguir desde benefícios previdenciários até soluções para dificuldades cotidianas.

É justamente esse impacto que JP Vergueiro espera transformar em legado. "A tentativa de se fazer algo melhor para a sociedade da maneira que eu posso. E como é que é isso? É usando a minha voz, usando o programa, usando o microfone, cobrando as autoridades para tentar melhorar a vida das pessoas", afirmou.

Hoje, para o jornalista, mais do que reconhecimento diante das câmeras, a realização está na possibilidade de usar a profissão como ponte. "Essa é a satisfação de saber que o meu dever está sendo cumprido. Então, a minha intenção é isso: poder ajudar as pessoas, ter um pouco mais de empatia."

Bons Fluidos
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